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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

[leituras] O Baile

Título : O Baile
Argumento: Nuno Duarte
Ilustração: Joana Afonso
Páginas: 49
Ano: 2012

Mais um livro com selo Kingpin que tinha de ler - como os outros todos, mas enfim.

Nuno Duarte já é um nome que me agrada encontrar em qualquer coisa. Depois de Fórmula da Felicidade não podia ser de outra forma. Já Joana Afonso está debaixo de olho a ver o que pode sair por essas mãos.

Este Baile é um bom livro. Gostei imenso de o ler, tem uma leitura fácil e interessante, tem uma história muito curiosa mas não achei que fosse assim tão inovadora quanto isso. É uma boa história mas não é nada de outro mundo. Por outro lado achei que desta vez as ilustrações não estavam tão interligadas com a história, ou seja, não acompanhavam o argumento de par a par, há um distanciamento de uma coisa para a outra - ou pelo menos eu senti-o -  e isso dá um nó na leitura. Parece que são duas coisas a ser contadas, que embora sejam a mesma têm ali um desfasamento qualquer. Talvez o que precisasse fossem mais umas páginas, abrir um pouco as coisas para ficarem mais pormenorizadas em cada ponto, ou com margem de manobra para serem ditas as coisas de uma maneira diferente, não sei.

Sei que gostei do livro, gostei bastante até, mas não achei que fosse algo inovador ou que traga alguma característica especial.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

[leituras] Crumbs

Título: Crumbs - An anthology of delicious comics by portuguese toast makers
Autores: André Caetano, Ana Matias, André Oliveira, Bernardo Majer, David Soares, Fernando Dordio, Francisco Sousa Lobo, Inês Galo, Joana Afonso, Mário Freitas, Nuno Duarte, Osvaldo Medina, Pedro Cruz, Pedro Serpa, Ricardo Venâncio, Sérgio Marques, Zé Burnay
Páginas: 144
Ano: 2014

Tanta gente junta num livro tão minúsculo. É que é incrivelmente pequeno. Eu por vezes pensava que o ia perder porque isto é ínfimo e nunca na vida que olhando para ele diria que tinha tanta coisa.

As histórias são muito variadas em tudo o que se possa imaginar e como seria de esperar com tamanha diversidade de gente envolvida. A arte de quase todos os contos são absolutamente maravilhosas como aliás se tem notado no que anda a sair de BD nos últimos tempos, mas já no argumento não se pode dizer muita coisa. Contem uma história pessoas, deixem-se lá de mariquices!

Começamos com Light Bearer que brinca com a luz que se segue tanto na morte como no nascimento. Anda por ali a saltar de momento em momento numa vida e a mostrar como tudo acaba por ser cíclico e repetitivo. Achei que precisava de mais coerência, tem uma ideia boa mas depois o fio que tenta seguir está muito dividido, com falhas e torna a história confusa. As ilustrações estão engraçadas, gosto do envelhecer que as personagens levam.

Tunnels deu-me a conhecer uma nova música, Arcade Fire, do mesmo nome, que ainda por cima não gostei. Eu li a história e estava a soar-me a estranho, havia qualquer coisa que não batia certo. Ver que era mesmo a música que o tipo vai a ouvir fez com que as coisas encaixassem melhor. É engraçada mas sinceramente não me prendeu. Os desenhos estão giros, gosto das cores especialmente mas acompanham o estilo da história não me tendo chamado particularmente a atenção.

David Soares aparece aqui com Pedro Serpa tal qual como em Palmas para o Esquilo e isso deixou-me de pé atrás. Esse livro foi uma desilusão completa e pegar na mesma junção artística estava a deixar-me curiosa mas reticente. BD a preto e branco, The boar-man is getting married; or. leng tch'e, belo título não? Se alguém o perceber que me explique. Enfim, ilustrações cinco estrelas, sem tirar nem por, estranhas, simples mas com uma imagem forte, gostei. Argumento: estranho e estranho e não é do bom estranho. Um tipo com cabeça de javali que é maltratado e desprezado mas a história está de tal maneira contada que metade não se percebe. Tenho pena que David Soares em vez de contar a história para contar se meta por caminhos obscuros que não levam a lado nenhum. Isso pode ser giro, pode tornar a coisa interessante mas não assim, isto é só abusar.


Orwell, the soviet cat foi o título que mais me cativou e estava com bastante curiosidade por ser obra de Mário Freitas do qual tenho o SuperPig à espera há demasiado tempo! A história é mais uma vez algo meio estranho que parece que fica sem contexto. É pena porque as ilustrações são porreiras e aquilo tem ar de dar coisas giras. Mas falta ali história.


