domingo, 10 de janeiro de 2016

[leituras] Hippo eats Dwarf

Título: Hippo eats Dwarf
Autor: Alex Boese
Páginas: 277
Ano: 2006

Depois de Elephants on Acid me ter conquistado achei que valia a pena ler o segundo do mesmo senhor, com um título igualmente estranho: Hippo Eats Dwarf.

Se no primeiro víamos o efeito da curiosidade na mente humana retratada em experiências estranhas, aqui temos mitos, esquemas maléficos, mentiras chapadas, fraudes, enfim, coisas que não são bem o que parecem.

O livro vem dividido em vários capítulos, cada um com um tema. Vão desde os e-mails que temos de reencaminhar para recebermos dinheiro do Bill Gates, até à publicidade ou ao poster da Pequena Sereia com um palácio fálico.

É um livro que é muito divertido de ler, Alex Boese não só tem histórias engraçadas e situações bizarras para contar, também introduz um humor muito próprio que ainda torna o livro mais engraçado.

Para além disso mostra bem a quantidade de aldrabões que anda por aí, sejam de profissão ou só por entretém, mas o que é certo é que andam em todo o lado, a enganar o pessoal com todas a forças que têm. E muitos fazem a coisa bem feita. Nunca confiar em nada. Nunca!

No meio disto tudo o pior é que se formos a ver bem a realidade é sempre pior do que a ficção, e neste caso, até consegue ser pior do que nós próprios pensaríamos ser o pior. No fim de cada capítulo há "Reality Check" com perguntas de verdadeiro ou falso sobre coisas serem verdadeiras e falsas. Infelizmente houve umas poucas que eu pensei "Por favor que isto seja mentira."... e não era...


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

[series] Sherlock - The Abominable Bride


Eu acompanho demasiadas séries daquelas que deixam as pessoas viciadas. Quase todas, para falar verdade. Sherlock não podia faltar. Primeiro porque já eu gosto de Sherlock pelas mãos de Conan Doyle, depois porque esta adaptação com Benedict Cumberbatch e Martin Freeman é qualquer coisa.

Gatiss e Moffat fizeram-nos o favor de nos dar um docinho, antes de esperarmos mais um ano pela nova temporada de Sherlock. Porquê? Porque nós deixamos, e andamos aqui que nem malucos à espera de mais!

Intervalos de dois anos entre temporadas! Que depois só têm 3 episódios cada uma! É indecente. Mas mesmo assim nós cá andamos. E vale a pena, porque caramba, isto é muito bom!

Já tinha sido anunciado há uns tempos que este seria um episódio diferente, passado na época vitoriana, e seja lá qual for o motivo que lhe queiram dar, ter mais um episódio de Sherlock chama-me sempre a atenção.

Engraçado é ver que o episódio parece uma coisa, dá pistas sobre ser outra e depois acaba por ser honesto o suficiente para nos contar tudo, sem nos contar nada, o que dá uma gincana de situações estranhas em modo Sherlock.

Personagens vestidas a rigor - o Watson com bigode sem alguém a chatear o pobre homem - as mesmas caras já tão conhecidas mas com alguns retoques diferentes, digamos. Mais que não seja, ver um Mycroft em modo balofo a apostar com a própria vida é no mínimo inovador.

Mas base disto tudo é: eu já sei que os episódios de Sherlock não falham muito: o argumento é muito bom (também diga-se que têm mais do que tempo para ter isso tudo bem preparado) e a representação também nunca fica aquém com o elenco que reuniram na série.

O episódio é extremamente divertido, com momentos bastante dramáticos, loucuras de Sherlock, hábitos de Watson, espantos de Mrs. Hudson, surpresas de Mary e brilhantismos de Mycroft. Vejamos por onde quer que seja o episódio é muito bom, é mais um grande trabalho de uma grande equipa que realmente consegue manter séries num bom nível, com humor inteligente, com boa representação, com adaptações bem feitas e sem necessidade de estupidificantes. Havia tanta série a precisar de aprender qualquer coisinha...

Mas enfim, agora espera-se mais um ano. Já não há de demorar muito... São só 12 meses... É pouco... Não é?


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

[cinema] DragonHeart - Coração de Dragão


Dia 1 de Janeiro de manhã. Tempo antes de almoço sem fazer nada, um sofá, um encosto quentinho, vamos ver um filme. Procurando nas possibilidades existentes aparece um que desperta o interesse do meu encosto: Dragon Heart. Não, nunca vi, vamos lá ver o que é isso.

