quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

[leituras] Ratos e Homens




Título: Ratos e Homens (Of Mice and Men)
Autor: John Steinbeck
Tradução: Erico Veríssimo
Páginas: 114
Ano: 1937

A única experiência que tive com Steinbeck foi com um livro impingido e fosse por isso ou não não lhe achei grande piada. Na altura o sacrificado foi A Pérola e desse para este ainda se passaram uns aninhos.

Mas ouvi falar muito deste Of mice and men e sempre com uma boa impressão do que ia lendo. Resultado: fiquei curiosa, ainda por cima com o livro em casa e não consegui adiar muito tempo.

O livro é pequeno e lê-se muito bem, a escrita é muito fluída e soa quase a uma historia contada a beira da lareira. Simples mas interessante e com a capacidade de nos agarrar, este livro pequenino se não fosse lido em tempo atribulado e cheio de afazeres tinha sido começado e acabado no mesmo dia e não com muito tempo entre eventos. Foi um livro realmente bom, com uma história que se ao início parece banal rapidamente se mostra bem mais interessante que isso, com meandros escondidos que dão que pensar e que dão uma força imensa à história.

A história de dois homens que viajam juntos parecia-me, se ma contassem, pouco aliciante e nada que me entusiasmasse em condições mas a escrita é bastante boa, tem um estilo continuado  e encadeado que não dá vontade de despegar. Dois homens, um com dificuldades cognitivas mas que no fundo não é má pessoa. O típico muscles and no brains, muita força, óptimo para o trabalho pesado das quintas que o empregam mas sem perceber nada do mundo que está à sua volta. Ele só quer criar coelhos, acariciá-los, fazer-lhe festinhas mas a experiência que tem é com ratos e esses são tão pequeninos que aquela massa de músculos acaba por matá-los. No fundo é uma das poucas pessoas que vê a beleza nas coisas mais pequenas mas que depois não compreende as reacções do mundo exterior a ele e isso acaba por trazer sempre problemas.

Fiquei mesmo muito entusiasmada a ler este livro, é tão simples e sabe tão bem. É a prova absoluta de um livro simples, com uma história leve e que no entanto está tão bem contado. E tem conteúdo, não é apenas mais uma história. Muito mais do que muitos calhamaços que se encontram com 900 páginas, muito mais do que aqueles livros densíssimos que não deixam ler duas folhas sem dor de cabeça. Foi uma agradável surpresa que me vai fazer reler A Pérola e ver se foi a obrigatoriedade do passado que me fez torcer o nariz ou se foi mesmo mal meu com o livro. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

[leituras] O Diário de Jack o Estripador



Título: O Diário de Jack o Estripador
Autor: Shirley Harrison
Páginas: 315
Ano: 1994

Eu tenho um fascínio interno por serial killers. Acho-os seres fascinantes, aquelas cabeças as vezes geniais e loucas conseguem lembrar-se das coisas mais horríveis e muitas das vezes sem que haja sequer pistas do que se anda a passar.

Tenho pelo menos mais dois livros sobre este assunto, esses mais em género enciclopédia. Este que acabei agora de ler é sobre um só, e logo dos mais conhecidos: Jack, o Estripador!

Nunca ninguém foi condenado pelos crimes que foram cometidos embora houvesse vários suspeitos e alguns com provas razoavelmente legitimas. Mas na realidade a identidade do autor de crimes tão atrozes nunca ficou definida. Os crimes em cima da mesa são essencialmente cinco: cinco prostitutas mortas, mais ou menos esventradas , com indícios de terem sido atacadas pelo mesmo homem. 

Em 1992 chegou a mãos mais direccionadas a publicação este diário que aqui é analisado e interpretado por vários especialistas. Tudo indicaria que se tratasse do verdadeiro Diário de Jack o Estripador mas como é óbvio muito teria de ser dito antes de sequer pormos essa possibilidade como muito certa!

Foi submetido a várias testes, desde testes à tinta usada, ao papel usado, ao tipo de letra, ao tipo de discurso, inúmeros parâmetros que juntos nos dão uma aproximação bastante legítima que indica que este poderá realmente ser o Diário do verdadeiro e único Jack. Entenda-se que estes testes não nos podem dizer com 100% de certeza que assim é, apenas nos dizem que os tempos estão certos, a mente conturbada a escrever o diário tem as mesmas características que a mente conturbada que matou aquelas mulheres e por aí em diante.

