domingo, 26 de outubro de 2014

Blogger test

Eu não sou especialmente dada a tecnologias e nunca sei muito bem como reagir perante estas coisas de aplicações e programas e coisas afins. Geralmente o meu problema é instalá-las, depois a coisa nem corre muito mal. Mas o que se tem de instalar e onde e como e nem faço ideia. É chato, é confuso e acho sempre que vou fazer alguma coisa muito errada.

Agora mais recentemente, com o blog, fiquei de ver se a app do próprio blogger era alguma coisa de jeito, e até que nem é nada má. É mais futurista que o do pc, mais limpinho, o que eu aprecio bastante. 

Mas o importante daqui é que consegui! Mais um passo na minha aceitação de novas tecnologias. E mesmo isto começou a ser escrito na aplicação. Fantástico não é? Eu acho. 

Mas isto serve apenas de mote para o que quero realmente dizer: hoje em dia quase toda a gente tem um smartphone no bolso, um tablet, um computador, qualquer tipo de tecnologia mais avançada, bastante portátil em que se consegue fazer quase tudo.

O que me aconteceu a mim, e sei de alguns casos semelhantes, é que conseguem aproveitar essa mobilidade toda para escrever onde quer que seja. É mais por ser mais prático, tudo hoje em dia é digital, já não se entrega nada escrito à mão. Assim conseguimos ir fazendo as coisas sem ter de estar em casa, ou com um computador à frente. Dá jeito, esta geração wireless, eu confesso. Mas não que isto não fosse já feito: nada melhor do que um belo caderno e um lápis/caneta para escrever num jardim, na praia, onde quer que seja (e sem precisar de bateria, só de um afia talvez).

Eu por exemplo escrevo nos transportes, muitas das vezes as coisas para os blogs. É uma maneira de conseguir aproveitar melhor o tempo, conseguir adiantar serviço, que o tempo escasseia para tudo o que se quer fazer.

Eu pessoalmente continuo a preferir o meu caderninho, estrategicamente guardado na minha mesinha de cabeceira, já com lápis e borracha acoplados, para escrever as minhas ideias de contos e escritos afins. Mas o pc dá muito mais jeito, já fica tudo direitinho que se for para concorrer a algum lado ou para mostrar a alguém já não dá trabalho nenhum. Mas escrever à mão continua a dar-me mais pica do que com um teclado. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

[cinema] Os gatos não têm vertigens




Título: Os gatos não têm vertigens
Realização: António-Pedro Vasconcelos
Argumento: Tiago Santos
Elenco: Maria do Céu Guerra, João Jesus, Fernanda Serrano, Ricardo Carriço, Nicolau Breyner
Duração: 124 min
De vez em quando aparecem uns filmes que queremos ver sem saber muito bem porquê e com este Os gatos não tem vertigens aconteceu-me um pouco isso. 

Sabia que tinha a Maria do Céu Guerra, que não falha, e que envolvia algo num telhado ou algo de género. O resto era incógnita mas transformou-se numa bela surpresa.

Temos Jó, um rapaz abandonado pela mãe, com um pai bêbedo e sem grandes escrúpulos, no meio de um conjunto de amigos também eles sem grandes noções de educação. Roubam para ganhar mais uns trocos para tabaco e cervejas. 

Ao mesmo tempo temos Rosa, uma mulher já com uma certa idade que perdeu o marido há pouco tempo e cuja vida ainda gira em volta da presença que vê dele. Até que um dia, enquanto vai comprar tabaco, deixa a mala numa cadeira e o grupo de Jó rapidamente a rouba. 20 euros não e muito mas ainda levava a aliança do marido no porta-moedas. 

E é a partir deste ponto que as coisas acontecem. Junto na mala estavam as chaves de casa e a carteira com uma carta. Jó é posto fora de casa pelo próprio pai e lembra-se que tem maneira de entrar para uma casa. À entrada apanha o momento em que Rosa chega com a filha e esconde-se no terraço. Cheio de frio, deitado num sofá velho tem o telemóvel com som, o que leva Rosa a subir e encontrar um "inquilino" surpresa. A partir daqui começa uma amizade. Estranha, incomum mas acima de tudo tão bonita! O contacto de uma pessoa mais velhota com um jovem com uma vida muito conturbada, ambos em fases difíceis, torna-se uma dupla que resulta muito bem, uma velha louca e um gato perdido.

