quarta-feira, 12 de novembro de 2014

[leituras] Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos


Título: Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos
Autor: Pedro Brito, João Fazenda
Páginas: 94
Ano: 2002


Já tinha lido um livro deste Pedro Brito, Pano cru, e lendo mais um noto realmente um estilo e uma linha de pensamento contínua de um para o outro.

Aqui temos um escritor, a meio de um projecto diferente - de BD - mas com um bloqueio tremendo. A mulher e pintora, numa luta imensa por singrar na área, e que não lhe da o apoio que precisa, e vice versa.

Precisa de uma musa e encontrando uma velhinha na rua a vender plantinhas estranhas decide comprar uma, bem retorcida, para ser a fonte da sua inspiração. Acontece que no momento em que se prepara para testar as capacidades da recente compra dá por si a sonhar com uma mulher que nunca viu na vida mas que vê passados uns dias. Como? Magias de velhas.

As coisas com a mulher não melhoram mas quando se dá o corte final acaba por ser proveitoso para ambas as veias criativas do casal (ex) de uma maneira bem interessante, diga-se.

As ilustrações são muito interessantes, a preto e branco com pinturas a vermelho, e mais nada. Por vezes a coisa torna-se um pouco estranha por que no meio de alguns momentos mais mexidos só temos rã iscos a preto e traços perdidos de vermelho que dão uma ideia de sangue, ficaram algumas cenas mais perturbadoras do que estava a contar inicialmente. Não que estejam más, na minha opinião, estão apenas muito estranhas e no contexto global do livro não sei se e a melhor opção.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

[leituras] Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes


Título: Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes
Autor: David Soares
Páginas: 279
Ano: 2012


Há uns tempos atrás - ah, já lá vão três anos - fui apresentada à obra de David Soares, alguém que eventualmente tinha de fazer parte das minhas leituras, inevitavelmente.

Na altura emprestaram-me o Ossos do Arco Iris e fiquei deliciada, um autor que conseguia dar-me uma coisa que não encontrava muito: desconforto, nojo, desprezo por uma leitura. E isto - mesmo que não pareça - é um elogio. Poucas leituras conseguem fazer sentir - realmente - alguma coisa no leitor e eu sou particularmente picuinhas. Mas neste caso não. Fiquei realmente enojada com algumas das coisas que li e por isso o meu muito obrigado.

A partir daí comecei a acompanhar de mais perto o que fazia este senhor e certo e que já li a maior parte das coisas que tem publicadas.

Nos últimos tempos tivemos uma quebra, eu e estes livros. Desde que li o Palmas para o esquilo que fiquei desiludida e decidi fazer uma pausa - até porque a fonte estava a secar. Mas algo é mais forte de que as minhas pequenas forças de humana e há sempre aquele livro, aquele que nos deixa a sonhar quando o vemos e quando o compramos parece que a nossa biblioteca antes não fazia sentido. Pois que este compêndio foi assim para mim. Desde que saiu que o andava a namorar, coisa não coisa, compra não compra, ainda tenho muito para ler e tal e eis que chega o Fórum Fantástico do ano passado e eis que como que uma aura dourada que sobressai: Compêndio a 5euros. Não podia ficar ali a estragar-se, não era?

Mas porque tanto fascínio com isto? Simples, eu sou uma rapariga estranha, que gosta de coisas estranhas, quanto mais estranha melhor. Agora reparem neste nome: Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes. Preciso de dizer mais alguma coisa?

Se há livro que não esperava, de todo, que me falhasse seria este e não me enganei. Quanto à escrita, histórias ou estilo de David Soares muito se poderá dizer mas quanto às suas investigações bibliográficas não consigo ter grandes dúvidas de que conseguiria fazer qualquer coisa de extraordinário. E assim foi. Muitos dos temas que eu realmente acho fascinantes estão por aqui, sejam eles cabeças encolhidas - FINALMENTE! o que eu desespero por mais coisas sobre cabeças encolhidas! - ou alquimia. 

Eu tive realmente de me conter enquanto lia este livro, longe de um computador ou acesso a internet senão não o acabava. Isto é uma autêntica lista de coisas a investigar. Em cada um dos casos que aqui são explorados há milhentas referencias a coisas que têm um aspecto tao interessante.

Eu gosto bastante da ficção de David Soares, já tenho o Lisboa Triunfante a jeito para uma leitura próxima, mas se há coisa que gostaria de ver mais com David Soares era não ficção, obras como esta, que exploram os conhecimentos mais estranhos e obscuros que por aí andam. Isto foi mesmo tão bom! E tenho praticamente a certeza que mais coisas do género - que nem precisavam de ser relacionadas de alguma maneira com o oculto, a ideia que tenho é que um livro de história contado pelas mãos deste senhor traria não só as coisas superficialmente interessantes mas detalhes escondidos num rodapé de um livro esquecido e que poucos mais que David Soares terão lido.