Este livro na sua grande maioria é composto por dados históricos sobre este caso acompanhado e complementado com informações contidas no diário. Só as últimas 80 páginas, mais ou menos é que são fac simile do diário e depois a "tradução" para conseguirmos ler todas as passagens.

A acreditarmos que o que nos é apresentado é parte da realidade então podemos associar dois dos casos famosos, na época, no mesmo homem. James Maybrick, cujo nome é conhecido pelo grande processo que envolveu a sua morte, com as suspeitas de que a mulher o teria envenenado - embora a história completa tenha muito mais meandros do que foi dado a parecer na altura - e que afinal escondia a sua faceta mais negra, também conhecida como Jack.

Maybrick era viciado em arsénico, tomava doses diárias imensas, tinha dois filhos que amava imenso, uma mulher adúltera e gostava de matar prostitutas. Dá a entender que de alguma maneira sente que é uma missão que tem de cumprir, "matar todas as putas" e ao mesmo tempo retira uma satisfação ridícula do que faz. Em várias passagens ficamos com a noção de que grande parte daquilo que fez foi em resposta à traição da mulher, que tratava da mesma forma que as vítimas.

O certo é que começou a 31 de Agosto de 1888 com Mary Ann "Polly" Nichols e para começo sentiu-se pouco satisfeito. Cortou-lhe o pescoço com uma faca, enterrou a faca até sentir o osso mas ainda assim não lhe conseguiu arrancar a cabeça - tristeza que acabou por levar para a cova porque não o chegou a fazer, mas o desejo de decapitar uma vítima e levar a cabeça com ele acompanha todos os ataques. Mas nesta ficou por aqui. Na segunda já a conversa foi diferente, havia mais que fazer, não podia pura e simplesmente matá-la sem mais nada. Assim a 8 de Setembro atacou Annie Chapman e não só lhe cortou a garganta com uma faca como a abriu, tirou o útero e levou-o com ele.

Começava aqui a parte mais horrível destes crimes: a maneira como a vítima era tratada. No terceiro ataque as coisas não correram de jeito: houve quem interferisse  e com isso não conseguiu estripar Elizabeth Stride como quereria e então fez um segundo ataque na mesma noite. Catharine Eddowes foi a segunda atacada da noite e com menos sorte que a primeira se tivermos em conta que Maybrick já tinha mais tempo disponível e portanto conseguiu cortar várias partes do corpo como nariz, orelhas, pálpebras, estrangulou-a, cortou-lhe a garganta, abriu-a a mais uma vez se divertiu com as entranhas: rasgou e cortou intestinos, útero e tudo quanto lhe aparecesse à frente.

Mas a "obra de arte" deste homem foi a última vítima, Mary Jane Kelly. A 9 de Novembro, Mary Jane precisava de dinheiro. Infelizmente o cliente que lhe calhou tinha outros planos para aquela noite. Subindo para o quarto que esta possuía deu início à maior barbaridade que se conseguiu lembrar. A polícia quando deu com o local não podia acreditar, e muito menos imaginar - o que terão sido os momentos passados naquele pequeno espaço. Mary Jane tinha sido completamente aberta e várias partes do seu corpo estavam espalhadas por todo o quarto.

As fotos existentes na altura são de fraca qualidade e por muito mórbido que possa ser tenho alguma pena. O que existe é suficiente para perceber as atrocidades que foram  tidas naquele quarto mas não acredito que fiquemos a perceber a dimensão de todo aquele cenário. A pobre moça foi cortada desde a cabeça até aos pés, os órgãos foram espalhados e colocados em sítios diferentes do corpo. Nem desta vez conseguiu tirar a cabeça e isso foi uma falha que acreditando no diário levou para a cova.

