segunda-feira, 30 de novembro de 2015

[leituras] O Homem que Mordeu o Cão - Os Clássicos

Título: O Homem que Mordeu o Cão - Os Clássicos
Autor: Nuno Markl
Páginas: 334
Ano: 2015

Eu tenho de confessar que tenho grande admiração e apreço pelo autor deste livro. Não o conheço, falei com ele uma vez, no lançamento deste livro, mas é daqueles tipos que vejo e ouço e leio e fico a pensar "Eu gostava de me dar com ele.".

Porque é das poucas pessoas "famosas" que vejo a defender muito daquilo que também defendo e prezo nesta bola azul onde vivemos. Defende as causas em que acredita, é um nerd do catano, não tem vergonhas de mostrar aquilo que gosta e acima de tudo, algumas coisas que são tão raras, como a capacidade de assumir que não se sabe tudo e que em dadas situações só podemos ver as coisas até um ponto, e a capacidade de reconhecer quando erra. Esta última então é cada vez mais difícil de se encontrar.

E digo tudo isto do que vou vendo, seja nas redes sociais, seja nas milhentas coisas que este homem faz. Não o conheço, pois não, mas gostava.

E por isso quando vi que o Colombo ia ter o lançamento deste novo livro do HQMC não tive de pensar muito para marcar na agenda. O livro já estava nos planos de ser comprado, poder encontrar o autor e levar um rasbiquito na primeira página era um bónus.

E lá fomos, eu e o meu namorado, ver um lançamento divertido, descontraído (Nuno Markl, Ricardo Araújo Pereira, Vanda Miranda e Vasco Palmeirim) onde rimos muito e no fim lá fomos para a fila para receber um autógrafo.

E depois fui para casa, ler o dito do livro dos Enormes Seios. E isto é um livro óptimo para ler na cama, ao fim do dia, antes de dormir. Rimos um bocado, comentamos umas coisas (tamanhas são as alarvidades e burrices que por lá andam) e é levezinho o suficiente para o lermos cansados mas que no fim nos deixa a nós próprios de cérebro mais sossegado e descansado prontinho para ir dormir.

Não é que a versão de ser um bom livro de casa de banho esteja refutada, antes pelo contrário. Também é bem bom, uma pessoa distrai-se e como são histórias curtas ocupa o tempo certo da necessidade em questão.

É um livro para rir, para descontrair e para ver que realmente até eu, que poucos mais anos tenho do que o HQMC, noto que há uma boa evolução do Markl de há uns anos para cá. Os anos fizeram-lhe bem, o humor melhorou mas o espírito nerd e destrambelhado - como eu o percebo - mantêm-se.


domingo, 29 de novembro de 2015

[leituras] Crónicas Marcianas

Título: Crónicas Marcianas
Autor: Ray Bradbury
Páginas: 190
Ano: 1950

Este livro não era tipo 1984 que de estava sempre no topo da lista para ler mas nunca acabava lido. Este nunca me lembrava dele. Quando me falavam do livro, ou quando o via, aí sim, vinha uma coisa das maiores profundezas do meu ser a dizer que tinha de o ler. 

Já não precisarei de me esquecer e/ou lembrar mais vez nenhuma que desta é que foi. 

E realmente isto é um belo dum livro!

São pequenas crónicas, em diferentes tempos e com diferentes pessoas, de gente em Marte. Os marcianos a fazerem a sua vidinha, e os terráquios que começam a ir explorar o planeta com ideias de ficarem por lá a viver. 

E vemos a evolução de dois povos, o contraste da vida da Terra com a vida em Marte e de forma muito interessante, e bizarra ao mesmo tempo, a fragilidade humana.

Ao pesquisar um bocadinho sobre o livro encontrei várias pessoas, leitores recentes, que criticavam o livro dizendo que as ideias que continha tinham pouco de originais e menos ainda de interessantes. Eu só consigo discordar. Este é um livro com alguma coisa de especial, de intrinsecamente bom.

Seja porque os humanos caem que nem tordos, seja porque os marcianos são espertos e brincam connosco como bonequinhos, e mais a mais, numa estrutura em que não temos um contínuo, mas sim uma história contada por partes, o livro fica ainda mais interessante, mais cativante e quando chega ao fim fica-se com pena.

"Bradbury não falha!" e é bem verdade. Esta escrita é fabulosa e tem em mim aquele efeito que tanto se fala de viajar dentro de um livro. Cativa, envolve e durante o tempo em que o leio não estou cá, estou em Marte ou onde quer que seja.