O que me dá algum medo é que depois se "esticasse" para além do necessário seja no palavreado por vezes tão erudito que nem com um dicionário ao lado uma pessoa lá vai ou que se estendesse por meandros já demasiado aprofundados e que tornariam o livro desinteressante.

De qualquer das formas este livro é genial, muito muito muito bom! Gostei imenso e pronto, fiz um bocadinho as pazes com estes livros. Lisboa Triunfante, não demoras muito!

domingo, 9 de novembro de 2014

BDs que marcam

Mais uma vez meto-me para aqui a falar de BD mas o que é certo é que gosto mesmo deste estilo e já que está em crescimento vamos dar-lhe mais uma força.

 Já li uma boa dose de BD, umas que adorei e que estão sem qualquer dúvida no meu top de livros, e outras que também estão num top, mas daqueles que não gostei mesmo nada ou que me deram ânsias fortíssimas.

Começo com um bom ou com um mau? Hum, um bom, fica bem! Então por exemplo os Saga, obra de Brian K. Vaughan, são livros absolutamente geniais, com uma história estranha e interessante, acção, ilustrações lindíssimas, uma cor fenomenal e com situações, personagens e culturas muito bem estruturadas e transmitidas que nos pegam àquilo tudo e fazem ansiar por mais. É mesmo muito bom, aliás, daquilo que tenho lido de Vaughan acho que ainda nada decepcionou, é daquelas que se encontro um livro quero ler, mesmo sem saber o que é. Há-de ser bom, quase de certeza.

Mas pronto, nem todos gostam da mesma cor e também há livros que me ficam na ideia pelos maus motivos. Eu sou fã de David Soares, alguns dos livros dele são muito bons, coisas que um dia relerei com todo o gosto e vontade e depois há o Palmas para o Esquilo.

Ok, este é um autor peculiar, pode não ser o mais consensual e muito menos se poderá dizer que escreve para "agradar" mas mesmo dentro do estilo aqui, infelizmente, esticou-se. Quando via que o livro seria sobre a vida, sobre a loucura fiquei mega entusiasmada de depois li o livro. A imagem é boa, o Pedro Serpa fez um óptimo trabalho, a história não é má, confessemos, mas a maneira como está escrito não me convenceu de todo. Um discurso elaborado ao máximo, parece que foi escrita a história e depois foram passar o texto pelo dicionário de sinónimos e escolhia-se o mais complicado, erudito e desconhecido possível. É um estilo? Talvez, mas a mim não me cativou, não me permitiu uma leitura decente, não conseguia passar 2 quadrados sem dar com uma palavra que nunca tinha ouvido nem lido em lado nenhum. Corta a história, corta o seguimento e uma pessoa acaba por desligar do livro.

Em compensação, e já que descasquei um pouco no último parágrafo posso dar uma abébia e falar da 
 Última Grande Sala de Cinema, também David Soares, mas provavelmente a BD que mais gostei de ler dele. Estranho como o autor me habituou, interessante, cativante, com situações caricatas e obscuras a acontecer. Esta sim, uma BD que me deixou realmente com vontade de reler e procurar mais detalhes e mais coisas sobre tudo aquilo. Muito bom.

Um caso que também já tenho falado mas que quero deixar aqui foi o tal Catálogo de Sonhos, de José Carlos Fernandes, uma BD que encontrei meio perdida e que tem uma história que achei lindíssima e que me ficou na ideia com bastante força. Isto só para dizer que adoro quando nas minhas incursões pelos meandros da BD vou descobrir aquelas coisas do fundo da prateleira que depois se revelam boas surpresas. 

E depois sei lá, o raio do Macaco Tozé (dia 26), um livro estúpido que não faz sentido e que não vi qualquer piada naquilo. Eu gosto de coisas estranhas e non-sense até mas mesmo eu tenho limites. 

Nem estou a ir por livros mais conhecidos: V for Vendetta que é só genial, The Killing Joke que bastava dizer uma única coisa: "Joker!", Nailbiter (coisa mais recente mas que me está a deixar viciada, é muito muito bom), Sin City com aquelas ilustrações maravilhosas... 

Sei lá, já li muita BD, li muita coisa boa e li muita coisa má, algumas ficaram-me na memória por determinada coisa - como me acontece com os outros livros, como é óbvio. 