É horrível pensar que uma pessoa aparentemente normal tenha tido estes comportamentos. É impossível de pensar o que terão passado as 5 mulheres que foram vítimas deste homem. E ainda assim consigo achar fascinante a capacidade que as pessoas têm de esconder as suas atrocidades mais profundas atrás de uma imagem neutra. O prazer desmedido que tiram de situações horríveis como esta. São mentes claramente perturbadas mas não são também geniais? Parecendo que não - e sem contar com este diário - ninguém sabe ao certo quem foi Jack o Estripador. Ninguém consegue dizer se as cartas enviadas à polícia eram ou não do mesmo homem. James Maybrick parece ser realmente o homem que tão procurado foi mas só ao fim de mais de 100 anos chegámos a este nome. Não deixa de ser curioso!










domingo, 28 de dezembro de 2014

EU OFEREÇO LIVROS!

Como bookworm que sou quero sempre mais livros.

Como bookworm que sou sou muito picuinhas com os meus livros.

Agora verdade seja dita: isto é um problema para quem está de fora! Ou alguém me conhece muito bem e atira ao livro certo -  e sim senhor, tem um pedacinho da minha alma reservado - ou agarra num livro que parece interessante e com a maior das probabilidades vai errar.

Isto dito assim até soa mal mas é muito verdade. A maior parte dos livros que mais se houve falar, que mais destaque têm são livros que pouco me interessam. Não é geral, felizmente ainda há Saramagos nas estantes e em promoções chamativas. King continua fortíssimo a lançar calhamaços que são adaptados para filme ou séries e as livrarias põe-no nas ilhas maiores. Há clássicos que não se perdem nos anos e continuam sempre nas estantes, em edições lindíssimas a chamar por quem quer que passe. Por isso não sou contra o que está à vista, mas a maior parte do que lá anda não me interessa minimamente. Não apreciei Ken Follet quando o li. Não posso ver a Margarida Rebelo Pinto à frente. James Patterson tem demasiados meandros de escrita estranhos para o meu gosto. Não gosto de sagas adolescentes maricas com vampiros e/ou lobisomens e/ou zombies com as meninas inocentes que se apaixonam e fazem coisas estúpidas ao longo de uma série de livros. Não sou fã de ler soft-porn para pessoas de meia idade. Nora Roberts, Sparks, Jodi Picoult, Lesley Pierce e livros afins até só pelas capas e invólucros me dão comichões e nunca li nenhum deles. Quem tem ido às livrarias nos últimos tempos percebe o que eu estou a falar.

É por aí que digo que não é assim fácil de acertar sem conhecer o bicho.

Mas quem é que já deu AQUELE LIVRO a alguém? Saber que aquele livro assim que for visto pela pessoa que o vai receber vai ser instantaneamente amado e preservado no cantinho mais bonito e lustroso que houver. Já viram os olhinhos de um bookworm que recebe um livro que realmente queria? É qualquer coisa de muito especial. É mais brilho do que se pode imaginar. É qualquer coisa de outro universo!

Eu já ofereci livros assim! E sempre que ofereço livros gosto que seja por isto, porque sei que vai ficar num cantinho muito especial daquela pessoa! E podem ter a certeza que fica mesmo.

Portanto tudo isto por um motivo muito simples: se conhecem um bookworm metam conversa com ele sobre livros - com muito cuidado, há fortes possibilidades de nunca mais ouvirem o silêncio, principalmente se essa pessoa não estiver habituada a ter com quem falar sobre isso, tenham mesmo muito cuidado! Descubram quais são aqueles livros ou aquele tipo de livros que o faz vibrar, que não deixa dúvidas para "Gosto ou não, pode ser engraçado e tal" - Não! Não chega! Aquele livro que faz com que naquele momento o mundo pare, os olhos brilham e só existem duas entidades no universo: livro e dono!

Essa pessoa vai ficar radiante e quem oferece fica também! Quando a paixão é mesmo forte nota-se e sabe tão bem ver alguém tão feliz. Gosto de acreditar que somos um nucleozinho engraçado que retira prazer de umas folhas de papel sujas com tinta. Não são muitos os que vêem o verdadeiro valor disso mas quando o vêem é inesquecível!

