quarta-feira, 19 de novembro de 2014

[leituras] Hábito faz o Monstro



Título: Hábito faz o Monstro
Autor: Lucas Almeida
Páginas: 104


Se as vezes pergunto porque é que as pessoas que me conhecem dizem que não sou muito boa da cabeça, as vezes pergunto-me como e que eu posso ter dúvidas quanto a essa matéria. Se há coisa que não resisto quando estou a ver BD e a Chili com carne. Coisas estranhas, coisas muito estranhas, livros aparentemente aleatório mas onde eu vejo potencial e muitas das vezes descubro artistas com bastante qualidade - embora muitos sejam demasiado abstractos para o meu entendimento.

Aqui a mensagem principal que eu tirei foi: se não fizeres a barba tornas-te num macaco! E eu achei importante para a minha vida e terei em muita conta de hoje em diante.

O livro transpira Chili com carne, com as ilustrações a preto e branco, as páginas cheias de gatafunhos não definidos, com historias que do início ao fim nunca chegamos a ver sentido, e no meio de tudo isso ainda retirar alguma coisa de útil dos últimos minutos em que estivemos a ler.

Desta vez não temos uma imensa quantidade de pessoas a trabalhar, só um Lucas Almeida a solo mas que representa muito bem o espírito habitual.

Eu gosto da liberdade que existe nestes livros, e neste a coisa não é diferente: não é preciso que sejam aqueles desenhos limpinhos e bonitinhos, não precisam de ser "normais". Daí o eu dizer sempre que parecem mantas de retalhas, aquelas páginas de rascunhos onde se testam coisas que muitas das vezes não poderiam dar "em nada" e que assim têm o seu lugar ao sol! Eu continuo a gostar de ver e fico sempre à espera de daqui a uns tempos ver estas coisas evoluírem para algo mais, para uma história mais composta, trabalhos mais complexos, não sei. Vou ficar à espera para ver o que estes artistas ainda terão para dar!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

[leituras] The LisbonStudio (#1)



Título: The Lisbon Studio
Autor: Ana Freitas, Ana Oliveira, Frederico Sá, Guilherme Cartaxo, Joana Toste, João Tércio, Jorge Coelho, Nuno Duarte, Patrícia Furtado, Pepedelrey, Pedro Potier, Ricardo Cabral, Ricardo Tércio, Ricardo Venâncio, Rui Lacas, Sara Barbas, Sérgio Duque, Tiago Tavares
Páginas: 115

Da minha última leva de bd's apanhei algumas coisas diferentes. Esta é uma delas. Não é propriamente BD, é mais um mostruário do trabalho de alguns artistas - alguns que pela amostra serão bastante bons - que trabalham num estúdio "algures entre os Anjos e a Estefânia". Pelo que eu percebo este é um grupo dinâmico e criativo de onde saem coisas bastante interessantes. Vendo no próprio blog deles conseguimos perceber que há várias edições desta revista, eu tive a sorte de encontrar esta #1 o que a torna ainda mais interessante.

Eles próprios se apresentam como "criativos independentes" e eu confesso que gostei do que vi. Temos coisas um pouco de todos os estilos, cada um tem uma marca pessoal, e em várias áreas: texto, desenhos, montagens, fotografia.

Foi bastante interessante ver este trabalho, ver a qualidade que este grupo tem - eu pelo menos gostei da grande maioria do que apanhei aqui - e como é bom ainda haver grupos de "carolas", deixem-me tratá-los assim, que ainda se mexem e metem coisas a acontecer. Da minha parte: Muito Obrigada!

Alguns dos nomes que por aqui andam são-me conhecidos de outras paragens e foi engraçado ver algumas coisas mais "fora de contexto", até porque tudo isto tem um ar divertido, engraçado, de gozo quase, parece que estamos no meio de uma piada qualquer, embora não as percebamos.

Gostei imenso desta revista, é mais um projecto engraçado que tenho pena que não seja mais divulgado. Eu continuarei a acompanhar, de certeza.

domingo, 16 de novembro de 2014

Eventos ad aeternum

Felizmente desde que entrei para a faculdade entrei num mundo novo! Porquê? Não vou pela parte do curso e do que isso implica, agora ou no futuro, mas sim pela parte das pessoas que conheci e de como isso foi interessante.

Verdade é que chegada à faculdade tive um choque enorme quando me apercebi que as pessoas que ali estavam eram mais como eu, ou seja, mais geeks e nerds do que qualquer típico mortal dos que trato por amigos.

Em que é que isso mudou a minha vida? Em milhentas coisas! Mas aquela que me levou a esta introdução meia maricas é: a quantidade de coisas que comecei a descobrir!