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

[cinema] God Bless America



Título: God Bless America
Realização: Bobcat Goldthwait
Argumento: Bobcat Goldthwait
Elenco: Joel Murray, Tara Lynne Barr
Duração: 105 min
Ano: 2011

Trailer

Há já uns bons tempos que me diziam para ver este filme, e depois de ver o trailer achei que seria completamente louco, hardcore e sem grande nexo e portanto que tinha de o ver rapidamente. Não o fiz, mas depois de mais uma dose de "Este filme é mesmo fixe, tens de ver" lá me decidi a pegar nele.

Primeiro: o filme começa mal. Eu gosto de crianças! E qual é a primeira coisa que estes gajos se lembram de fazer? Rebentar uma à base de espingarda - e de alguma forma transformá-la em sangue e confetis. Ok, era numa espécie de sonho mas deixa-me logo de pé atrás. Mas o filme foi demasiado awesome para isso interferir de alguma forma.

Um homem divorciado, sozinho, cuja filha está naquela fase irritante em que só quer prendas e jogos - consumismo em toda a força - e nada mais lhe interessa, perde o emprego e ainda descobre que tem um tumor na cabeça que o vai matar não tarda muito!

Tudo se concilia para que o homem atravesse osso e cerebro com uma bala, mas lembra-se de outra coisa ao olhar para a televisão: há quem mereça mais a morte do que ele. Tanta gente por aí a fazer mal aos outros, a não dar importância ao que tem... Na tv estava a passar uma rapariga cujos pais se enganaram no modelo de carro que ela queria - problemas do primeiro mundo! - e isso dá direito a uma mega fita. Vamos matá-la! Pelo caminho encontra uma rapariga com uns ligeiros ares de psicopata e que lhe dá força para não fazer da morte daquela coisa loira aberrante um evento único e continuarem a matar quem não merece lugar neste mundo!

And so it begins! E tanta morte mas ri-me tanto! E as mortes não eram só por matar, era matar pessoas que são más, que não merecem a vida que têm. É simplesmente genial. E posso avisar que o fim é inesperado e grandioso, uma coisa digna de se ver!

É engraçado que já há uns tempos que dei conta que não gosto mesmo nada da sociedade onde vivemos, a cultura que estamos a criar, as modas que vão cada vez tendo mais atenção e popularidade. Cada um sabe de si, temos de ser mega livres e mega nós próprios, mas desde que aquilo que nos faz ser nós próprios seja aquilo que a sociedade nos diz para ser. Não vêm contra-senso? Então sou só eu,

Não me vou meter com uma AK47 a matar gente porque são ridículos e uma vergonha para a humanidade - temos de nos aceitar a todos como somos e essas tangas todas - mas o que é certo é que eu vejo este filme e concordo com o que foi feito. Eu também tenho ânsias de mostrar o ridículo a que estamos sujeitos todo o santo dia sem que as pessoas tenham o mínimo de racionalidade para o perceber. Estamos a estupidificar a olhos vistos e é assim que o mundo deve girar.

Há filmes que nos fazem pensar e que fazem com que nos identifiquemos: pois este teve uma dose bastante elevada disso, Acho que não teve muita visibilidade, se teve não me apercebi, mas se calhar era importante que mais pessoas vissem este filmes, que mais pessoas vissem as situações bucéfalas que invadem o nosso dia a dia. Mas está toda a gente tão contente com o seu mundinho parvo, quem quer saber se as pessoas ao nosso lado não estão bem, ou se estamos ainda a fazer com que fiquem piores? Incomoda-me a mim? Não? Então não quero saber, quando me bater à porta preocupo-me.

Bem jogado, humanidade. Milhões de anos de evolução para isto.

Eu cá acho triste mas isso seria errado de pensar. O certo é seguir a maralha. Bora lá então!

(Pardon pela parte final mais agressiva mas o filme puxa a isto!)


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

[leituras] 300




Título: 300

Autor: Frank Miller
Cor: Lynn Varley
Páginas: 117
Ano: 1998

Aqui há tempos vi o filme. Não posso dizer que foi pelas críticas que tinha a minha volta, embora muitos me dissessem que o filme era porreiro ninguém mo descrevia como sendo uma coisa de outro mundo. À parte da qualidade cinematográfica tinha a parcela feminina em delírio com 300 gajos nus.

Sendo assim a coisa não ia mal parada e pareceu-me uma boa ideia experimentar (embora no meu caso o que eu queria era sangue e tripas a moda de Spartacus! Assim sim vale a pena ver séries).

Depois de ter visto o filme e de todas as três categorias me terem falhado, ou pelo menos nenhuma me fascinou particularmente, descobri esta BD. Frank Miller, que não costuma falhar, misturado com sangue e tripas. Quero!