Já agora, se o bookworm que conhecerem for eu estão à vontade para falarem de livros. Qualquer que seja o tipo, não discrimino! Venham a mim os livros! E se quiserem saber quais os que gosto mais e ainda estão na lista... Bem, não perguntem, a minha lista ainda é maior que a dos típicos bookworm, nunca mais me calava! Morria afónica, mas feliz!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

[cinema] Guardians of the Galaxy




Título: The Guardians of the Galaxy
Argumento: James Gunn, Nicole Perlman
Realização: James Gunn
Elenco: Chris Pratt, Vin Diesel, Bradley Cooper, Zoe Saldana, Dave Batista
Duração: 121 min
Ano: 2014


Há filmes que têm um sucesso estrondoso e toda a gente fica a falar deles. Vivendo eu no meio de comunidades nerds coisas do estilo deste filme são-me bombardeadas a toda a hora com os prós e os contras todos que se possam imaginar.

Vi o trailer assim que saiu e soou-me a que este filme tinha potencial para ser qualquer coisa de especial! As pessoas à minha volta que viram o filme falaram-me bem dele. E sendo completamente honesta tem seres estranhos, mundos estranhos, situações estranhas e agradou-me a ideia!

Muitas explosões, muita onda de lasers mortais em estilo Star Wars e um grupo de completos malucos - para não dizer pior ainda - que se juntam por motivos pouco convencionais. E logo que grupo. Acho que em sítio nenhum se arranja grupo mais heterogeneo. 

Agora, há um ponto a favor de tudo isto que me fez por este filme um pouco mais acima na categoria! Um tipo com algum gingar natural, com uma nave, a qual usa para fazer umas patifarias de vez em quando? Com uma equipa com elementos muito diferentes, alguns muito muito diferentes, moças hardcore e situações de porrada iminente? Pode ser só a mim que me faz o click mas a certa altura pensei: este tipo está a caminhar para ser o Mal! Captain Malcom Reynolds, dono da bela Serenity. Não tem nada a ver, entenda-se. Tomara algum dia este Starlord chegar a metade do nível do Mal mas o certo é que a ideia me passou pela cabeça e não consigo ser completamente imparcial aí. Aquela série ainda hoje me dá saudades!

Karen Gillan como Nebula também me surpreendeu. Eu habituadinha a ela como Amy Pond e aparece-me careca, vingativa e um bocado psicótica. Infelizmente o ar de alien não é muito a coisa dela mas ainda assim a ser uma coisa bem treinada podia ser muito interessante. Conseguiu ter momentos loucos e momentos interessantes, badass!

Mas nada bate o Groot! Digam o que disserem! Ele é adorável, ele é útil, ele é forte, ele é interessante! I AM GROOT devia passar a ser uma coisa qualquer importante! Já para não falar nos momentos de beleza pura que ele consegue, com aquelas luzinhas pequenas e o adorável que ele fica a dançar enquanto pequeno rebento!

Os efeitos visuais estão muito bons, cores definição, explosões, torna-se tudo muito mais real e engraçado. Às vezes até demais!

Mas de uma maneira geral gostei imenso do filme, divertido, com um argumento que para mim podia ser um bocadinho mais detalhado, mais geekzinho mas que ainda assim está bastante bom, a ir buscar várias personagens interessantes, com actores bem escolhidos para o papel, em situações típicas destes mundos heróicos.

Esperemos pelo que ainda veremos deste grupo que contra tudo o que se pudesse dizer ainda sobrevive para contar a história, e pelos vistos continuá-la...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

[leituras] Kassumai



Título: Kassumai
Autor: David Campos
Páginas: 116
Ano: 2013

As vezes as coisas surpreendem e este livro que tinha tão bom aspecto revelou-se rapidamente como Chili com carne. E desta vez não e uma salganhada pegada! Acho que e o primeiro livro que leio destes moços que não seja qualquer coisa de ar experimental-estranho.

Aqui temos um relato de uns tempos passados na Guiné, um grupo que durante uns tempos conhece e vive com os locais, cria um centro de formação juntamente com amizades com as pessoas que vão encontrando.

E neste livro temos o relato de muitas das coisas porque passaram, a alimentação que faziam, as bebedeiras que apanhavam, os sítios que conheceram, o calor que passaram, ...

O mais importante que retirei desta jornada que nos descrita foi exactamente a quantidade de relações que criaram nos tempos que estiveram por la. Sem dúvida que denota uma forma de estar completa mente diferente do que estamos habituados, as pessoas são mais humanas, tem menos distracções supérfluas, tem uma visão mais terra a terra das coisas.

