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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

[leituras] O Poema Morre

Título: O Poema Morre
Argumento: David Soares
Desenho: Sónia Oliveira
Páginas: 68
Ano: 2015

Eu ando numa fase muito variável com David Soares, ora apanho uma coisa que gosto imenso, ora apanho uma coisa que não me cativa minimamente.

E geralmente são mais as coisas recentes que me desiludem mais.

As bd que fui apanhando da Círculo de Abuso, quase a ferros que aquilo ainda é complicado de encontrar, foram boas surpresas, num estilo muito próprio que mostrava um potencial interessante. O que vejo nas últimas coisas é uma história... nem sei bem como descrever... mas que não pega.

Este livro tem uma capa lindíssima, e depois de ter lido o Sepultura dos Pais, um dos que me fez voltar a acreditar, estava com boas expectativas para o que iria encontrar neste. Boa capa, folhear de fugida dá uma ideia interessante dos pordentros, vá, isto vai ser bom.

E depois é meh!

A história é pouco interessante, confusa à lá David Soares, com cenas chocantes para serem chocantes sem terem qualquer lógica no seguimento do que se estava a passar, enfim. Além do mais a própria história não é cativante, uma pessoa segue e vai lendo mas não agarra o leitor.

Eu fiquei desiludida. A própria arte que parecia uma coisa, revelou-se outra completamente diferente. Aquilo que me parecia um desenho mais simplista, cru, é bem menos do que seria esperado e torna-se muito pouco interessante. Infelizmente.

Resultado: não fiquei fã. Nem pelo argumento, nem pela arte. Gostei da capa e do título, já não vai mal.

domingo, 1 de novembro de 2015

[escritos] Amadora BD






Ao fim de tantas edições e tantas vontades de lá ir foi este ano que se deu! Já fui ao Amadora BD.

Eu que moro relativamente perto da Amadora tenho notado, ao longo dos últimos anos, uma forte aposta nesta "brincadeira" da BD. É a própria decoração da cidade, é o Amadora BD com o maior destaque que conseguem, é letras gigantes a intitular-se "Cidade da BD" e ainda bem. Dá um ar de mudança à cidade, chama pessoas e ainda divulga este género que tanto mérito merece e tanta coisa boa tem feito em Portugal!

O evento em si está bastante dinâmico, está feito de tal forma que não é só um evento de BD aborrecido, com uns lançamentos e umas bancas. O espaço está muito giro, cheio de pequenos pormenores num lado e noutro, as exposições que por lá têm são interessantes e dão-nos uma boa ideia de vários momentos na história da BD e isso torna-se bem porreiro de encontrar. 

Está construído num sítio aberto, com espaço suficiente para as pessoas passearem e verem as coisas sem terem de andar completamente aos ewmpurrões umas às outras, as estruturas e divisórias estão simples e baratas, diga-se. Muitas das coisas estão feitas em papelão e tenho de dar os parabéns a quem o pensou. Super simples, super barato e faz o propósito para que existe da melhor maneira. Não sei quem é que pensou naquilo mas tem os meus parabéns!

E a exposição tem passagens secretas e uma sala secreta e um labirinto para os miúdos brincarem e lápis gigantes e A CASOTA DO SNOOPY!!! Not even kidding!

Tive pena de que a exposição não tivesse um bocadinho mais de informação, porque para quem não conhecesse as coisas que lá estivessem aquilo que aprendia era o nome da tira/série/história e o nome do autor. Um bocadinho mais de informação sobre as coisas seria o ideal! Fazer com que as pessoas se interessassem e ao mesmo tempo aprendessem! Isso, para mim, precisava realmente de ser trabalhado. Mas tirando isso o evento surpreendeu-me muito pela positiva.

Há vários lançamentos a serem feitos durante este tempo, ainda apanhei o lançamento do livro "O Poema Morre" de David Soares, com Sónia Oliveira (Kingpin Books) num espaço mais uma vez simpático, acolhedor, porreiro para ver uma apresentação e construído em cima de paletes (pessoal, espectáculo, a sério! Simples e prático!).

Nas bancas há muita coisa para ver e comprar, com a G Floy por lá, a Kingpin (e todos os seus Pops! Mas têm um gorro do BB8, uma TARDIS giratória e um Bobble Head do Matt Smith, não me vou queixar!), a Chili com Carne, a Devir, a Babel e como alguém muito sábio diz, o "Império do Mal", ou seja a Leya. (Acho que não me esqueço de ninguém...) Ainda comprei duas BD e dois pins, e vim para casa toda contente!