De seguida Young Enlil goes to hell é uma história de família sobre, suspense, How I Met Your Mother. Sim, é isso mesmo. Tem uns desenhos divertidos e coloridos com uma história essencialmente engraçada no momento em que se lê:

"You heard wrong... I am here... ... ... to kick your ass!"

Rio-me sempre quando fazem coisas destas. Mas enfim, mais uma vez nada de especial.

The Green Pool mais introspectivo e filosófico, demasiado verde para a minha pessoa, com uma história de coisas que caem em piscinas. Meh.

Low Battery é capaz de ter sido o que mais gostei. Um tipo é enterrado vivo e vê-se obrigado a pensar em quem é que ele pode ligar para o ir buscar. Torna-se uma história engraçada e triste ao mesmo tempo mas que é tão simples e porreirinha que até destoou dos outros contos. E obrigada por isso, diga-se!

Hanging Garden é estranho e estranhamente interessante. Acompanhamos o crescimento de um jardim peculiar, deixemos assim. Ilustrações bastante bonitas e muito interessantes.

Ick! vida de palhaço nem sempre é fácil mas quando se arranja um amigo tudo é melhor. Uma coisa simples, curiosa mas não podia ter tido mais um bocadinho de sumo.

In clouds é fofo, vá. Às vezes é preciso esperar um bocadinho mas as coisas chegam e ficam bem melhores. Principalmente com uma casa na árvore, se tivesse uma até este livro se lia melhor!

Omega  tinha potencial na história que conta. Como é que um criador vê a sua personagem ao fim do imenso tempo que tem de a desenhar e pensar como ela? Eu desta história tirava um livrinho, isto bem explorado tinha pano para mangas. No espaço pequeno deste Crumbs não se torna assim nada de mais.

Walpurgis sinceramente? Esqueçam história! Isto vale pelas ilustrações que são badass e maravilhosas e tudo o resto é treta, mega pequenino mas lindíssimo. 

E é isto. Pequeno e bem espremido com muito pouco sumo. Os ilustradores estão praticamente todos de parabéns, óptimos trabalhos, em termos de argumento achei que ficou muito aquém. Muitas tinham ali matéria para coisas mas ou pelo espaço reduzido ou sei lá porquê a coisa não resultou muito bem.

Ainda assim, numa perspectiva geral tenho de confessar que gostei do livro. E se for coisas destas que se precisa para levar BD nacional mais para a frente então força nisso. Mas da próxima vez em formato 2.0, ok?








segunda-feira, 17 de novembro de 2014

[leituras] The LisbonStudio (#1)



Título: The Lisbon Studio
Autor: Ana Freitas, Ana Oliveira, Frederico Sá, Guilherme Cartaxo, Joana Toste, João Tércio, Jorge Coelho, Nuno Duarte, Patrícia Furtado, Pepedelrey, Pedro Potier, Ricardo Cabral, Ricardo Tércio, Ricardo Venâncio, Rui Lacas, Sara Barbas, Sérgio Duque, Tiago Tavares
Páginas: 115

Da minha última leva de bd's apanhei algumas coisas diferentes. Esta é uma delas. Não é propriamente BD, é mais um mostruário do trabalho de alguns artistas - alguns que pela amostra serão bastante bons - que trabalham num estúdio "algures entre os Anjos e a Estefânia". Pelo que eu percebo este é um grupo dinâmico e criativo de onde saem coisas bastante interessantes. Vendo no próprio blog deles conseguimos perceber que há várias edições desta revista, eu tive a sorte de encontrar esta #1 o que a torna ainda mais interessante.

Eles próprios se apresentam como "criativos independentes" e eu confesso que gostei do que vi. Temos coisas um pouco de todos os estilos, cada um tem uma marca pessoal, e em várias áreas: texto, desenhos, montagens, fotografia.

Foi bastante interessante ver este trabalho, ver a qualidade que este grupo tem - eu pelo menos gostei da grande maioria do que apanhei aqui - e como é bom ainda haver grupos de "carolas", deixem-me tratá-los assim, que ainda se mexem e metem coisas a acontecer. Da minha parte: Muito Obrigada!

Alguns dos nomes que por aqui andam são-me conhecidos de outras paragens e foi engraçado ver algumas coisas mais "fora de contexto", até porque tudo isto tem um ar divertido, engraçado, de gozo quase, parece que estamos no meio de uma piada qualquer, embora não as percebamos.

Gostei imenso desta revista, é mais um projecto engraçado que tenho pena que não seja mais divulgado. Eu continuarei a acompanhar, de certeza.