Acho que deve ter sido uma experiência super divertida mas acima de tudo super enriquecedora. Sem conhecer os integrantes desta aventura arrisco-me a dizer que foram tempos a deixar saudades e vontade de voltar. Ainda bem que o fizeram e que deixaram outros ver tudo aquilo que esta neste livro.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

[leituras] em tempos havia os bois




Título: em tempos havia os bois (Magazine do Fantástico e Ficção Científica #3)

Autor: Charles W. Runyon, Barry N. Malzberg, Robert Thurston, Shinichi Hoshi, M. Mendelsohn, Charles V. de Vet, Robert F. Young, Bill Pronzini, David Reed, Isaac Asimov
Páginas: 157
Ano: 1971

Eu gosto de alfarrabistas, têm livros que geralmente não se encontram em lado nenhum e parece que ficam ali, à espera que eu os descubra e fique contente. Nos últimos tempos há um concorrente para os alfarrabistas, muito menos interessante devo referir mas que também tem as suas vantagens. As lojas de coisas em segunda mão que andam por aí espalhadas em todo o lado. E embora não sejam grande coisa na parte literária a verdade é que quem põe preços àquilo também não sabe o que é aquilo e encontra-se lá com cada livro baratinho. 

Este em específico custou-me uma fortuna, tive de poupar durante um bocado mas consegui: 50 cêntimos. Não é um livrinho grande, já está meio velhote e aqueles animais colam as etiquetas onde lhes apetece sem olhar ao que quer que seja mas sim, 50 cêntimos. Eu fiquei contentíssima, gosto imenso de apanhar livros deste estilo e este foi uma óptima experiência.

 Assim de rajada conhecia Asimov e mais nada. Muitos autores desconhecidos mas que alguns conseguiram juntar-se à minha lista de "to search more". Ainda são 10 contos, e são eles:

Em tempos havia os bois: Para começar esta antologia temos um mundo onde povos andam a invadir outros. Ainda pensei se seriam os tugas do próximo século mas acho que apenas nos seguem as pisadas que até nós já esquecemos que demos em tempos. Mas aqui as coisas são drásticas e claramente off the record: é suposto termos um intérprete para tentarmos comunicar com os nativos, claro que sim mas pelo sim e pelo não eles que nos sirvam... ou morrem. Mas desta vez dois membros da equipa acabam por ver primeiro como é realmente este povo e a verdade é que têm um segredo bem enterrado e que precisa de ser descoberto. É provavelmente o maior conto do livro, é interessante e cativa mas onsegue tornar-se um pouco confuso quando as coisas começam a acontecer. De qualquer das formas é uma boa leitura, com uma escrita que se lê muito bem. 

Dois mil e sessenta e um: Este é daqueles contos que chegamos ao fim e pensamos: "Whaaaaat?". Lemos uma coisa durante o conto inteiro e no fim há um plot twist qualquer que nos muda a história toda. Acompanhamos alguém que sofre de esquizofrenia induzida, começa a alucinar e o que vemos é o seu encontro com o técnico responsável, que o tenta acalmar e moldar ao mesmo tempo. Até trocarem de lugar. Aqui acho que a revelação final podia ter tido mais umas linhas, ficou muito crua. Deixa uma pessoa de queixo mental caído mas lentamente porque ainda estamos a assimilar as últimas revelações. Gosto de contos assim, e este tem uma história por trás interessante o que é só bom.  

Debaixo do cerco: Quanto a este tenho sentimentos contraditórios. Se por um lado gostei da escrita, gostei da dinâmica do conto não gostei da história. Um casal é comporto por um homem branco e uma mulher preta numa sociedade onde essas coisas são desprezadas e quase proibidas. Acontece que as vidas deste casal nunca estavam seguras e prova é que a mulher é violada por alguém "da sua raça" como deveria ser. E isso quebra o marido, jornalista, que acaba por escrever um artigo sobre o que se passou. Resultado disso é ver o homem que violou a mulher na sua casa, sem acção perigosa, agressiva, nada. Existia, fazia as coisas de casa, impôs a sua presença em silêncio. Apenas falava com a mulher e dessas conversas, proibidas a um branco, nasce qualquer coisa de estranho, uma empatia? Um reconhecimento? Não sei bem, o certo é que a vida deste casal é invadida, destruída por uma situação que nem faz sentido. Aqui o que não jogou para mim foi o desenvolvimento de partes da história. A escrita é muito boa, gostei de como nos leva a envolver na história, transmite realmente os sentimentos vividos não se limitando a descrever mas as reacções principalmente da mulher parecem-me demasiado avessas à minha pessoa para conseguir criar um laço amigável com o conto, ou pelo menos com ela. Mas verdade seja dita que gostei, e gostei bastante porque a história está realmente boa. A mim é que me faz comichões.