Eu por lá ainda ia tendo um ataque cardíaco com os livros expostos cortados para ficarem presos. Isso rasgou-me as entranhas em milhões de volumes infinitesimais de gosma! Não se fazem essas coisas aos livros!!! Eu percebo o porquê de o fazerem mas não... não, assim não! Coitadinho do livro gigante da Mafalda - que eu tenho! - ou do Habibi, ou do Hawk, ou sei lá... todos! A minha alma ainda sangra por eles. 

Depois claro que tenho pena que o evento acabe por ser um pouco descentralizado e só por isso há imensa gente que o põe de parte à partida. O mesmo evento, nos mesmos moldes, com tudo exactamente igual, teria dez vezes o número de visitantes se fosse num ponto de Lisboa onde qualquer pessoa pudesse chegar de metro. É chato, mas é verdade! 

Agora que tenho uma primeira ida não me cheira que queira deixar passar as próximas edições sem um pulinho por lá. Até porque confesso que me deu um certo prazer já ter lido uma boa parte das BD que lá andavam. Só ali é que me apercebi dessa monstruosidade. Bem, objectivo do próximo ano: só não ter lido os que estão a ser lançados! Bora lá, Jules!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

[leituras] Lisboa Triunfante


Título: Lisboa Triunfante

Autor: David Soares
Páginas: 415
Ano: 2008

Quando descobri David Soares foi uma revelação imensa para mim de que havia um autor português a escrever coisas tão estranhas e de forma tão bem feita. Fiquei fã desde o primeiro livro que li - Os ossos do Arco Íris - e nessa altura começou a demanda por ter e ler os livros que já existissem deste senhor. 

Li BD, li contos, li romances e as coisas tinham altos e baixos mas eram sempre leituras interessantes, com perspectivas bizarras e ideias como se vê em poucos sítios. 

Entretanto saiu o Palmas para o Esquilo, uma BD sobre loucura que me deixou interessada desde que soube que ia ser feita. Depois foi só desilusão, num livro com tanto potencial, bons desenhos, uma história que podia estar interessante e louca, ao mesmo tempo, e que acaba por não coneguir manter um ritmo seja de que ordem for pelo argumento que tem e uso e abuso de palavras que nem um autor de dicionários conhece. Fiquei desiludida a níveis ridículos e fiz uma pausa do autor. Precisava de um tempo...

Depois desse livro li o Compêndio, que é brilhante, li o Sepulturas dos Pais que está bom - com o aparte do fim, mas pronto - e agora o Lisboa Triunfante que estava na prateleira a ganhar pó há uns tempos.

Quando comecei a ler apareceu-me Aquilino e a minha felicidade foi imensa. A Conspiração dos Antepassados é um livro extraordinário e se este lhe seguisse as pisadas não podia falhar muito. Não seguiu mas não foi assim tão mau.

O livro é muito escrito por partes. A início torna-se confuso termos tantos inícios de história que param nalgum ponto e parece que não ligam com nada e que nunca mais vamos ouvir falar deles. Fazem todos parte dum plano maior, sim, mas as bases são muito disconexas e caem muito do ar. O início começa forte e prende rapidamente mas depois quase todo o livro é muito debitar de informação que não é assim tão relevante. Eu senti que tive umas aulas de história e quase uma conversa sobre vários dos assuntos que já nos habituámos a ver como conhecimento detalhado em David Soares, mas que para a história dão algum contexto, mas não era preciso tanto. 

O início, como disse, é especialmente interessante e dá um mote forte para o livro, mas depois isso perde-se na grande maior parte dos capítulos de permeio, e só no fim voltamos à garra inicial e ao interesse que tínhamos lido há umas 250 páginas atrás.

Porque lá está, a história é bem interessante, gostei dos twists que leva lá pelo meio, do elemento sobrenatural que joga muito bem pela história, mas metade do livro era dispensável, não evolui grande coisa na história, dá contexto mas a um nível que não se torna relevante e que faz esquecer o que estávamos a falar desde o início. 

Fiquei com pena porque achei que a ideia podia ser muito melhor explorada do que foi, e mesmo assim gostei do livro. É um livro mais à la David Soares mas com toques a mais que eram desnecessários. 

