quarta-feira, 21 de outubro de 2015

[leituras] Lisboa Triunfante


Título: Lisboa Triunfante

Autor: David Soares
Páginas: 415
Ano: 2008

Quando descobri David Soares foi uma revelação imensa para mim de que havia um autor português a escrever coisas tão estranhas e de forma tão bem feita. Fiquei fã desde o primeiro livro que li - Os ossos do Arco Íris - e nessa altura começou a demanda por ter e ler os livros que já existissem deste senhor. 

Li BD, li contos, li romances e as coisas tinham altos e baixos mas eram sempre leituras interessantes, com perspectivas bizarras e ideias como se vê em poucos sítios. 

Entretanto saiu o Palmas para o Esquilo, uma BD sobre loucura que me deixou interessada desde que soube que ia ser feita. Depois foi só desilusão, num livro com tanto potencial, bons desenhos, uma história que podia estar interessante e louca, ao mesmo tempo, e que acaba por não coneguir manter um ritmo seja de que ordem for pelo argumento que tem e uso e abuso de palavras que nem um autor de dicionários conhece. Fiquei desiludida a níveis ridículos e fiz uma pausa do autor. Precisava de um tempo...

Depois desse livro li o Compêndio, que é brilhante, li o Sepulturas dos Pais que está bom - com o aparte do fim, mas pronto - e agora o Lisboa Triunfante que estava na prateleira a ganhar pó há uns tempos.

Quando comecei a ler apareceu-me Aquilino e a minha felicidade foi imensa. A Conspiração dos Antepassados é um livro extraordinário e se este lhe seguisse as pisadas não podia falhar muito. Não seguiu mas não foi assim tão mau.

O livro é muito escrito por partes. A início torna-se confuso termos tantos inícios de história que param nalgum ponto e parece que não ligam com nada e que nunca mais vamos ouvir falar deles. Fazem todos parte dum plano maior, sim, mas as bases são muito disconexas e caem muito do ar. O início começa forte e prende rapidamente mas depois quase todo o livro é muito debitar de informação que não é assim tão relevante. Eu senti que tive umas aulas de história e quase uma conversa sobre vários dos assuntos que já nos habituámos a ver como conhecimento detalhado em David Soares, mas que para a história dão algum contexto, mas não era preciso tanto. 

O início, como disse, é especialmente interessante e dá um mote forte para o livro, mas depois isso perde-se na grande maior parte dos capítulos de permeio, e só no fim voltamos à garra inicial e ao interesse que tínhamos lido há umas 250 páginas atrás.

Porque lá está, a história é bem interessante, gostei dos twists que leva lá pelo meio, do elemento sobrenatural que joga muito bem pela história, mas metade do livro era dispensável, não evolui grande coisa na história, dá contexto mas a um nível que não se torna relevante e que faz esquecer o que estávamos a falar desde o início. 

Fiquei com pena porque achei que a ideia podia ser muito melhor explorada do que foi, e mesmo assim gostei do livro. É um livro mais à la David Soares mas com toques a mais que eram desnecessários. 

De qualquer das formas é um bom livro, uma leitura interessante e uma perspectiva diferente de algumas coisas que podem existir no mundo. Ainda me falta ler o Evangelho do Enforcado, a ver se trato disso nas proximidades.  


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