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Trailer
Começo a ver um padrão nos filmes que vejo com o Redmayne: a fotografia é sempre o ponto forte e o argumento o ponto fraco.
Para este filme levava expectativas altas e no geral não posso afirmar completo agrado ou desagrado. Tem muita coisa, e uns puxam para um lado outros para outro, não há forma de haver grande consenso.
A base do filme é bastante interessante, baseado no caso real de Lili Elbe, a mulher considerada a primeira pessoa a fazer a mudança de sexo, e numa tentativa muito ousada. Se tivermos em conta, para além da relevância médica, a altura em que se deu esta transformação (1930), vemos o grande motivo por isto ser mesmo muito especial.
Basicamente Einar Wegener era pintor, com sucesso, casado, mas algo dentro dele não estava bem. Ao pousar com roupas de mulher para ajudar a mulher, também ela pintora, deu finalmente asas àquilo que escondia dentro de si e que não sabia como lidar. A partir deste ponto há uma completa mudança em todo e qualquer rumo que pudesse por na história. Confesso que não fui cuscar a realidade antes para não me defraudar.
A premissa é seguida no filme, com várias adaptações, seja por simplicidade, seja para efeitos dramáticos mas o certo é que cortaram muita coisa, adaptaram muita coisa de uma forma que a meu ver não foi a melhor e no geral contaram um bonita história, emotiva e que transparece um problema real de muita gente neste mundo - e ao longo dos tempos - mas para mim não retrata completamente a história de Lili, retrata uma ficção inspirada que dá voz a uma situação e não tanto a uma pessoa.
Para mim isso tirou algum do realismo e da autenticidade que podia dar mais força ao filme. É um bom filme, mostra bem a mensagem que quer passar mas ainda assim perde o ponto forte que tinha, de ser uma história genuína de uma pessoa ridiculamente importante para o foco da discussão.
E mais a mais seria normal que fizessem adaptações, não só por ser um filme mas também para amenizar algumas das coisas. Porque a irmos ver bem as várias operações que aconteceram na realidade e que infelizmente ditaram a morte desta pessoa, não foram duas "simples" como postas no filme, mas sim 4, sendo que a última foi a construção do canal vaginal e o implante do útero e foi a rejeição deste segundo que levou à morte.
Agora, isto é em termos de argumento, porque se me perguntarem o que achei dos actores digo que estiveram estupendos. Eddie Redmayne, em especial, tem vindo a mostrar as garras e se já me tinha conquistado em The Theory of Everything aqui marcou ainda mais pontos do que os que já tinha.
Portanto óscares nisto: sim se for para actores ou para fotografia.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
sexta-feira, 27 de março de 2015
[cinema] The Theory of Everything
Realização: James Marsh
Argumento: Anthony McCarten, Jane Hawking
Elenco: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Tom Prior
Duração: 123 min
Ano: 2014
Depois de passado o hype dos Óscares lá fui ver este filme que me dava tanta curiosidade. Stephen Hawking é das mentes mais brilhantes que este planeta já encontrou e conhecer um bocadinho da história de vida dele era uma coisa que me interessava.
Parecendo que não toda a gente conhece este senhor, nem que seja por ser "aquele cientista de cadeira de rodas" ou "que tem uma voz esquisita".
Eu não consigo ser indiferente a esta personalidade mais que não seja por também andar metida nos meandros escuros e retorcidos da ciência e ver o que este homem tem feito independentemente das dificuldades que lhe têm aparecido à frente. É qualquer coisa.
Apresentam-nos o jovem Hawking, estudante de física, divertido e já brilhante e vamos vendo aos poucos uma evolução nos movimentos que tem, no andar, no usar das mãos, até ao momento em que o veredicto chega: esclerose lateral amiotrófica (ELA).
Os nervos vão deixar de funcionar, os músculos vão atrofiar, os movimentos não vão ser possíveis, comer ou falar também não, o tempo de vida seriam 2 anos. Isto em 1963, tinha ele 21 anos. Hoje tem 73 e ainda cá anda. O como é ainda muito complicado. Os esforços que são feitos para que ele mantenha uma capacidade de comunicar com o mundo são bastantes. É um cérebro genial, absolutamente brilhante num corpo que não lhe consegue fazer jus.
No filme vamos acompanhando o evoluir da doença, vamos vendo a vida que tinha com a sua mulher e os seus filhos ao mesmo tempo que os seus feitos científicos não são completamente esquecidos.
O filme está cheio de pequenas piadas inteligentes, várias referências a Doctor Who - YES! YOU ARE AWESOME MR. HAWKING - e por esse lado não me posso queixar. A única coisa que me dá alguma pena é o nível a que o filme foi romantizado. Não digo que o que está no filme seja mentira ou não se tenha passado mesmo assim mas foram buscar muito as coisas bonitas, muito eufemismo que por ali anda. Gostava que o filme fosse mais cru, assim dá muito a ideia de filme e menos de contar uma história real.
O que não invalida que o filme seja bom. Eu gostei imenso do que vi, os actores estiveram excelentes, principalmente Eddie Redmayne que foi genial. Ainda assim para mim o melhor foi mesmo ao nível de fotografia. O enquadramento das cenas, a imagem pormenorizada em cada uma delas faz um total muito muito bonito. Foi dos filmes com cenários e cenas mais bonitos que já vi, há uma preocupação enorme com esse factor mas que resultou muito bem. Parece mais uma sequência de postais do que um filme. É pouco realista, sim, mas em cinema fica lindíssimo.
Ainda hei de ler o livro, tenho alguma esperança que tenha mais detalhes e coisas mais interessantes e talvez chocantes. Mas a sério, a sério tenho é de ler os livros deste Sr.. Stephen Hawking do alto das suas rodas faz aquilo que muita gente nem sonha. Já está há 50 anos à espera de morrer mas não sem encontrar a Fórmula única que rege o Universo, o único Deus pelo qual se quer reger. A vontade que tenho agora de reler os livros da Fórmula da Felicidade é indescritível. Se calhar ainda vai ter de ser!
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