Rosa está sozinha, Jó nunca conheceu outra coisa que não fosse estar sozinho. A união dos dois parece estranhamente certa, encaixam bem. Mas entre confusões com a filha e genro de Rosa, os problemas com amigos do Jó, a escrita escondida deste rapaz muita coisa acontece em hora e meia de filme. E ainda bem!

Ao contrário do que muitos julgam, e do que muitos querem, o cinema português não está morto e muito menos decrépito! Antes pelo contrario, anda a mostrar o seu valor e a demonstrar que mesmo com todos os entraves que vão tendo as coisas fazem-se, e bem feitas!

Fiquei muito satisfeita com o que vi, com a qualidade demonstrada, o argumento é bom, muito português, com as nossas ruas de Lisboa, as figuras características que encontramos com alguma facilidade, os detalhes muito nossos na própria maneira de agir. É natural, é o dia a dia, olhando para a tela podíamos ver a nossa avó, a nossa vizinha, alguns conseguem ver-se a si próprios. 

A parte de elenco também foi muito bem apanhada, Maria do céu guerra a ser genial, como é, Ricardo Carriço a ser mau, muito mau, a dar ânsias a uma sala de cinema inteira, Nicolau Breyner a ser Nicolau Breyner, outro que não precisa de apresentações ou elogios. Nos actores mais novos João Jesus faz um bom papel, não conhecia a cara do moço mas parece-me que poderá ter potencial.

Mas acima disso tudo - e fala-se também disso pelo filme - que belas vistas que se tem em Lisboa! Aquele terraço é uma perdição!

Muito bom trabalho, um tempo de cinema muito bem passado! 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

[leituras] Crónicas Birmanesas



Título: Crónicas Birmanesas

Autor: Guy Delisle
Páginas: 272
Ano: 2007

Primeiro Pyongyang, depois Shenzhen agora Birmânia (Myanmar).

Num pequeno espaço de tempo li três livros deste Guy Delisle e estou mortinha por ler os próximos - Jerusalém anda por aí a chamar-me. E mais a mais vou ter estes livros nas minhas prateleiras, eventualmente, que além de serem interessantes, são bem desenhados, engraçados e bonitos (também é importante).

Mas bem, não tão chocante como o Pyongyang - acho que vai ser difícil bater aquilo - aqui ainda assim temos traços comuns. Não há uma perseguição tão intensiva, as pessoas são relativamente livres, mas claro que há censura e é fácil ler um jornal e faltarem páginas ou artigos lá pelo meio. Há coisas que é melhor que não se saiba.

Um exemplo simples é dado aqui: um colega do autor escreve um artigo sobre aquela região - descrevendo as coisas como elas são, e não como querem fazer passar para o comum mortal - e lá pelo meio mete uma foto de Guy, com o nome em legenda. Este, que dava umas aulas de bases de animação, rapidamente é avisado dos problemas que poderá trazer a um dos seus aprendizes, alguém que trabalha para o governo e que poderá ficar com a vida arruinada por estar associado a alguém presente num artigo que diz mal do país.

Lá está, aqui as pessoas não são completamente tapadas e não fingem que é tudo lindo e maravilhoso como na suposta imagem do país, aqui têm noção de que há problemas, camuflados para que se veja o mínimo possível, mas sabem que estão lá e não concordam com eles, têm de se resignar.

Talvez por isto estes livros me pareçam mais simples do que o primeiro, ali era uma realidade completamente alienígena para mim, demasiado estúpida para fazer sentido.

Mas enfim, aqui a história é diferente, até porque há um bebé pelo meio. O pequeno Louis, filho de Delisle, que encanta tudo por onde passa. Também acaba por mostrar outras realidades diferentes, a maneira de agir daquela cultura para com um bebé estrangeiro.

Mas se se diz que em Roma sê romana, em terra de monges... medita! E foi o que fez: um mini retiro de meditação, durante três dias, que parecem ter feito efeito e que me fizeram curiosidade para ver como será aquilo. Muito rigoroso mas até acredito que se consiga relaxar. Acho que o budismo é coisa para mim!

No meio disto tudo não me posso esquecer de que este senhor faz animação e por isso este trabalho está mito dentro da área dele. As imagens são bastante ilustrativas do que se passa - e neste livro temos fotos no fim que mostram a versão real do que já tinha visto no livro e sim senhor, belas adaptações - e têm piadas intrincsecas que ficam tão bem. Sei lá, ele precisava de tinta para desenhar e sabia que uma dada ia borrar: o quadrado a seguir vem borrado. Pequenos pormenores que só dão mais piada e força ao livro. Um trabalho muito bom!