E não desiludiu, embora também não tenha sido genial. As ilustrações são óptimas como não podia deixar de ser e a historia é a mesma do filme por isso não podia trazer grande surpresa.

Ter 300 homens numa demanda que quase desde o início se anuncia ser suicídio podia ser aborrecido mas acabamos por acompanhar tudo aquilo e ver se no fim de tudo não haverá mesmo possibilidade de mudar o rumo da coisa, se calhar até se safam, se calhar isto não vai acabar assim tão mal. Claro que a história é mais do que conhecida e no fim já se sabe o que acontece mas enquanto se está a ler vê-se aquela valentia toda, aquela força junta que dá esperança até ao leitor. 

Ainda assim aqueles moços são espertos e valentes, diga-se de passagem que especialmente a segunda, se não veja-se:

"I trust that scratch hasn't made you useless!" "Hardly my lord it as only an eye. The gods saw fit to grace me with a spare"

Quem e que precisa de dois olhos? Completamente sobrevalorizado!

Resumindo, é bom, está bem feito e tem uma boa matança para quem gosta destas coisas.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

[leituras] O Estilete Assassino


Título: O Estilete Assassino
Autor: Ken Follet
Páginas: 383
Ano: 1978


Poucos são os meus amigos que lêem por isso tenho de os preservar com carinho que às vezes dão um jeito desgraçado, seja para comentar livros ou para dar sugestões.

Desta vez foi exactamente isso: uma amiga minha sugeriu-me um Ken Follett. Eu acedi, tanto que dizem que o homem é genial e os livros são tão bons que me decidi a ver como era aquilo.

O Estilete Assassino foi o livro recomendado e lá comecei eu a ler. Passa-se durante a segunda guerra mundial, com os preparativos alemães e ingleses para o dia D. Há espiões dos dois lados, há estratégia a ser delineada dos dois lados e acompanhamos em especial um espião alemão, o melhor espião, o único em quem Hitler confiava. Descobre que algumas das informações que os alemães recolheram foram forjadas e o destino da guerra pode estar exactamente nas decisões tomadas a partir disso. O que temos no livro é esse dito espião, Die Nadel, ou o Assassino do estilete, a tentar entregar as informações à sua pátria que tanto precisava delas. Sinceramente, não há mais nada.

A história era resumível num conto de 10 paginas, no máximo. Fez-me imensa confusão que um livro de 400 páginas tivesse tão pouca coisa quando espremido. Ok, eu estou mal habituada e gosto de livros "densos" mas isto pareceu-me demasiado leve. Além disso, mais um ponto que me desagradou foi a escrita: que coisa tão banal! Não tem qualquer beleza literária, não tem nenhum tipo de escrita. São palavras juntas em frases, da forma mais banal e aborrecida que possa haver.

Não vou dizer que o livro e péssimo e que o autor não sabe escrever, até porque foi o primeiro livro que li dele, mas não  é autor que me fascine e provavelmente não terei grande vontade de pegar noutro livro dele tão cedo.

Comentando com a dita amiga que mo sugeriu o que tinha achado do livro ela disse algo que poderá ser o que se passou aqui: não é um livro denso, é bastante levezinho, e é mais por aí que as pessoas gostam disto. Livros leves, lêem-se bem, as pessoas percebem tudo, e tendo mais coisas ficavam "mais cansativos". São gostos.

Eu raramente gosto de livros que estão muito em voga e aqui lembrei-me porquê: muitas das pessoas que lêem não querem grandes enredos, coisas densas e que as vezes até são desafiantes de ler. Querem pegar num livro, não demorar muito a ler, perceber a historia toda sem grandes problemas, tudo tem de estar bem lá escrito, e a parte de beleza literária poucos são os que se importam. Livros comerciais, escritos quase mecanicamente. Meia dúzia de pontos principais que tem de ser cumpridos e depois saem uns cinco calhamaços por ano, para grande contentamento dos leitores e das editoras que metem tudo ao bolso.

Este e um caso desses. Follett não me convenceu, não me fascinou de maneira nenhuma e é meramente uma leitura banalíssima boa para quem quer passar um bocado a ler mas não se importa muito com o que seja.

domingo, 2 de novembro de 2014

Cinemas internacionais

De uma forma geral o cinema que encontramos é americano. De vez em quando umas coisas britânicas, quem sabe francesas e pouco mais. Nas nossas salas ainda aparecem uns filmes portugueses, assim meio a medo.

Há mais, claro que sim, mas assim do que se ouve falar mais é essencialmente isso! 