O filme acaba por ser bem interessante, aliás, a premissa é ainda mais do que isso: um dragão dá metade do seu coração para salvar alguém! Eu quero metade do coração de um dragão!!!

Mas enfim, claro que o vai dar a um puto mimado que mais merecia um valente par de estalos na cara que ainda nem tem a ver se cresce e ganha juízo. Mas pelos vistos no meio das características todas dos dragões, prever o futuro e/ou ver que aquilo era uma má ideia não está presente.

E é assim que um Rei com tendências de criar irritação à lá Joffrey desperdiça um poder muito maior do que alguma vez poderia imaginar.

O mentor desse mesmo rei, que andava a tentar por tudo que não se tornasse igual ao pai (que já de si era uma besta) vendo o pós operatório no moço e vendo que é uma cavalgadura põe culpas no dragão, em vez da má rez que era o raio do catraio (vá-se lá perceber porquê, mas enfim). E é assim que se inicia a demanda de um Caçador de Dragões, cujo objectivo é matá-los a todos. (Como é que alguém poderia querer fazer tal coisa? Ânsias...)

Até que só falta um dragão, mas é um dragão com uma lábia terrível, e um bom bocado mais inteligente do que os outros.

Já se vê o desenvolvimento do resto do filme. Não é propriamente uma história que tenha grandes twists, mas é uma história que vale pelo humor, pela maravilha de dragão que tem para nós - Sean Connery, you're the Man! - e pronto, embora a história seja sempre mais do mesmo não quer dizer que seja má. É é repetida, mas pronto.

É um bom filme, foi o primeiro filme do ano e valeu a pena! Não é genial mas é bem engraçado e passa-se um bom bocadinho!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

[leituras] Nos Limites do Infinito

Título: Nos Limites do Infinito
Autores: Ana Cristina Luiz, Ângelo Teodoro, João Rogaciano, Ricardo Dias, Rui Bastos, Yves Robert
Páginas: 56
Ano: 2015

O ano passado o primeiro livro do ano foi o 1984. Lembrou-me bem porque aproveitei a entrada em 2015 para pegar num dos livros que mais curiosidade tinha e que tinha tanto potencial para ser dos melhores livros que já tinha lido.

Este ano o critério foi diferente. Dia 19 de Dezembro fui ao lançamento do primeiro livro com um conto do meu namorado. É um livro pequenino mas com contos que tinham bastante potencial e que me mantinham na curiosidade. Que melhor maneira para começar o novo ano do que com um livro de alguém próximo?

E então lá li isto, e o livro tem contos interessantes, cada um com pontos fortes e fracos, e claro com alguns a conquistarem-me mais do que outros.

Primeiro as senhoras e Ana Cristina Luiz tinha-me deixado muito curiosa durante as apresentações. O conto Sorte ao Jogo é interessante, gostei imenso do ambiente criado, das descrições da taberna, da maneira como consegui visualizar realmente o espaço com todos aqueles retoques característicos. A história em si não é muito original, como já tinha noção pelo que foi sendo dito, mas ainda assim consegue ser engraçada. Achei que a escrita ainda tem algum caminho a ser percorrido, que podia ser mais cativante. De qualquer das formas, gostei do conto e como ponto forte destacaria mesmo a autenticidade do ambiente.

Depois Ângelo Teodoro, com a Pele de Penélope. Tinha ficado interessada com a justificação do título nas apresentações: seguindo o título da antologia e pensando no ser humano como alo infinito, a sua pele seria o seu limite! Esta ideia ficou-me na cabeça e realmente é bem apanhada. Acabei por ficar com pena que o conto não tenha nada a ver com isso. O conto em si até que é interessante, diferente e com uma ideia curiosa, não fiquei foi muito fã da escrita: bem trabalhada, bem pensada, mas com algumas comparações "literárias" que não encaixam no seguimento do que é contado e que não fazem falta à história. De qualquer das formas também gostei.

De seguido João Rogaciano, com Memórias de Teddy, e este foi dos contos que mais curiosidade tinha. Uma história sobre um verdadeiro Teddy, com pedigree e certificado, impecável. A história à lá Chuck, ou mais Anabelle até, é bem engraçada, é o tipo de história que gosto de ler. Talvez gostasse que a revelação bombástica fosse um bocadinho menos previsível, mas esta maneira de ir contando aos poucos e deixar na expectativa o ser ou não ser também funciona muito bem.

