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domingo, 1 de novembro de 2015

[escritos] Amadora BD






Ao fim de tantas edições e tantas vontades de lá ir foi este ano que se deu! Já fui ao Amadora BD.

Eu que moro relativamente perto da Amadora tenho notado, ao longo dos últimos anos, uma forte aposta nesta "brincadeira" da BD. É a própria decoração da cidade, é o Amadora BD com o maior destaque que conseguem, é letras gigantes a intitular-se "Cidade da BD" e ainda bem. Dá um ar de mudança à cidade, chama pessoas e ainda divulga este género que tanto mérito merece e tanta coisa boa tem feito em Portugal!

O evento em si está bastante dinâmico, está feito de tal forma que não é só um evento de BD aborrecido, com uns lançamentos e umas bancas. O espaço está muito giro, cheio de pequenos pormenores num lado e noutro, as exposições que por lá têm são interessantes e dão-nos uma boa ideia de vários momentos na história da BD e isso torna-se bem porreiro de encontrar. 

Está construído num sítio aberto, com espaço suficiente para as pessoas passearem e verem as coisas sem terem de andar completamente aos ewmpurrões umas às outras, as estruturas e divisórias estão simples e baratas, diga-se. Muitas das coisas estão feitas em papelão e tenho de dar os parabéns a quem o pensou. Super simples, super barato e faz o propósito para que existe da melhor maneira. Não sei quem é que pensou naquilo mas tem os meus parabéns!

E a exposição tem passagens secretas e uma sala secreta e um labirinto para os miúdos brincarem e lápis gigantes e A CASOTA DO SNOOPY!!! Not even kidding!

Tive pena de que a exposição não tivesse um bocadinho mais de informação, porque para quem não conhecesse as coisas que lá estivessem aquilo que aprendia era o nome da tira/série/história e o nome do autor. Um bocadinho mais de informação sobre as coisas seria o ideal! Fazer com que as pessoas se interessassem e ao mesmo tempo aprendessem! Isso, para mim, precisava realmente de ser trabalhado. Mas tirando isso o evento surpreendeu-me muito pela positiva.

Há vários lançamentos a serem feitos durante este tempo, ainda apanhei o lançamento do livro "O Poema Morre" de David Soares, com Sónia Oliveira (Kingpin Books) num espaço mais uma vez simpático, acolhedor, porreiro para ver uma apresentação e construído em cima de paletes (pessoal, espectáculo, a sério! Simples e prático!).

Nas bancas há muita coisa para ver e comprar, com a G Floy por lá, a Kingpin (e todos os seus Pops! Mas têm um gorro do BB8, uma TARDIS giratória e um Bobble Head do Matt Smith, não me vou queixar!), a Chili com Carne, a Devir, a Babel e como alguém muito sábio diz, o "Império do Mal", ou seja a Leya. (Acho que não me esqueço de ninguém...) Ainda comprei duas BD e dois pins, e vim para casa toda contente!

Eu por lá ainda ia tendo um ataque cardíaco com os livros expostos cortados para ficarem presos. Isso rasgou-me as entranhas em milhões de volumes infinitesimais de gosma! Não se fazem essas coisas aos livros!!! Eu percebo o porquê de o fazerem mas não... não, assim não! Coitadinho do livro gigante da Mafalda - que eu tenho! - ou do Habibi, ou do Hawk, ou sei lá... todos! A minha alma ainda sangra por eles. 

Depois claro que tenho pena que o evento acabe por ser um pouco descentralizado e só por isso há imensa gente que o põe de parte à partida. O mesmo evento, nos mesmos moldes, com tudo exactamente igual, teria dez vezes o número de visitantes se fosse num ponto de Lisboa onde qualquer pessoa pudesse chegar de metro. É chato, mas é verdade! 

Agora que tenho uma primeira ida não me cheira que queira deixar passar as próximas edições sem um pulinho por lá. Até porque confesso que me deu um certo prazer já ter lido uma boa parte das BD que lá andavam. Só ali é que me apercebi dessa monstruosidade. Bem, objectivo do próximo ano: só não ter lido os que estão a ser lançados! Bora lá, Jules!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

[leituras] Crumbs

Título: Crumbs - An anthology of delicious comics by portuguese toast makers
Autores: André Caetano, Ana Matias, André Oliveira, Bernardo Majer, David Soares, Fernando Dordio, Francisco Sousa Lobo, Inês Galo, Joana Afonso, Mário Freitas, Nuno Duarte, Osvaldo Medina, Pedro Cruz, Pedro Serpa, Ricardo Venâncio, Sérgio Marques, Zé Burnay
Páginas: 144
Ano: 2014

Tanta gente junta num livro tão minúsculo. É que é incrivelmente pequeno. Eu por vezes pensava que o ia perder porque isto é ínfimo e nunca na vida que olhando para ele diria que tinha tanta coisa.