De qualquer das formas é um bom livro, uma leitura interessante e uma perspectiva diferente de algumas coisas que podem existir no mundo. Ainda me falta ler o Evangelho do Enforcado, a ver se trato disso nas proximidades.  


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

[leituras] Sepultura dos Pais

Título: Sepultura dos Pais
Argumento: David Soares
Ilustração: André Coelho
Páginas: 60
Ano: 2014

O meu pensamento a pegar nisto foi simples: "Por favor não sejas tão mau quanto o Palmas para o Esquilo!!!".

Deve ter sido o livro que mais me chateou nos últimos tempos especialmente tendo em conta que as minhas leituras de David Soares tinham sido realmente muito boas. Depois aquele livro, com tanto potencial desperdiçado. Enfim, nem pensar é bom.

Este Sepulturas dos Pais tinha um ar diferente. Deu-me a ideia de ser mais parecido com a onda da Círculo de Abuso e isso deu-me esperanças. Talvez tenha sido apenas das ilustrações a preto e branco, talvez o aspecto mais bruto e cru quando vi os primeiros esboços. Seja lá pelo que for a primeira impressão deste novo livro prometia. E desta vez - abençoado - não me decepcionou.

É uma história estranha - go figure - e com uma parte mágica que funciona bem e mal ao mesmo tempo ao longo da história.

Eu gostei do livro, fiquei feliz por não ter as mesmas reviravoltas linguísticas dos últimos tempos em David Soares mas sem cair numa linguagem simples e banal. Ao mesmo tempo tem uma parte mais mística numa relação mais do que amorosa que se cria que está bem explorada.

O pior foi o fim, que achei mal explorado e que fica ligeiramente tonto. De resto o livro lê-se bem, é simples e claro - mesmo com as magias todas que tem pelo meio - e é uma coisa que dá para ler sem ter de ter um dicionário ao lado. E isso já é muito, não é?


segunda-feira, 15 de junho de 2015

[leituras] Crumbs

Título: Crumbs - An anthology of delicious comics by portuguese toast makers
Autores: André Caetano, Ana Matias, André Oliveira, Bernardo Majer, David Soares, Fernando Dordio, Francisco Sousa Lobo, Inês Galo, Joana Afonso, Mário Freitas, Nuno Duarte, Osvaldo Medina, Pedro Cruz, Pedro Serpa, Ricardo Venâncio, Sérgio Marques, Zé Burnay
Páginas: 144
Ano: 2014

Tanta gente junta num livro tão minúsculo. É que é incrivelmente pequeno. Eu por vezes pensava que o ia perder porque isto é ínfimo e nunca na vida que olhando para ele diria que tinha tanta coisa.

As histórias são muito variadas em tudo o que se possa imaginar e como seria de esperar com tamanha diversidade de gente envolvida. A arte de quase todos os contos são absolutamente maravilhosas como aliás se tem notado no que anda a sair de BD nos últimos tempos, mas já no argumento não se pode dizer muita coisa. Contem uma história pessoas, deixem-se lá de mariquices!

Começamos com Light Bearer que brinca com a luz que se segue tanto na morte como no nascimento. Anda por ali a saltar de momento em momento numa vida e a mostrar como tudo acaba por ser cíclico e repetitivo. Achei que precisava de mais coerência, tem uma ideia boa mas depois o fio que tenta seguir está muito dividido, com falhas e torna a história confusa. As ilustrações estão engraçadas, gosto do envelhecer que as personagens levam.

Tunnels deu-me a conhecer uma nova música, Arcade Fire, do mesmo nome, que ainda por cima não gostei. Eu li a história e estava a soar-me a estranho, havia qualquer coisa que não batia certo. Ver que era mesmo a música que o tipo vai a ouvir fez com que as coisas encaixassem melhor. É engraçada mas sinceramente não me prendeu. Os desenhos estão giros, gosto das cores especialmente mas acompanham o estilo da história não me tendo chamado particularmente a atenção.