Ricardo Dias não esteve nas apresentações e portanto o conto dele era o que tinha menos de informação, ia completamente às cegas. E bolas, eu gostava de ter escrito isto! Um fantasma que aproveita a eternidade para ler finalmente a sua biblioteca? My kind of ghost! Gostei bastante da história, gostei da maneira como é contada embora me interessasse muito mais ler sobre aquele fim do que sobre o corpo da história...

Yves Robert traz-nos Entre Estações, um conto interessante, que me surpreendeu pela positiva e que me foi surpreendendo ao longo da leitura. Aqui, um bocadinho ao contrário do primeiro conto do livro, acho que faltou um bocadinho de autenticidade nas descrições. Consegui ver tudo o que deveria, espero eu, mas soava um bocadinho forçado. E este é um conto muito visual, por isso acaba por influenciar. De qualquer das formas é um conto muito interessante e gostei imenso do que foi feito com a ideia.

Rui Bastos é um autor que não suporto. É irritante, arrogante, não escreve nada de jeito e tem a mania.

Primeiro: é meu namorado e a minha opinião pode ser um bocadinho parcial. Segundo: mesmo sendo meu namorado já estou muito habituada a ler as coisas dele e a criticá-las, para o bem e para o mal. Terceiro: toda aquela descrição acima é mentira mas mais valia ser verdade para ele não se encher muito de vaidade, vá. O certo é que o conto dele já eu conhecia bem. Eu vi isto sem estar escrito, quando me foi contada a ideia. Vi o primeiro esboço disto, e vi umas poucas versões até chegar a esta. Acabei por ver uma evolução neste conto como poucos terão visto. E o que é fantástico é que desde que ele me contou a ideia base, de ter uma colina que piscava um olho, eu fiquei curiosa. A maneira como ele dizia aquilo tinha por ali mais qualquer coisa a maquinar. O certo é que estava longe de pensar que ficaria assim, longe de pensar que acabaria com uma muito mais que aranha a contar esta história. O conto ficou bom, a escrita não fica atrás - como é hábito, a história ficou original e cativante, e eu gosto imenso do resultado final.

Este é um passo para se afirmar como Esperança, não o seu eu feminino - que eu saiba - mas como um jovem autor que está a fazer o caminho certo para ser mais do que "mais um".

Não quero com isto minimizar qualquer dos outros contos, até porque como já disse alguns deles vão ficar certamente na minha memória e procurarei mais coisas dos autores, mas pronto, este moço tinha de ter um bocadinho de destaque, mas só desta vez.

Parabéns à Editorial Divergência, este livro é interessante, foi uma boa aposta nos autores, como tem sido, a edição é bastante bonita e espero pelas próximas edições que de certeza terão tanto trabalho e empenho como este que acabei de ler, seja pelo(s) autor(es), seja pela equipa de edição.

domingo, 3 de janeiro de 2016

[leituras] On Writing

Título: On Writing
Autor: Stephen King
Páginas: 297
Ano: 1999

Acho que isto me apareceu como recomendação do Goodreads e não fazia ideia que este livro seria o que depois descobri dele. Um livro sobre escrita pelo King, epah, porque não?

Mas agora de livro pegado vejo que é bem mais do que isso, e embora à cabeça me seja dito que não é uma biografia aprendi mais nesta não-biografia do que em muitas biografias.

E mais do que isso: este livro conquistou-me porque não parece um livro, não estou a ler um autor a escrever, estou a ler um homem, uma pessoa. Não tem aquele ar de entendido na coisa, não te aqueles maneirismos de autor, nada. É um tipo que fala sobre a sua vida, a influência que a escrita teve nela, e a evolução da própria escrita com a vida.

Se eu já gostava de King agora fiquei bem mais interessada. Seja pela autenticidade do livro, seja pela simplicidade, seja pela maneira curiosa como as histórias foram aparecendo na vida dele. Ver o processo de criação de um livro/história é sempre uma coisa que me fascina, e olhar para o Carrie, para o Misery e ver para além do que já li e sei deles é realmente magnífico.

Mais a mais este livro estava a ser escrito e foi interrompido porque o King ia morrendo com um acidente em que um camião o atropelou e deixou num estado lastimável. Também isto é contado ao pormenor na parte final do livro.