Ei... II, sai cá pr'a fo... ora!: Este foi outro que gostei imenso. Fez-me lembrar uma curta que vi nos ABC's of Death, chamado C is for Cycle cuja ideia era a mesma: acabar no início. É tudo sobre um buraco, infinito, ninguém lhe consegue ver qualquer tipo de fim e claro que alguém rapidamente se lembra: isto é o ideal para despejar todo o lixo que nos anda a estragar o planeta. Ate podia parecer uma boa ideia, mas será? É uma reviravolta estranha mas não é por isso que se torna pior. 

Pequeno Goethe: Este conto lembrou-me alguém. Temos um rapaz, se é que se lhe pode chamar assim, que embora tenho corpo disso é eterno. Não envelhece nem morre, existe na sua forma de criança pequena com o seu cérebro bem formado e culto. De forma a ir sendo sustentado vai sendo "adoptado" - e até "nasce" num dos casos - por vários casais que mais cedo ou mais tarde acabam por se aperceber de que há qualquer coisa de errado com este moço. Gostei em particular de uma das diversões dele: agarrar num texto e traduzi-lo para uma língua, daí para outra e assim sucessivamente até acabar as línguas que conhece retraduzindo para a versão original. A não bater palavra por palavra retomava desde o início. Sei de alguém que gostaria de fazer isto e passou-me logo na ideia mas é uma coisa tão engraçada de se fazer. O ponto forte neste caso é a história, não é um Benjamin Button, nem nada que se pareça embora o principio de idades seja igualmente estranho.

Segunda Hipótese: Mais uma vez os humanos a tentar arrasar tudo e todos na sua exploração louca. Todos os povos têm de ser seus vassalos dê lá por onde der. Neste caso um povo das montanhas que se julgava extinto, há muitos anos travaram uma imensa batalha da qual, supostamente, apenas os humanos teriam sobrevivido. Mas imagens e relatos recentes demonstravam o contrario, ainda havia resquícios dessa população escondidos no meio das montanhas. Por algum género de remorsos os humanos acharam por bem entrar em contacto, pedir desculpa, devolver parte do que tinham tirado à força e para isso enviam um representante. Este vai descobrindo várias coisas sobre aquelas pessoas e uma das coisas mais interessante é a sua capacidade telepática que de algum forma consegue manipular animais, ou seja, os animais que matavam para alimentação nunca traziam marcas de armas. É engraçado de ver que realmente não sabemos o que nos espera quando encontramos novos tipos de vida. Quais as suas capacidades? Sabemos lá até que ponto têm características diferentes das nossas e talvez mereciam um pouco mais de cuidado. No fim somos avisados para ficar longe, talvez sobrevivamos. Eu cá não sei mas tenho para mim que a ouvir uma coisa daquelas depois da demonstração de capacidades mudava de planeta.

Projecto grande ascensão: Este conto não me disse grande coisa, achei-o confuso, meio disperso, achei uma tentativa de juntar muitas coisas de maneiras diferentes para as diferenciar mas não acho que tenha corrido bem. Entre construções misturadas com deuses ou uns seres superiores semelhantes uma pessoa perde-se. É outro que gostava de ver estendido, parece que assim cai tudo muito em aberto e não cria grande nexo. As coisas com mais pontes e mais um pouquinho de conteúdo já nos inseriam num mundo diferente e possivelmente mais interessante.