David Soares aparece aqui com Pedro Serpa tal qual como em Palmas para o Esquilo e isso deixou-me de pé atrás. Esse livro foi uma desilusão completa e pegar na mesma junção artística estava a deixar-me curiosa mas reticente. BD a preto e branco, The boar-man is getting married; or. leng tch'e, belo título não? Se alguém o perceber que me explique. Enfim, ilustrações cinco estrelas, sem tirar nem por, estranhas, simples mas com uma imagem forte, gostei. Argumento: estranho e estranho e não é do bom estranho. Um tipo com cabeça de javali que é maltratado e desprezado mas a história está de tal maneira contada que metade não se percebe. Tenho pena que David Soares em vez de contar a história para contar se meta por caminhos obscuros que não levam a lado nenhum. Isso pode ser giro, pode tornar a coisa interessante mas não assim, isto é só abusar.


Orwell, the soviet cat foi o título que mais me cativou e estava com bastante curiosidade por ser obra de Mário Freitas do qual tenho o SuperPig à espera há demasiado tempo! A história é mais uma vez algo meio estranho que parece que fica sem contexto. É pena porque as ilustrações são porreiras e aquilo tem ar de dar coisas giras. Mas falta ali história.


De seguida Young Enlil goes to hell é uma história de família sobre, suspense, How I Met Your Mother. Sim, é isso mesmo. Tem uns desenhos divertidos e coloridos com uma história essencialmente engraçada no momento em que se lê:

"You heard wrong... I am here... ... ... to kick your ass!"

Rio-me sempre quando fazem coisas destas. Mas enfim, mais uma vez nada de especial.

The Green Pool mais introspectivo e filosófico, demasiado verde para a minha pessoa, com uma história de coisas que caem em piscinas. Meh.

Low Battery é capaz de ter sido o que mais gostei. Um tipo é enterrado vivo e vê-se obrigado a pensar em quem é que ele pode ligar para o ir buscar. Torna-se uma história engraçada e triste ao mesmo tempo mas que é tão simples e porreirinha que até destoou dos outros contos. E obrigada por isso, diga-se!

Hanging Garden é estranho e estranhamente interessante. Acompanhamos o crescimento de um jardim peculiar, deixemos assim. Ilustrações bastante bonitas e muito interessantes.

Ick! vida de palhaço nem sempre é fácil mas quando se arranja um amigo tudo é melhor. Uma coisa simples, curiosa mas não podia ter tido mais um bocadinho de sumo.

In clouds é fofo, vá. Às vezes é preciso esperar um bocadinho mas as coisas chegam e ficam bem melhores. Principalmente com uma casa na árvore, se tivesse uma até este livro se lia melhor!

Omega  tinha potencial na história que conta. Como é que um criador vê a sua personagem ao fim do imenso tempo que tem de a desenhar e pensar como ela? Eu desta história tirava um livrinho, isto bem explorado tinha pano para mangas. No espaço pequeno deste Crumbs não se torna assim nada de mais.

Walpurgis sinceramente? Esqueçam história! Isto vale pelas ilustrações que são badass e maravilhosas e tudo o resto é treta, mega pequenino mas lindíssimo. 

E é isto. Pequeno e bem espremido com muito pouco sumo. Os ilustradores estão praticamente todos de parabéns, óptimos trabalhos, em termos de argumento achei que ficou muito aquém. Muitas tinham ali matéria para coisas mas ou pelo espaço reduzido ou sei lá porquê a coisa não resultou muito bem.

Ainda assim, numa perspectiva geral tenho de confessar que gostei do livro. E se for coisas destas que se precisa para levar BD nacional mais para a frente então força nisso. Mas da próxima vez em formato 2.0, ok?








domingo, 11 de janeiro de 2015

Primeiro olhar ...

(Que título mais maricas mas para este caso cai bem!)

Há não muito tempo li qualquer coisa sobre aqueles livros que temos que ainda têm as páginas por cortar e se não me engano até foi qualquer coisa do David Soares.

Há um prazer interessante nesse acto de cortar aquelas páginas, separá-las pela primeira vez, sabermos sem qualquer margem de dúvida que somos os primeiros a ler aquele livro em específico. Por mal que soe a alguns: A primeira vez daquele livro é completamente nossa!

E não sei bem porque é que isso dá uma satisfação tão grande mas eu sei que dá! Não é a satisfação de ler um livro pela primeira vez, essa é diferente. É mesmo a sensação de sermos os primeiros olhos que vêm aquelas palavras, aquela tinta naquele papel. Não sei se é algum tipo de sentido de posse, como se a nossa marca ficasse ali para sempre por termos sido os primeiros mas o certo é que se nota e já senti várias vezes essa sensação.