Mas bem, estou fã deste Guy Delisle, no espaço de um mês ou pouco mais fez-me ler três livros, deu-me vontade de ler o resto, e guardar espaço nas estantes para quando os arranjar. É este tipo de autor que me dá trabalho, não é?



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

[leituras] Mistborn


Título: Mistborn - The Final Empire, The Well of Ascension, The Hero of Ages
Autor: Brandon Sanderson

Depois de já ter ouvido muito sobre esta trilogia decidi-me a lê-la! As expectativas foram deixadas muito altas, o que é sempre algo que não sou nada fã!

Mas bem, entrei num mundo ligeiramente diferente daquele que conhecemos. Mundo este onde cai cinza do céu. Onde há some kind of power que faz com que as pessoas consigam extrair habilidades dos metais: Allomancy. Outro capaz de armazenar e depois utilizar capacidades também em metais, Feruchemy. E ainda um terceiro tipo, Hemalurgy, este capaz de roubar, vá, as capacidades - de Allomancy ou Feruchemy ou outras - de outra pessoa.

Diferentes metais servem para diferentes coisas e há no caso da Allomancy diferentes pessoas que controlam um dos metais: Mistings. Depois há os lambões da festa: pessoas que conseguem controlar todos os metais: Mistborn.

Mas o mundo tem um ditador - Lord Ruler - que obriga os skaa (povo, de uma maneira geral) a trabalhar em condições desumanas e então mata-se o ditador! Tudo muitíssimo bem e eu aprovo mas depois as coisas só pioraram! Muito. De uma maneira ridícula.

E se isto começa tudo no primeiro livro com uma equipa liderada por Kelsier, com Breeze, com Clubs, com Spook, com Vin recém-chegada, no fim poucos sobram, embora haja aquisições novas lá pelo meio.

Um ponto muito forte, para mim, foi exactamente as personagens criadas nestes livros. São muito bem caracterizadas, quando lhes dão tempo para isso, evoluem de forma genial - aquele Spook foi provavelmente o mais hardcore do bando - e isso dá uma força imensa ao livro. A força das personagens nota-se, e não é pouco. A maneira como são mostrados, lidando com quem os rodeia mas também lidando consigo próprios em situações mais complicadas dá-nos um panorama muito completo e muito rico sobre cada um deles.

Embora os livros sejam de leitura fácil e não seja mega complicados a história tem muita coisa pelo meio, e fazendo apenas um apanhado geral não consigo, nem de perto nem de longe, comenta três livros destes em espaço e tempo útil. Envolve muita política, muitos confrontos de ideias, muitos sentimentos oprimidos, e muitas personagens completamente passadas da cabeça!

Mas temos o Kelsier, líder do bando de rebeldes, tem um ar muito bom e ajuda as pessoas e é bom moço, vá, ainda que queira matar o Lord Ruler. Não tem muito tempo de brilhar! Temos o Zane, Mistborn incompreendido e completamente maníaco que também não lhe dão grande tempo de respiração.

E uma das melhores personagens, das que mais gostei foi um ser estranho: TenSoon, um Kandra. Kandras são seres que comem outros, mortos, e assumem a sua forma. E este assume um papel especialmente importante, não só pela peculiaridade da raça, pela cultura ou pelas origens (que me deixara de boca aberta), mas esta personagem em específico tem uma relevância acrescida, é a partir dele que se descobre a maior parte das coisas importantes que levam à bodega toda que acontece. Além de que, e isto é importante, o seu humor de Kandra é awesome, quando se mete a falar em comer pessoas porque estão bem temperados fez-me parar um pouco a leitura para rir, a sério.

Por problemas logísticos acabei por ler os livros relativamente rápido mas com um espaçamento enorme entre o segundo e o terceiro. É uma falha, eu sei, mas não deu. Por isso ao fim de uns... 3 meses, acabei de ler estes três livros. Se formos a ver que cada um tem a volta de 600 páginas a coisa não vai muito mal. Mas li varias coisas pelo meio. Se lesse três livros em três meses tinha uma síncope.

Mas pegado no terceiro livro foi um sonho!