Gato: Este é um conto muito muito bom. Eu gostei imenso e é uma coisa tão simples. Alguém que acaba de ler um conto sobre alguém com fobia a gatos. E o que é que está à frente dele assim que pousa o livro? Um gato! De onde veio o gato? Se ele fosse a personagem do livro estaria cheio de medo. Mas o que é que aquele gato está ali a fazer? E como? E porquê? É melhor chamar alguém para levar o gato. Mas onde é que está o gato agora? Deve ter ido embora. Afinal está no escritório. Que gato mais estranho. Porque é que está aqui este gato? Gato! Gato! Gato! É muito psicológico, é muito curioso, do estilo de história que explora uma situação simples pela parte psicológica mas simples e que se torna tão engraçado e cativante. 

Amanhã: Este aqui é estranho e interessante. Mais uma espécie de análise ao comportamento humano perante uma situação de perigo, de ameaça, de desconhecido que acaba por ser muito curiosa. Desta vez cria-se um campo à volta de uma casa onde há uma festa. Nada atravessará esse campo e ele começará a subir a apanhar todo o conteúdo, incluindo os convidados. Por isso a única solução é aproveitar os últimos momentos que têm já que uma vez começado não há nada que pare o desfecho. Não dão muita importância à reacção das pessoas e temos apenas um ou outro apontamento sobre isso no meio das personagens que acompanhamos. Tive pena porque o engraçado seria realmente ver as loucuras que se fariam nesses momentos e embora exista essa parte é uma amostra pequena. De qualquer das formas é mais uma ideia bem pensada e bem escrita que deixa uma pessoa a pensar se deve ir a festas ou não.

Ciência - tão fácil como dois mais três: Aqui é um pequeno desabafo sobre ciência. Sobre as dificuldades do avanço científico, sobre a evolução do que tem sido a ciência e de como é que tudo apareceu. O porquê e o como. Um bocadinho que me interessou bastante pelo carácter mais científico da coisa, pelas mãos do senhor Asimov. Para acabar não poderia ser melhor!



domingo, 21 de dezembro de 2014

O que há em mim é sobretudo cansaço...


Ao escrever este titulo lembro-me de duas pessoas, uma que começará a ler com o sobrolho alçado e outra que o faria de olhos bem abertos só com o entusiasmo. A seguir por este caminho escrevia tudo menos o que queria e por isso deixo só a nota que achei curiosa: nove palavrinhas apenas - que nada dizem - e a influência que podem ter no que seja que fazemos.

No Universo em que vivo com mais frequência nos últimos tempos, estou puramente cansada. Apetece-me dormir por umas semanas sem fazer o que fosse. Isto é dito da boca para fora, sou demasiado irrequieta para conseguir tal feito mas ainda assim é aquilo que só de pensar me dá mais prazer.

Escrevo com uma caneca de chá bem quente nas mãos, como faço com mais frequência do que é normal, a ver se aqueço um bocadinho ao mesmo tempo que a minha cabeça me manda para a cama. E isso acaba por se reflectir no quê? Em tudo! E uma das coisas que noto que sofre rapidamente com este meu mal é a minha parte de leituras. Fico cansada, com pouca vontade de fazer trabalhar a cabeça. Leituras leves? Fazem-se com bastante calma! Leituras mais interessantes que muitas das vezes implicam mais um bocadinho de esforço mental já não consigo. 

Aconteceu-me há dois dias, pegar num livro que sei ser interessante e que me vai cativar com bastante força mas li o primeiro capítulo e não retive metade do que li. Não identifiquei beleza literária, num autor que a tem a rodos, não lia completamente as frases, tentava perceber a história com uma leitura na diagonal. Ler assim não é ler e recuso-me a dizer que li um livro se assim o fiz. Resultado? Arrumei o livro, fica para outros tempos em que o meu cérebro colabore com o resto e me permita ler a absorver tudo o que está ali para mim!


Mas então como passar os próximos tempos no campo das minhas leituras? De forma minimal! Não consigo deixar de ler, nunca conseguiria fazer tal coisa, mas vou ler menos e descansar mais. Se calhar em vez de ler um grande livro vou antes ler um livro mais "fast food". 

Certo é que descansar é essencial! Os planos para leituras em 2015 são muitos e com objectivos bem definidos - coisa que nunca fiz na vida! Estou muito entusiasmada com o meu ano literário de 2015 que promete revolucionar as minhas bases e o meu reportório. Para isso preciso de descansar! Para isso preciso de absorver tudo o que os próximos livros me trarão e sem dúvida que não vou querer perder nada disso!