Sou bastante possessiva com os meus livros, são meus e é para serem bem tratados como se de porcelana se tratasse. Não gosto que se escreva neles, que se dobrem as lombadas sem dó nem piedade, que se dobrem cantos de página para os marcar então dá-me vontade de bater em alguém.

Mas de vez em quando há uma pequena magia que acontece: compro um livro, geralmente de ar gasto e antigo que quando o vou a ler ainda tem páginas por abrir. A última vez que me aconteceu isto foi com a antologia em tempos havia os bois que nunca esperaria que estivesse tão pura. No sítio onde o encontrei, aos anos que tinha e ninguém lhe tinha pegado!

Portanto sim, é mais um motivo para continuar a ir aos alfarrabistas, nunca se sabe quando se encontram estes pequenos prazeres. Porque comprar um livro novo, escolher aquele que está lá no meio sem nenhuma marca ou risquinho e sentir que somos os primeiros a folhear dá um grande gozo mas quando é um livro antigo, pensar nas mãos que já o devem ter percorrido e no fim disso tudo ainda somos nós quem tem o privilégio de o ler pela primeira vez... Ah, pequenos prazeres da vida...

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

[leituras] Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes


Título: Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes
Autor: David Soares
Páginas: 279
Ano: 2012


Há uns tempos atrás - ah, já lá vão três anos - fui apresentada à obra de David Soares, alguém que eventualmente tinha de fazer parte das minhas leituras, inevitavelmente.

Na altura emprestaram-me o Ossos do Arco Iris e fiquei deliciada, um autor que conseguia dar-me uma coisa que não encontrava muito: desconforto, nojo, desprezo por uma leitura. E isto - mesmo que não pareça - é um elogio. Poucas leituras conseguem fazer sentir - realmente - alguma coisa no leitor e eu sou particularmente picuinhas. Mas neste caso não. Fiquei realmente enojada com algumas das coisas que li e por isso o meu muito obrigado.

A partir daí comecei a acompanhar de mais perto o que fazia este senhor e certo e que já li a maior parte das coisas que tem publicadas.

Nos últimos tempos tivemos uma quebra, eu e estes livros. Desde que li o Palmas para o esquilo que fiquei desiludida e decidi fazer uma pausa - até porque a fonte estava a secar. Mas algo é mais forte de que as minhas pequenas forças de humana e há sempre aquele livro, aquele que nos deixa a sonhar quando o vemos e quando o compramos parece que a nossa biblioteca antes não fazia sentido. Pois que este compêndio foi assim para mim. Desde que saiu que o andava a namorar, coisa não coisa, compra não compra, ainda tenho muito para ler e tal e eis que chega o Fórum Fantástico do ano passado e eis que como que uma aura dourada que sobressai: Compêndio a 5euros. Não podia ficar ali a estragar-se, não era?

Mas porque tanto fascínio com isto? Simples, eu sou uma rapariga estranha, que gosta de coisas estranhas, quanto mais estranha melhor. Agora reparem neste nome: Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes. Preciso de dizer mais alguma coisa?

Se há livro que não esperava, de todo, que me falhasse seria este e não me enganei. Quanto à escrita, histórias ou estilo de David Soares muito se poderá dizer mas quanto às suas investigações bibliográficas não consigo ter grandes dúvidas de que conseguiria fazer qualquer coisa de extraordinário. E assim foi. Muitos dos temas que eu realmente acho fascinantes estão por aqui, sejam eles cabeças encolhidas - FINALMENTE! o que eu desespero por mais coisas sobre cabeças encolhidas! - ou alquimia. 

Eu tive realmente de me conter enquanto lia este livro, longe de um computador ou acesso a internet senão não o acabava. Isto é uma autêntica lista de coisas a investigar. Em cada um dos casos que aqui são explorados há milhentas referencias a coisas que têm um aspecto tao interessante.

Eu gosto bastante da ficção de David Soares, já tenho o Lisboa Triunfante a jeito para uma leitura próxima, mas se há coisa que gostaria de ver mais com David Soares era não ficção, obras como esta, que exploram os conhecimentos mais estranhos e obscuros que por aí andam. Isto foi mesmo tão bom! E tenho praticamente a certeza que mais coisas do género - que nem precisavam de ser relacionadas de alguma maneira com o oculto, a ideia que tenho é que um livro de história contado pelas mãos deste senhor traria não só as coisas superficialmente interessantes mas detalhes escondidos num rodapé de um livro esquecido e que poucos mais que David Soares terão lido.