O primeiro e o segundo são bastante bons e gostei deles embora não me chegassem a cativar realmente. Os capítulos demasiado extensos, a historia sem grande acção. OK, tem acção, mas não do tipo que nos prende irremediavelmente ao livro. Ou pode prender mas não prendeu a mim. O primeiro tem o Kelsier que é awesome e temos a construção da história toda, no segundo temos mais política e mais personagens a aparecer - mais que não seja para substituir as que vão morrendo - mas ainda assim não chegou para mim. Ao contrário do terceiro. Capítulos mais pequenos, com mais coisas a acontecer, mais enleadas, novidades, surpresas. Acontece tudo em catadupa, é genial! Esse sim foi difícil de largar quando ia dormir ou quando não podia mesmo continuar a ler, os outros nem por isso.

Pode-se dizer que o terceiro não seria tão bom se os dois primeiros não tivessem sido assim. É bem provável, mas não sei ate que ponto precisavam mesmo de ser assim. Mas referir outra vez que embora o terceiro tenha sido, de longe, o melhor, eu gostei imenso dos outros. Só não os achei portentos literários capazes de me cativar devidamente.

E depois são calhamaços, livros com 600/700 paginas já são dignos desse nome, e alguns dos livros que se apanham assim tão grandes são meramente palha, palavras que enchem páginas e páginas e que não dizem nada. Aqui não notei isso, aqui havia historia, havia contextualização, havia enredo. Mas, ainda assim, havia partes que foram puxadas, não muitas nem a um nível muito exagerado mas houve e embora não tendo uma relevância louca para o resultado final tinha de por aqui a nota.

A escrita é sem dúvida muito boa, muito viciante, não é monótona e lê-se bastante bem. Parece-me que ainda tenho de ler mais coisas deste senhor - até porque parece que vêm aí mais coisas neste mundo. Mas daqui a uns tempos pego em mais qualquer coisinha que agora fiquei curiosa.

De referir apenas que o primeiro livro saiu há pouco tempo em português, pela Saída de Emergência e com uma edição bem jeitosa. Esta capa está qualquer coisa de especial, principalmente depois de já ter lido o livro.





domingo, 19 de outubro de 2014

Tanta coisa traduzida...

A ser completamente sincera aqui há tempos estava a planear aqui as coisas do blog e fui agendando para me organizar na escrita de coisas. Por essa alura houve coisas que deixei em rascunho só com o nome  e pouco mais. Imaginem qual foi um deles. O de hoje. E o melhor? Não faço ideia do que raio eu queria dizer quando criei um dos meus escritos como "Tanta coisa traduzida..."

Mas pensei: "Porque não? Aceito o desafio que me propus a mim própria e vou escrever qualquer coisa sobre isto. Chalenge accepted past-Jules!". E pronto, é a partir daqui que começa o que tenho mesmo para dizer e não a constatação de quão triste eu às vezes consigo ser.

Olhando para o meu lado direito consigo ver a minha biblioteca aqui a chamar-me e a ser perfeitinha. Mas é inevitável notar que a maior parte do que tenho aqui é de autores estrangeiros. Diga-se: faz algum sentido! O mundo é muito grande e nem todos os bons escritores são portugueses, temos cá alguns, vá. 

Mas se até há uns tempos apostava muito em ter tudo traduzido, por não me sentir completamente à vontade para ler em inglês, hoje já tenho uns poucos nessa língua. E até certo ponto porque acho tão melhor.

Há traduções boas e há traduções más, mas independentemente da competência do tradutor há sempre perdas daquilo que o autor escreveu para aquilo que depois lemos noutra língua. Não há muito a fazer quanto a isso.

Há tempos apanhei alguém que dizia que ia comprar Saramago em inglês e eu perguntei rapidamente "porque raio?". Um dos maiores autores que temos, um grande escritor que felizmente era e escrevia em português e vamos perder parte dessa escrita na tradução? Não, não... 

Eu só poderei lei coisas na forma original se em português ou inglês - e se o inglês for mais arcaico já pode dar problemas, ainda assim - mas tenho imensa pena disso.

Há piadas, há trocadilhos, há simplesmente beleza na escrita que se perde. Pode ser feito um muito bom trabalho e ainda assim a maior parte dessas coisas não se conseguem passar. Depois isto dá discussão: até que ponto é que os leitores depois aceitam as perdas? É que há formas de minimizar estes males, uma notinha do tradutor em rodapé às vezes faz maravilhas, sem estragar nada.  