Não foram só livros, autores, séries, filmes, realizadores mas também eventos, blogs, sites, festivais, tanta coisa e eu sei estar por dentro. Anos desperdiçados! Ou não, depende da perspectiva. Sempre apanho todo este mundo com uma bagagem um bocadinho maior e que agora é construída de forma um bocadinho mais sólida.

Seja o meu querido e aguardado MotelX, seja o recém acabado - hoje mesmo - Fórum Fantástico (até para o ano, lá nos encontraremos novamente!) há coisas que já fazem parte do meu calendário anual e que não tenciono perder uma edição, seja pelo que for.

E é assim que há sempre alguma coisa marcada no meu calendário para os próximos anos, nem sei onde vou estar nem como, isso é completamente irrelevante, o certo é que pelo menos esses dois são mais do que certos. E a Feira do Livro. E os anos em que há uma mini Feira Popular no Natal. E agora não me lembro de mais porque alguns ainda não experimentei por espaço ou tempo.

MAS o essencial é: há coisas a acontecer a toda a hora, muita coisa se começa e não perdura mas outras estão cá todos os anos, às vezes muito a pulso dos ditos "carolas" que têm paixão por alguma coisa. E ainda bem. São esses os mais naturais, os mais autênticos. Para mim são os que têm mais piada e nos dão realmente alguma coisa a mais do que quando vamos para lá.

Os três exemplos que dei são bastante diferentes uns dos outros, em objectivos, em público, em organização, mas são coisas que não tenciono faltar. Pode ser só um filme, só dar uma passagem pelo Parque Eduardo Sétimo (umas 8 voltas para ver tudo) ou ir a um dos painéis sobre fantástico mas todos me fascinam e me deixam ansiosa por aquela altura do ano. E que não acabem. E que comecem mais. Ou não, assim estes são mais especiais! :)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

[cinema] Tonari no Totoro



Título: Tonari no Totoro
Realização: Hayao Miyazaki
Argumento: Hayao Miyazaki
Ano: 1988
Duração: 86 min

Trailer


Para continuar a minha demando por mundos Ghibli chegou a vez de me dar a conhecer a Totoro.

É provavelmente a criatura mais Miyazaki reconhecida e embora também a reconhecesse e até soubesse mais ou menos quem era só agora vi o filme.

E em seis ou sete filmes vistos de Miyazaki ainda nenhum falhou. Desta vez uma família muda de casa, uma casa grande numa região de campo com muito terreno e muito verde à volta. Pai e filhas vão-se instalando e adaptando à nova casa enquanto aguardam que a mãe melhore para sair do hospital.

As duas meninas são adoráveis, bem educadas e felizes, e nas suas explorações pelas matas que rodeiam a sua casa acabam por encontrar Totoro, um espírito da floresta, que pouco mais é, quando o conhecemos, que um bicho enorme, peludo e fofinho, com uma sonolência imbatível. Mais tarde descobrem que é um dos espíritos da floresta o que as deixa mortinhas de felicidade.

O mais curioso para mim neste ser é a maneira de agir. Ou seja, quando vemos um filme de animação da Disney as coisas são todas coloridas e fofinhas e delico-doces, aqui não, não precisam de ir ao fofinho enjoativo para ser realmente querido e soltar à mesma sorrisos deliciados. O Totoro não é colorido, nem fala com vozes irritantes de bebé. O Totoro ruge, e bem alto, com muita força, e ainda assim é dos bichos mais fofos que existe.

As personagens aqui acabam por ser todas bastante ternurentas: o pai, as pequenas, a mãe, a Granny - uma velhinha vizinha que ajuda no que vai podendo, o Kanta que morre de medo desta família por viver numa casa "assombrada", enfim, não há um vilão ou um foco de distúrbio, corre tudo dentro do carinho entre estas pessoas.

Mas quando uma maçaroca de milho pode ajudar uma mãe a melhorar as coisas dão para o torto e confesso que ainda me assustei um pouco. É uma das coisas que gosto nestes filmes: são "infantis" mas não são moles, não são piegas. São filmes com qualidade e que conseguem transmitir mensagens, conseguem abordar várias coisas sem cairem em falso.

Eu gostei imenso do filme, não é estranho, cheio de cenas a acontecer de forma aleatória, tirando as cenas do Totoro. Mas ele pode. Entre a criação maravilhosa deste ser e a maneira como as "assombrações" daquela casa são vistas por aquela família - não com medo mas antes com entusiasmo, curiosidade mas sem maldade para com elas - esta hora e meia valeu bem a pena e o quanto gostei deste filme. Acho que igualou o meu até agora preferido Viagem de Chihiro e só depois de rever ambos é que vou conseguir desempatar!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

[leituras] Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos


Título: Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos
Autor: Pedro Brito, João Fazenda
Páginas: 94
Ano: 2002


Já tinha lido um livro deste Pedro Brito, Pano cru, e lendo mais um noto realmente um estilo e uma linha de pensamento contínua de um para o outro.