O cinema americano está muito na base da comercialização, como quase tudo o que se faz por lá hoje em dia. O local mais consumista à face da terra acaba por tratar a maior parte das coisas como produtos: produzir em grande quantidade, vender muito, impingir muito, ganhar rios de dinheiro. Isso nota-se em muitas coisas e no cinema também. O que podemos também argumentar é que sabem adequar-se ao mercado, e de que maneira. As pessoas querem comédias românticas para acreditarem no amor e fazerem filmes sobre quão bom será quando lhes aparecer um príncipe apaixonado, montado num cavalo branco? Faz-se! Os jovens querem festas cheias de bebedeiras e muitas pessoas nuas? Faz-se? As pessoas mais velhas gostam de filmes de reflexão sobre a vida e a maneira de melhor a aproveitar? Faz-se!

Essencialmente vão atrás do que rende, do que dá dinheiro, do que faz pessoas ganhar milhões com um trabalho de seis meses, ou pouco mais. Não estou, de longe nem de perto, a dizer que deviam ganhar mal. Os actores já tem no cadastro uma boa dose de desprezo ao longo da história, ao menos que agora lhe deiam valor. Mas milhões? A sério?

Mas enfim, do cinema britânico podemos dizer muito do mesmo, aprenderam bem, e ainda o fazem com aquele sotaque maravilhoso. Não são tão consumistas, o que é bom, ainda não estão completamente gastos, ainda tem ideias geniais para filmes, vão tendo coisas de grande qualidade, originais, com bons actores, bem realizados (os americanos também mas no meio de tanta coisa fico demasiado diluído). Acho que vem do próprio povo, cultura muito diferente da americana que talvez dê um ar mais autêntico ao que se faz nas ilhas britânicas.

Depois cinema francês. São poucos os filmes franceses que gosto, mesmo muito poucos, e acabo por também não conhecer mais porque não quero, porque tem aquele estilo que não consigo gostar. Provavelmente dos filmes que menos gostei de ver, na minha lista de vistos até hoje, foi um filme muito nomeado e muito "conceituado": A Turma! 

Porque é que não gostei? Pelos planos de um sítio, imensos e limpos, cuja imagem até é bonita e ficava bem mas não durante dois minutos inteiros! Eu não quero ver metade de uma história porque em vez de a ver no tempo certo vejo com um acrescento de imagem parada. Durante dois minutos! Eu num destes momentos olhei mesmo a volta: é uma espécie de hipnose e não me apanhou a mim? Isto é mesmo muito interessante e eu não percebi? Foram dois minutos a olhar para o mesmo! Não sou fã, de todo.

Para além disso, como se não chegasse, tem provavelmente o pior fim que já algum vez vi. O filme tem como foco principal o comportamento geral de uma turma, tendo por vezes em atenção alguns alunos individualmente, em especial o aluno mais rufia do sitio. Rapaz este que por acidente - POR ACIDENTE - magoa uma colega. Reacção? Expulsão do rapaz! E então depois como é que acabamos isto? Com mais quatro minutos a olhar para uma sala vazia com cadeiras desarrumadas (dois minutos em cada um dos planos mostrados) e depois vemos o recreio, com as criança a dançar e a brincar, todas felizes enquanto algumas cantam qualquer coisa do tipo "somos tão felizes, agora estamos mesmo bem, olhem para nós sem problemas a cantar e a ser felizes". Não há pachorra. 

E embora este tenha sido mesmo o pior que vi houve outros que alimentaram esta minha ideia contra o que se faz de cinema lá por aquelas bandas. Ainda assim há filmes que gosto, ninguém pode lutar contra o Gerard Depardieu como Obélix ou contra as loucuras fantásticas da Amélie.

E depois cinema português, que às vezes pensamos que não existe, ou que são tudo filmes absolutamente aborrecidos e sem interesse mas ele anda por aí a pairar. Os apoios são poucos, a frustração é muita mas ainda assim há uns malucos que ainda mantém o amor à coisa e movem mundos e fundos por fazer projectos interessantes. Nos últimos tempos, ainda assim, julgo que começaram a dar mais algum crédito a isto tudo. Vê-se mais umas coisinhas, parece que já não somos tão invisíveis, o que é bom. Já temos actores lá fora, realizadores, vamos mostrar que cá dentro também conseguimos trabalhar, e bem.

No fim disto tudo não é mais do que um desabafo e uma triste confissão de que tenho de ver coisas mais internacionais. Falam-me bem do cinema italiano. As coisas mais asiáticas são só estranhas mas uma pessoa investiga. E sei lá o que se faz nos outros sítios. Tenho de tratar de ver disso.