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domingo, 29 de novembro de 2015

[leituras] Crónicas Marcianas

Título: Crónicas Marcianas
Autor: Ray Bradbury
Páginas: 190
Ano: 1950

Este livro não era tipo 1984 que de estava sempre no topo da lista para ler mas nunca acabava lido. Este nunca me lembrava dele. Quando me falavam do livro, ou quando o via, aí sim, vinha uma coisa das maiores profundezas do meu ser a dizer que tinha de o ler. 

Já não precisarei de me esquecer e/ou lembrar mais vez nenhuma que desta é que foi. 

E realmente isto é um belo dum livro!

São pequenas crónicas, em diferentes tempos e com diferentes pessoas, de gente em Marte. Os marcianos a fazerem a sua vidinha, e os terráquios que começam a ir explorar o planeta com ideias de ficarem por lá a viver. 

E vemos a evolução de dois povos, o contraste da vida da Terra com a vida em Marte e de forma muito interessante, e bizarra ao mesmo tempo, a fragilidade humana.

Ao pesquisar um bocadinho sobre o livro encontrei várias pessoas, leitores recentes, que criticavam o livro dizendo que as ideias que continha tinham pouco de originais e menos ainda de interessantes. Eu só consigo discordar. Este é um livro com alguma coisa de especial, de intrinsecamente bom.

Seja porque os humanos caem que nem tordos, seja porque os marcianos são espertos e brincam connosco como bonequinhos, e mais a mais, numa estrutura em que não temos um contínuo, mas sim uma história contada por partes, o livro fica ainda mais interessante, mais cativante e quando chega ao fim fica-se com pena.

"Bradbury não falha!" e é bem verdade. Esta escrita é fabulosa e tem em mim aquele efeito que tanto se fala de viajar dentro de um livro. Cativa, envolve e durante o tempo em que o leio não estou cá, estou em Marte ou onde quer que seja.

Só tenho pena de ter sido a primeira vez que li isto, porque cheira-me que vai ser relido várias vezes, para apanhar detalhes que me escaparam agora, e para apreciar outra vez esta obra. Daqui a um aninho, ou assim!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

[leituras] Fahrenheit 451

Título: Fahrenheit 451
Autor: Ray Bradbury
Tradução: Mário Henrique Leiria
Páginas: 159 
Ano: 1953

Eu tenho alguns pormenores muito sensíveis com os quais a mais ínfima faísca me faz saltar. Uma das coisas com que sou imenso assim é com os meus livros. São os "My Precious!" e é para serem tratados nas palminhas. Ver um livro maltratado dá-me dor física. Dá mesmo. 

Agora porque raio de lógica é que eu com essa minha condição me meto a ler um livro onde os livros estão abolidos e - PIOR!!!! - são queimados se descobertos. Sabem o que é o título do livro? Logo na primeira página não nos deixam margem para dúvidas:

"Fahrenheit 451 - a temperatura a que um livro se inflama e consome..."

Eu leio tudo, as coisas mais estranhas que existirem. Eu já li Sade, já li David Soares, já li Lovecraft, já li tanta coisa que é considerado estranho, demasiado estranho, horrível, nojento, sangrento, o que queiram... mas livros a arder? Isto é  pior que podem fazer à minha pobre alma. Sou uma só, não mereço tanto castigo.

E depois como se ainda não chegasse o livro é estupidamente bom! Damn you, Bradbury...

Enfim, num mundo em que o contacto social é especialmente interessante transformando a nossa casa em quatro paredes forradas a televisores 3D que dão uma sensação de estar noutro sitio com outras pessoas e onde não se pensa mais do que o que fazer para jantar claro que os livros são mal vistos. São sempre os livros que vão primeiro, coitadinhos dos meus meninos.

Mas enfim, os bombeiros que em tempos tinham sido utilizados para apagar fogos agora tinham novas funções: as casas são completamente ignífugas e portanto já não há incêndios... tirando os que os bombeiros causam, para queimar livros...  Estas coisas fazem curto circuito entre o Tico e o Teco. Enfim...

Depois o livro é pequeno, a história é interessante, a escrita é bonita, trabalhada - por vezes até um pouco mais trabalhada do que estaria a contar - mas desliza muito bem. Eu numa altura em que ando com pouco tempo li isto em dia e meio. E mais houvesse mais leria que isto é realmente bom e interessante.

Entramos dentro da cabeço de um bombeiro que tem a infelicidade de conhecer alguém de acende uma luzinha no cérebro dele e incita ao pensamento. Se isso já nem no nosso mundo actual é muito bem visto neste é realmente um problema, principalmente numa cabeça de um bombeiro, cuja missão é exactamente queimar livros e combater qualquer possibilidade de pensamento que possa haver.

Está muito bem escrito, envolve o leitor de uma maneira incrível e a ideia por trás disto tudo é só ridículamente interessante (e perigosa e triste e horrível e sei lá mais o quê).

Fiquei com o bichinho de ler mais Bradbury. Acho que não tenho mais nada na lista de 2015 - a qual tenho de ver se sigo mais à risca - mas vou deixar a notinha de que Bradbury está aqui a picar-me a orelha. Ainda por cima tenho ali umas coisa... Ah, livros, dão-me cabo do juízo.. Mas ai de quem pense sequer em queimá-los!