Aqui temos um escritor, a meio de um projecto diferente - de BD - mas com um bloqueio tremendo. A mulher e pintora, numa luta imensa por singrar na área, e que não lhe da o apoio que precisa, e vice versa.

Precisa de uma musa e encontrando uma velhinha na rua a vender plantinhas estranhas decide comprar uma, bem retorcida, para ser a fonte da sua inspiração. Acontece que no momento em que se prepara para testar as capacidades da recente compra dá por si a sonhar com uma mulher que nunca viu na vida mas que vê passados uns dias. Como? Magias de velhas.

As coisas com a mulher não melhoram mas quando se dá o corte final acaba por ser proveitoso para ambas as veias criativas do casal (ex) de uma maneira bem interessante, diga-se.

As ilustrações são muito interessantes, a preto e branco com pinturas a vermelho, e mais nada. Por vezes a coisa torna-se um pouco estranha por que no meio de alguns momentos mais mexidos só temos rã iscos a preto e traços perdidos de vermelho que dão uma ideia de sangue, ficaram algumas cenas mais perturbadoras do que estava a contar inicialmente. Não que estejam más, na minha opinião, estão apenas muito estranhas e no contexto global do livro não sei se e a melhor opção.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

[leituras] Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes


Título: Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes
Autor: David Soares
Páginas: 279
Ano: 2012


Há uns tempos atrás - ah, já lá vão três anos - fui apresentada à obra de David Soares, alguém que eventualmente tinha de fazer parte das minhas leituras, inevitavelmente.

Na altura emprestaram-me o Ossos do Arco Iris e fiquei deliciada, um autor que conseguia dar-me uma coisa que não encontrava muito: desconforto, nojo, desprezo por uma leitura. E isto - mesmo que não pareça - é um elogio. Poucas leituras conseguem fazer sentir - realmente - alguma coisa no leitor e eu sou particularmente picuinhas. Mas neste caso não. Fiquei realmente enojada com algumas das coisas que li e por isso o meu muito obrigado.

A partir daí comecei a acompanhar de mais perto o que fazia este senhor e certo e que já li a maior parte das coisas que tem publicadas.

Nos últimos tempos tivemos uma quebra, eu e estes livros. Desde que li o Palmas para o esquilo que fiquei desiludida e decidi fazer uma pausa - até porque a fonte estava a secar. Mas algo é mais forte de que as minhas pequenas forças de humana e há sempre aquele livro, aquele que nos deixa a sonhar quando o vemos e quando o compramos parece que a nossa biblioteca antes não fazia sentido. Pois que este compêndio foi assim para mim. Desde que saiu que o andava a namorar, coisa não coisa, compra não compra, ainda tenho muito para ler e tal e eis que chega o Fórum Fantástico do ano passado e eis que como que uma aura dourada que sobressai: Compêndio a 5euros. Não podia ficar ali a estragar-se, não era?

Mas porque tanto fascínio com isto? Simples, eu sou uma rapariga estranha, que gosta de coisas estranhas, quanto mais estranha melhor. Agora reparem neste nome: Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes. Preciso de dizer mais alguma coisa?

Se há livro que não esperava, de todo, que me falhasse seria este e não me enganei. Quanto à escrita, histórias ou estilo de David Soares muito se poderá dizer mas quanto às suas investigações bibliográficas não consigo ter grandes dúvidas de que conseguiria fazer qualquer coisa de extraordinário. E assim foi. Muitos dos temas que eu realmente acho fascinantes estão por aqui, sejam eles cabeças encolhidas - FINALMENTE! o que eu desespero por mais coisas sobre cabeças encolhidas! - ou alquimia. 

Eu tive realmente de me conter enquanto lia este livro, longe de um computador ou acesso a internet senão não o acabava. Isto é uma autêntica lista de coisas a investigar. Em cada um dos casos que aqui são explorados há milhentas referencias a coisas que têm um aspecto tao interessante.