Só tenho pena de ter sido a primeira vez que li isto, porque cheira-me que vai ser relido várias vezes, para apanhar detalhes que me escaparam agora, e para apreciar outra vez esta obra. Daqui a um aninho, ou assim!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

[cinema] The Incredibles

IMDB

Duração: 115 min
Ano: 2004

Trailer

É incrível, eu sei, mas nunca tinha visto o filme dos Incredibles.

E agora que vi já percebo o porquê de dizerem que isto é um filme espectacular.

Primeiro, finalmente já tenho contexto para todas as imagens que a internet me mostra quase diariamente do "Coincidence? I think not!". Se já gostava dessa frase agora então é uma das minhas preferidas!

Depois ter uma família que por nome já são Incríveis, dá algum gosto. E é engraçado de ver, porque os super heróis aqui passaram de bestiais a besta e estas pobres pessoas têm de viver vidas normais, escondendo os seus poderes, para poderem criar a sua família sem serem perseguidos.

Mas é fácil de ver que há muito potencial para dar asneira: um homem com uma força descomunal, uma mulher elásticas, um miúdo arraçado de Flash, uma adolescente com tendências emo e que consegue criar campos de força do nada, e no meio disto tudo um bebé que ainda nem sequer se sabe o que pode vir a fazer.

O filme é muito divertido, tem aqueles momentos que para as crianças não é nada mas que para um adulto dá um passo em frente - ver filmes para crianças dá sempre nisso! - mas de uma forma geral é um filme bom, com personagens bem construídas e que nos conquistam assim que entram no ecrã e sem dúvida que vale a pena ver isto com atenção!

Quando sair o segundo já posso ver logo! Yay!



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

[leituras] Mensagem

Título: Mensagem
Autor: Fernando Pessoa
Páginas: 96
Ano: 1934

Eu gosto de Fernando Pessoa. Gosto de muitos dos textos que escreveu, gosto do génio que ele era mesmo no meio de uma grande dose de esquizofrenia.

Agora, da Mensagem confesso que só tinha lido os textos como isolados e não no livro. E não tinham sido todos. Agora pegando nisto e lendo... Não me chama grande coisa, não.

Há uma tentativa clara de fazer aqui uma obra histórica com muitos dos episódios marcantes na história de Portugal e muitas das personagens que ajudaram para a nossa grandeza perdida.

Mas o que é que hei-de fazer, são poemas pouco interessantes que mais juntam umas palavras que rimam do que propriamente contam alguma coisa ou têm algum tipo de beleza intrínseca ao jogo de palavras. Há algumas passagens realmente boas, sim, mas são poucas e não chegam para salvar o todo.

Portanto, Sr. Pessoa, coisas muito boas, sim senhor, textos que gosto realmente de ler e que valem a pena. A Mensagem, deixemos fazer uma pré-selecção de alguns pedacinhos e o resto não vale muito a pena, não...

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

[leituras] Black River


Título: Black River

Autor: Josh Simmons
Páginas: 112
Ano: 2015

Mais uma BD escolhida de forma aleatória porque, pronto, eu gosto de BD.

Num mundo apocalíptico há grupos de pessoas que vão sobrevivendo como podem, andando de terra em terra, com um factor de sobrenatural nunca bem explicado mas que paira e intervém de vez em quando. 

As coisas às vezes são só estranhas e não se percebe de onde aparecem - como quando alguém num bar vai ao palco matar o humorista que lá estava, e isso é um evento banal do dia a dia.

Para começar as ilustrações são fantásticas, preto e branco mas ilustrações impecáveis, realmente muito boas. A história consegue ser estranha, consegue ser bruta, consegue ser adorável, consegue ser triste, eu nem sei, consegue ser tanta coisa que no fim acaba por ser essencialmente confusa. 

Para mim foi um livro um pouco complicado, porque no meio destas peripécias todas acabamos numa situação em que um grupo tem o outro prisioneiro e as mulheres são usadas e abusadas como os lhes der bem na telha.

É uma situação são puramente má e podre da espécie humana, que infelizmente sabemos que não é só na ficção que acontece, com morte gratuita e sem sentido, com abuso da condição humana ao máximo... 

É um livro que não é fácil de ler, porque às vezes tem passagens que não compreendemos de onde vêem e também porque é preciso ter algum estômago para ver muitas das cenas que aparecem, seja morte, tortura, violações ou situações de destratar completamente quem quer que seja que esteja à volta.

Não posso dizer que tenha sido um livro de que tenha gostado especialmente, gostei muito da arte, gostei de algumas passagens da história, é uma história que marca um bocadinho mas que está bem conseguida, bem pensada e moderadamente bem concretizada.

domingo, 22 de novembro de 2015

[leituras] Living Will (#2)


Título: Living Will (#2)
Argumento: André Oliveira
Desenho: Joana Afonso
Páginas: 16
Ano: 2014

Estou tão contente por andar a ler estes mini livros. É uma óptima surpresa encontrar coisas neste formato, que tem tudo para ser muito bom e vendível, e depois o conteúdo é realmente bom! Habemus cenas porreiras!