Pode-se apontar muitos defeitos ao King, sim, mas não consigo deixar de gostar das histórias dele, da própria fluidez da escrita dele e da envolvência que ele consegue dar à história que me cativa quase invariavelmente,

Portanto: sinto que eu, com os meus rabiscos que às vezes me fazem dizer que até escrevo, aprendi com este livro. Deu-me coisas para pensar, mexeu com os meus circuitos internos e fez-me aperceber de coisas que nunca tinha pensado. É um livro que funciona bem para quem quer conhecer melhor o homem e o autor que Stephen King é, e também para quem quer ver umas coisas de escrita. Não é um livro normal de "instrução sobre escrita", longe disso. Mas para quem juntar os dois critérios, como é o meu caso, é um livro realmente bom.

Escusado será dizer que vou ler mais King este ano. Ainda por cima recebi ainda há dias o Under the Dome. Esse, o The Stand e The Tommyknockers vão este ano,


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

[series] Danganronpa


Uma amiga minha disse para ver isto e eu vi que era pequenita e aproveitei para ver agora, sempre que me dava a preguiça para algo mais produtivo - acabou rápido portanto!

Eu não fazia ideia do que me esperava, não sabia a história, não sabia nada. Fui às cegas. E valeu a pena!

Esta anime basicamente é sobre uma espécie de escola, que está a ser comandada por um urso meio fofinho meio maléfico, onde se juntaram 15 alunos. O twist da coisa é que eles não poderão sair dali. A única maneira de o fazerem, e assim não passarem lá o resto da vida (entenda-se que isso era uma possibilidade embora não o objectivo) era matarem-se uns aos outros.

Basicamente, o objectivo é irem-se matando. De cada vez que um corpo fosse encontrado seria feito um julgamento e teriam de descobrir qual deles foi o assassino. Se o grupo acertasse, o assassino morria; se o grupo errasse, todo o grupo morria menos o assassino!

Divertido, não? Isto acaba por ter muitas voltas a cada episódio, muitas histórias não contadas que vão aparecendo aos poucos e isso mantém a coisa acesa. E depois há o sacana do Monobear que é o director daquilo tudo, digamos, que não é mais do que um urso meio robótico que rebenta quando alguém o tenta atacar e que é um grande apologista de sangue e mortes e tal. É uma jóia de moço, este.

Não estava a contar que fosse tão engraçado. As personagens são muito diferentes mas há umas poucas interessantes que acabam por dar imensa pica para ver o que vai acontecer a seguir.

Não é uma série genial mas é bem engraçada, uma surpresa bem positiva. Ainda por cima é pequenita, nem ocupa grande tempo! E mais que não seja o sacana do urso é um creepo de todo o tamanho! E depois há uma espécie de coelho gordo cor de rosa que só apareceu no fim a dizer que nos queria conhecer... Eu nem sei. É suposto haver novidades em 2016. Esperemos.


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

[leituras] O Longo Halloween II

Título: O Longo Halloween II
Argumento: Jeph Loeb
Desenho: Tim Sale
Páginas: 176
Ano: 2015

É bom não nos desapontarmos com os livros e foi exactamente o que aconteceu neste caso.

O primeiro não me ficou especialmente na memória e não achei nada de especial mas este segundo vale por si e pelo primeiro.

Ainda por mais eu tenho um fraquinho com os vilões do Batman, para mim são dos mais interessantes e com mais estilo. Não sei se é a aceitação da loucura em cada um deles, se será influência da minha paixão pelo Joker e pelo Arkham Asylum mas o certo é que os inimigos do morcego costumam ser tipos, ou tipas, a quem acho piada.

Calha bem que aqui vemos nascer um e ainda nos aparecem muitos dos outros reunidos e a serem loucos em conjunto. Não é bonito quando todos se conseguem dar bem?

O Batman passa por várias fases num caso que não é, de todo, fácil de resolver. Demora imenso tempo a resolvê-lo, mexem-lhe com os circuitos mais internos até não saber bem quem é ou o que faz, já não sabe em quem confiar e de quem desconfiar. Aqueles que hoje são amigos amanhã são inimigos, aqueles que parecem neutros afinal pendem bastante para um lado. 

É um livro cheio de twists que embora admita que muitos só resultam porque temos o contexto do primeiro volume acho que a diferença de um para outro é demasiado grande. Se não fosse a recomendação e a minha OCD de leitura, lendo o primeiro livro eu sei grandes dores de cabeça não pensaria em ler o segundo, e isso seria um claro erro. Dar um bocadinho de gás naquele primeiro tinha sido uma boa aposta, pelo menos para mim que não sou grande fã de história a construir muito e sem desenrolar nalguma coisa.

Mas bem, é um bom livro, o conjunto vale a pena, e embora não chegue aos calcanhares do Arkham Asylum é um dos melhores livros que li de Batman até hoje.