Eu gosto bastante da ficção de David Soares, já tenho o Lisboa Triunfante a jeito para uma leitura próxima, mas se há coisa que gostaria de ver mais com David Soares era não ficção, obras como esta, que exploram os conhecimentos mais estranhos e obscuros que por aí andam. Isto foi mesmo tão bom! E tenho praticamente a certeza que mais coisas do género - que nem precisavam de ser relacionadas de alguma maneira com o oculto, a ideia que tenho é que um livro de história contado pelas mãos deste senhor traria não só as coisas superficialmente interessantes mas detalhes escondidos num rodapé de um livro esquecido e que poucos mais que David Soares terão lido.

O que me dá algum medo é que depois se "esticasse" para além do necessário seja no palavreado por vezes tão erudito que nem com um dicionário ao lado uma pessoa lá vai ou que se estendesse por meandros já demasiado aprofundados e que tornariam o livro desinteressante.

De qualquer das formas este livro é genial, muito muito muito bom! Gostei imenso e pronto, fiz um bocadinho as pazes com estes livros. Lisboa Triunfante, não demoras muito!

domingo, 9 de novembro de 2014

BDs que marcam

Mais uma vez meto-me para aqui a falar de BD mas o que é certo é que gosto mesmo deste estilo e já que está em crescimento vamos dar-lhe mais uma força.

 Já li uma boa dose de BD, umas que adorei e que estão sem qualquer dúvida no meu top de livros, e outras que também estão num top, mas daqueles que não gostei mesmo nada ou que me deram ânsias fortíssimas.

Começo com um bom ou com um mau? Hum, um bom, fica bem! Então por exemplo os Saga, obra de Brian K. Vaughan, são livros absolutamente geniais, com uma história estranha e interessante, acção, ilustrações lindíssimas, uma cor fenomenal e com situações, personagens e culturas muito bem estruturadas e transmitidas que nos pegam àquilo tudo e fazem ansiar por mais. É mesmo muito bom, aliás, daquilo que tenho lido de Vaughan acho que ainda nada decepcionou, é daquelas que se encontro um livro quero ler, mesmo sem saber o que é. Há-de ser bom, quase de certeza.

Mas pronto, nem todos gostam da mesma cor e também há livros que me ficam na ideia pelos maus motivos. Eu sou fã de David Soares, alguns dos livros dele são muito bons, coisas que um dia relerei com todo o gosto e vontade e depois há o Palmas para o Esquilo.

Ok, este é um autor peculiar, pode não ser o mais consensual e muito menos se poderá dizer que escreve para "agradar" mas mesmo dentro do estilo aqui, infelizmente, esticou-se. Quando via que o livro seria sobre a vida, sobre a loucura fiquei mega entusiasmada de depois li o livro. A imagem é boa, o Pedro Serpa fez um óptimo trabalho, a história não é má, confessemos, mas a maneira como está escrito não me convenceu de todo. Um discurso elaborado ao máximo, parece que foi escrita a história e depois foram passar o texto pelo dicionário de sinónimos e escolhia-se o mais complicado, erudito e desconhecido possível. É um estilo? Talvez, mas a mim não me cativou, não me permitiu uma leitura decente, não conseguia passar 2 quadrados sem dar com uma palavra que nunca tinha ouvido nem lido em lado nenhum. Corta a história, corta o seguimento e uma pessoa acaba por desligar do livro.

Em compensação, e já que descasquei um pouco no último parágrafo posso dar uma abébia e falar da 
 Última Grande Sala de Cinema, também David Soares, mas provavelmente a BD que mais gostei de ler dele. Estranho como o autor me habituou, interessante, cativante, com situações caricatas e obscuras a acontecer. Esta sim, uma BD que me deixou realmente com vontade de reler e procurar mais detalhes e mais coisas sobre tudo aquilo. Muito bom.

Um caso que também já tenho falado mas que quero deixar aqui foi o tal Catálogo de Sonhos, de José Carlos Fernandes, uma BD que encontrei meio perdida e que tem uma história que achei lindíssima e que me ficou na ideia com bastante força. Isto só para dizer que adoro quando nas minhas incursões pelos meandros da BD vou descobrir aquelas coisas do fundo da prateleira que depois se revelam boas surpresas. 

E depois sei lá, o raio do Macaco Tozé (dia 26), um livro estúpido que não faz sentido e que não vi qualquer piada naquilo. Eu gosto de coisas estranhas e non-sense até mas mesmo eu tenho limites. 

Nem estou a ir por livros mais conhecidos: V for Vendetta que é só genial, The Killing Joke que bastava dizer uma única coisa: "Joker!", Nailbiter (coisa mais recente mas que me está a deixar viciada, é muito muito bom), Sin City com aquelas ilustrações maravilhosas... 

Sei lá, já li muita BD, li muita coisa boa e li muita coisa má, algumas ficaram-me na memória por determinada coisa - como me acontece com os outros livros, como é óbvio.