O primeiro deixou-me muito curiosa e com uma nesga de algo que podia ser muito bom. Este segundo, embora tenha achado mais fraquito que o primeiro, continua no mesmo bom trabalho.

Como alguém muito sábio comentou comigo, quando a falar destes livros, tenho pena que sejam em inglês. Até porque soa forçado, ou seja, as falas e os comportamentos e situações soam a portuguesas, mas depois a língua está desfasada. 

Mas independentemente disso eu estou a gostar de ver o que aqui anda. Este #2 foi mais calmo, foi diferente mas continuou a cativar-me e a deixar-me interessada do início ao fim - ok, o livro só tem 16 páginas, mas quantos não li já que na primeira já estou com vontade de o largar.

Ainda faltam 5 para ver esta saga completa e conhecer a história toda mas sem dúvida que estou mortinha por saber o que ainda me espera. Um conceito que funciona tão bem por ter as pessoas que tem. O André Oliveira tem aqui uma história muito boa e a ser bem contada e a Joana Afonso tem ilustrações espectaculares que valem toda a pena de serem vistas.

Continuo a adorar as cores! Estão fantásticas e tornam o livro tão mais giro e interessante. E pronto, é isto, vou ler o terceiro e já digo mais umas coisas daqui a uns tempos! 

(Por favor, não descambem! I have faith in you!)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

[cinema] The Cabinet of Doctor Caligari

Título: The Cabinet of Dr. Caligari
Realização: Robert Wiene
Argumento: Carl Mayer, Hans Janowitz
Elenco: Werner Krauss, Conrad Veidt, Friedrich Feher
Duração: 78 min
Ano: 1920
IMDB

Trailer

Boas recomendações para este filme, uma história estranho-curiosa e férias! É uma boa junção para ver um filme. Pena que já foi há uns tempos, essa última condição já era renovada.

Tantos anos depois (isto já é de 1920, acho que nem tinha visto um filme tão antigo) e a imagem é bem mais bonita e interessante que muitos filmes feitos hoje em dia! Um expressionismo muito vincado que dá uma força gigante a todo o filme. Um homem de aspecto estranho e mestre em hipnose, que controla o que deve ser o sonâmbulo mais mal encarado do cinema. Olhos muito fundos, imagem muito vampiresca, magreza extrema e olhar sempre esgazeado, fazem dele uma boa pessoa para não encontrar à noite numa rua escondida.

Mas um sonâmbulo que adivinha o futuro. Uns cenários com sombras e luzes desenhadas nas paredes já de si tortas e retorcidas. Tudo junto cria o ambiente ainda mais louco do que aquele que a história nos obriga.

A maneira de agir e de pensar de todas as personagens envolvidas quando postas em contacto com crime, loucura, amor, mistério, impossíveis, é muito directo e dramático, ao bom estilo cinematográfico da altura - e diga-se que doutra forma nunca teria tanta piada, ou até se lhe juntassem cor e/ou falas. Assim levou tudo com uma hipérbole em cima e as coisas têm de se desenrolar dessa maneira, e para quem vê o resultado é incrível.

Isto é um filme que toda a gente que gosta de cinema devia ver. Uma forma de contar uma história muito diferente do que é normal, de tal forma que nos obriga a nós, como espectadores a ver o filme de forma diferente, a analisá-lo de forma diferente.

O filme é estupidamente bom, as brincadeiras de imagem para nos transmitir várias mensagens diferentes é só genial e tenho pena que este malabarismo que se via muito no cinema antigo, agora já não exista. Sim, já não precisamos de por tudo no cenário ou nos gestos dos actores, eles agora falam e cantam e o cenário consegue ser ajustado para fazer tudo aquilo que queiramos, mas com essas evoluções e facilitismos todos houve muito do que era autêntico que se perdeu, e isso é uma coisa que tenho imensa pena.

Depois, em cima disto tudo, um misto de loucura e sanidade que nunca sabemos bem em quem podemos identificar qualquer uma das duas. Se quem tenta fazer coisas com este tema fizesse metade do que está neste filme as coisas eram muito mais interessantes...

Resultado, um grande filme, grandes representações dos actores envolvidos, um trabalho de realização absolutamente genial, e se calhar dedico-me ao cinema clássico, anos 20/30. Aquilo tinha mais interesse do que a maior parte das coisas que vejo a sair...