Eu já apanhei traduções boas, já apanhei traduções muito muito más! É preciso ter um tacto muito grande para traduzir coisas. É preciso ter alguma compreensão e tolerância quando se compara o original com o traduzido. Ainda assim há livros que são tão bons que nem as traduções os estragam. E abençoados!




sexta-feira, 17 de outubro de 2014

[cinema] Ponyo


Título: Ponyo
Realização: Hayao Miyazaki
Argumento: Hayao Miyazaki
Duração: 101 min


Já que tenho aqui este cantinho dedicado às minhas pancas cinematográficas decidi que o vou aproveitar para ver mais uns filmezinhos e nada melhor do que começar com acabar de ver os filmes de Miyazaki! Ainda só vi uns 3 ou 4 e gostei imenso de todos embora ainda nenhum tenha batido o primeiro (Viagem de Chihiro). Vou aproveitar para os ver a todos, revendo aqueles que já vi, e assim ficam com todos aqui.

O primeiro que quis ver foi este Ponyo. Já sabia que era um filme mais infantil, mais sossegadinho mas continua na mesma onde de estranho que Miyazaki nos habituou.  

Continuamos, como sempre com a componente ecológica, com a pobre Ponyo a ficar presa num jarro de vidro e é assim que conhece Sosuke. O moço fica todo contente por ter arranjado um peixinho mas estaria longe de saber que ondas viriam atrás dele para lho roubar. E sim, ondas. Porque o suposto pai da Ponyo vive debaixo de água, tem umas poucas de filhas iguais a Ponyo e para além disso tudo consegue controlar o mar e dar-lhe vida e ordens, não sei. 

Porque há coisas que não se questionam, é muito do que se aprende aqui. Se não vejamos: Sosuke apanhou um peixe, que fugiu, e depois voltou, a correr em cima de um peixe gigante feito de água que perseguia o carro. E agora é uma menina. Qual é a reacção da mãe do Sosuke quando se depara com isto? "Ora, isto está tudo muito certo, vamos então para dentro secar-nos e beber qualquer coisinha quente." Seria a minha reacção também, se o peixe do meu filho voltasse em forma humana e viesse jantar connosco. Nada de novo numa situação destas.

No meio disto tudo o filme é adorável. É estranho - como seria de esperar - mas é tão profundamente bonzinho e querido que não se torna um lamechas irritante, torna-se só fofo! É realmente um filme mais infantil, mais calmo e amoroso e ainda assim uma hora e meia bem passada!

E neste caso quero deixar uma nota diferente: um obrigado à fan fiction que já apanhei por aí. Sendo este um filme tão querido, com personagens tão simpáticas e cativantes o que já apanhei de fan fiction é tão puramente fofo! As imagens de Sosuke e Ponyo mais velhos são simplesmente amorosas, com Ponyo a ser uma menina lindissima - que continua a pendurar-se nele e a roubar-lhe o fiambre! - com o seu cabelo ruivo e o Sosuke a fazer-se um homenzinho mas com o mesmo ar doce que nos mostraram. Ficaram trabalhos bonitos e eu cá gostei imenso da maior parte deles. 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

[leituras] Shenzhen


Título: Shenzhen - Uma viagem à China
Autor: Guy Delisle
Páginas: 150


Depois de ter lido o Pyongyang deste mesmo autor deparei-me com este Shenzhen e se o primeiro teve um efeito tão estranho mas de alguma maneira forte em mim achei que devia ver o que Delisle me traria, desta vez da China.

Desta vez a coisa não foi tão brusca, tão má, vá. Se bem que a fasquia estava muito alta. A China não parece assim tão má se compararmos com a Coreia do Norte, não sei bem o que pensar disso.

Ainda assim a estadia por terras chinesas não foi assim tão má, eles são estranhos, meio máquinas que parecem não perceber o que um ocidental que que façam mas nada que não se tenha visto no outro livro e que talvez até viesse da própria cultura de animação oriental / ocidental.

A única coisa que realmente não tinha noção e fica bem explícito neste livro é: "A China tem a reputação de ser o país mais sujo do mundo.". Não sabia, e se calhar preferia não saber mas agora não tenho escapatória, não é?

Deixo-vos com um excerto que acho importante de referir:

"Quando eu cago aqui na China, há um odor que deve estar relacionado com o que eu como. O arroz? Provavelmente, não consigo pensar em outra coisa. Em nenhuma outra parte eu senti isso. É muito forte, ataca o nariz como os esgotos no verão. Eu acho que cada pavo deve ter um cheiro de merda diferente. E isso também é cultura."

Depois disto acho que não há muito a dizer. Vou ver se leio os outros livros de Delisle que nos dão uma perspectiva diferente de alguns países que eu ainda não conheço. Releiam o excerto e pensem bem antes de ir à China.