O que me dá algum medo é que depois se "esticasse" para além do necessário seja no palavreado por vezes tão erudito que nem com um dicionário ao lado uma pessoa lá vai ou que se estendesse por meandros já demasiado aprofundados e que tornariam o livro desinteressante.

De qualquer das formas este livro é genial, muito muito muito bom! Gostei imenso e pronto, fiz um bocadinho as pazes com estes livros. Lisboa Triunfante, não demoras muito!

domingo, 9 de novembro de 2014

BDs que marcam

Mais uma vez meto-me para aqui a falar de BD mas o que é certo é que gosto mesmo deste estilo e já que está em crescimento vamos dar-lhe mais uma força.

 Já li uma boa dose de BD, umas que adorei e que estão sem qualquer dúvida no meu top de livros, e outras que também estão num top, mas daqueles que não gostei mesmo nada ou que me deram ânsias fortíssimas.

Começo com um bom ou com um mau? Hum, um bom, fica bem! Então por exemplo os Saga, obra de Brian K. Vaughan, são livros absolutamente geniais, com uma história estranha e interessante, acção, ilustrações lindíssimas, uma cor fenomenal e com situações, personagens e culturas muito bem estruturadas e transmitidas que nos pegam àquilo tudo e fazem ansiar por mais. É mesmo muito bom, aliás, daquilo que tenho lido de Vaughan acho que ainda nada decepcionou, é daquelas que se encontro um livro quero ler, mesmo sem saber o que é. Há-de ser bom, quase de certeza.

Mas pronto, nem todos gostam da mesma cor e também há livros que me ficam na ideia pelos maus motivos. Eu sou fã de David Soares, alguns dos livros dele são muito bons, coisas que um dia relerei com todo o gosto e vontade e depois há o Palmas para o Esquilo.

Ok, este é um autor peculiar, pode não ser o mais consensual e muito menos se poderá dizer que escreve para "agradar" mas mesmo dentro do estilo aqui, infelizmente, esticou-se. Quando via que o livro seria sobre a vida, sobre a loucura fiquei mega entusiasmada de depois li o livro. A imagem é boa, o Pedro Serpa fez um óptimo trabalho, a história não é má, confessemos, mas a maneira como está escrito não me convenceu de todo. Um discurso elaborado ao máximo, parece que foi escrita a história e depois foram passar o texto pelo dicionário de sinónimos e escolhia-se o mais complicado, erudito e desconhecido possível. É um estilo? Talvez, mas a mim não me cativou, não me permitiu uma leitura decente, não conseguia passar 2 quadrados sem dar com uma palavra que nunca tinha ouvido nem lido em lado nenhum. Corta a história, corta o seguimento e uma pessoa acaba por desligar do livro.

Em compensação, e já que descasquei um pouco no último parágrafo posso dar uma abébia e falar da 
 Última Grande Sala de Cinema, também David Soares, mas provavelmente a BD que mais gostei de ler dele. Estranho como o autor me habituou, interessante, cativante, com situações caricatas e obscuras a acontecer. Esta sim, uma BD que me deixou realmente com vontade de reler e procurar mais detalhes e mais coisas sobre tudo aquilo. Muito bom.

Um caso que também já tenho falado mas que quero deixar aqui foi o tal Catálogo de Sonhos, de José Carlos Fernandes, uma BD que encontrei meio perdida e que tem uma história que achei lindíssima e que me ficou na ideia com bastante força. Isto só para dizer que adoro quando nas minhas incursões pelos meandros da BD vou descobrir aquelas coisas do fundo da prateleira que depois se revelam boas surpresas. 

E depois sei lá, o raio do Macaco Tozé (dia 26), um livro estúpido que não faz sentido e que não vi qualquer piada naquilo. Eu gosto de coisas estranhas e non-sense até mas mesmo eu tenho limites. 

Nem estou a ir por livros mais conhecidos: V for Vendetta que é só genial, The Killing Joke que bastava dizer uma única coisa: "Joker!", Nailbiter (coisa mais recente mas que me está a deixar viciada, é muito muito bom), Sin City com aquelas ilustrações maravilhosas... 

Sei lá, já li muita BD, li muita coisa boa e li muita coisa má, algumas ficaram-me na memória por determinada coisa - como me acontece com os outros livros, como é óbvio.