As histórias são muito variadas em tudo o que se possa imaginar e como seria de esperar com tamanha diversidade de gente envolvida. A arte de quase todos os contos são absolutamente maravilhosas como aliás se tem notado no que anda a sair de BD nos últimos tempos, mas já no argumento não se pode dizer muita coisa. Contem uma história pessoas, deixem-se lá de mariquices!

Começamos com Light Bearer que brinca com a luz que se segue tanto na morte como no nascimento. Anda por ali a saltar de momento em momento numa vida e a mostrar como tudo acaba por ser cíclico e repetitivo. Achei que precisava de mais coerência, tem uma ideia boa mas depois o fio que tenta seguir está muito dividido, com falhas e torna a história confusa. As ilustrações estão engraçadas, gosto do envelhecer que as personagens levam.

Tunnels deu-me a conhecer uma nova música, Arcade Fire, do mesmo nome, que ainda por cima não gostei. Eu li a história e estava a soar-me a estranho, havia qualquer coisa que não batia certo. Ver que era mesmo a música que o tipo vai a ouvir fez com que as coisas encaixassem melhor. É engraçada mas sinceramente não me prendeu. Os desenhos estão giros, gosto das cores especialmente mas acompanham o estilo da história não me tendo chamado particularmente a atenção.

David Soares aparece aqui com Pedro Serpa tal qual como em Palmas para o Esquilo e isso deixou-me de pé atrás. Esse livro foi uma desilusão completa e pegar na mesma junção artística estava a deixar-me curiosa mas reticente. BD a preto e branco, The boar-man is getting married; or. leng tch'e, belo título não? Se alguém o perceber que me explique. Enfim, ilustrações cinco estrelas, sem tirar nem por, estranhas, simples mas com uma imagem forte, gostei. Argumento: estranho e estranho e não é do bom estranho. Um tipo com cabeça de javali que é maltratado e desprezado mas a história está de tal maneira contada que metade não se percebe. Tenho pena que David Soares em vez de contar a história para contar se meta por caminhos obscuros que não levam a lado nenhum. Isso pode ser giro, pode tornar a coisa interessante mas não assim, isto é só abusar.


Orwell, the soviet cat foi o título que mais me cativou e estava com bastante curiosidade por ser obra de Mário Freitas do qual tenho o SuperPig à espera há demasiado tempo! A história é mais uma vez algo meio estranho que parece que fica sem contexto. É pena porque as ilustrações são porreiras e aquilo tem ar de dar coisas giras. Mas falta ali história.


De seguida Young Enlil goes to hell é uma história de família sobre, suspense, How I Met Your Mother. Sim, é isso mesmo. Tem uns desenhos divertidos e coloridos com uma história essencialmente engraçada no momento em que se lê:

"You heard wrong... I am here... ... ... to kick your ass!"

Rio-me sempre quando fazem coisas destas. Mas enfim, mais uma vez nada de especial.

The Green Pool mais introspectivo e filosófico, demasiado verde para a minha pessoa, com uma história de coisas que caem em piscinas. Meh.

Low Battery é capaz de ter sido o que mais gostei. Um tipo é enterrado vivo e vê-se obrigado a pensar em quem é que ele pode ligar para o ir buscar. Torna-se uma história engraçada e triste ao mesmo tempo mas que é tão simples e porreirinha que até destoou dos outros contos. E obrigada por isso, diga-se!

Hanging Garden é estranho e estranhamente interessante. Acompanhamos o crescimento de um jardim peculiar, deixemos assim. Ilustrações bastante bonitas e muito interessantes.

Ick! vida de palhaço nem sempre é fácil mas quando se arranja um amigo tudo é melhor. Uma coisa simples, curiosa mas não podia ter tido mais um bocadinho de sumo.

In clouds é fofo, vá. Às vezes é preciso esperar um bocadinho mas as coisas chegam e ficam bem melhores. Principalmente com uma casa na árvore, se tivesse uma até este livro se lia melhor!

Omega  tinha potencial na história que conta. Como é que um criador vê a sua personagem ao fim do imenso tempo que tem de a desenhar e pensar como ela? Eu desta história tirava um livrinho, isto bem explorado tinha pano para mangas. No espaço pequeno deste Crumbs não se torna assim nada de mais.

Walpurgis sinceramente? Esqueçam história! Isto vale pelas ilustrações que são badass e maravilhosas e tudo o resto é treta, mega pequenino mas lindíssimo. 

E é isto. Pequeno e bem espremido com muito pouco sumo. Os ilustradores estão praticamente todos de parabéns, óptimos trabalhos, em termos de argumento achei que ficou muito aquém. Muitas tinham ali matéria para coisas mas ou pelo espaço reduzido ou sei lá porquê a coisa não resultou muito bem.

Ainda assim, numa perspectiva geral tenho de confessar que gostei do livro. E se for coisas destas que se precisa para levar BD nacional mais para a frente então força nisso. Mas da próxima vez em formato 2.0, ok?