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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

[leituras] Dragões do Éden

Título: Dragões do Éden
Autor: Carl Sagan
Páginas: 269
Ano: 1977

Este livro é um Sagan, mais que não fosse chamava-me automaticamente. Comprei-o há um ou dois anos numa feira de livro usado no Palácio das Galveias (despachem-se a trazê-lo de volta :( ) e só agora é que arranjei espaço na pilha para o ler - abençoada lista de 2015.

Aqui tenho sentimentos contraditórios: por um lado é claramente um livro com uns aninhos, com um mundo que não é bem aquele em que vivemos hoje e isso tem de ser tido em conta. Para além disso é um livro de apresentação e ensino de como funciona o nosso maravilhoso cérebro. As várias áreas cerebrais, a maneira de transmissão da informação, a memória, a interligação das áreas ou a plasticidade que conseguem ter em determinadas alturas da vida. É um livro muito completo, muito claro e simples de perceber - não fosse Sagan - mas para mim tornou-se complicado de ler, a início. Eu que tenho formação nestas coisas acabei por não me sentir muito agarrada ao livro porque era explicar-me coisas que já conhecia - e conhecia, e conhecia, e conhecia - até em níveis mais profundos do que o que se fala no livro.

Passada essa curva de repetição o livro tornou-se muito mais engraçado e interessante. Fui aprendendo detalhes históricos, pormenores evolutivos que são realmente curiosos de conhecer e que nos dão uma ideia mais completa de como é que chegámos àquilo que somos hoje. 

Eu que acabo por gostar muito de conhecer ao máximo aquilo que me rodeia isto correu bem. Para mim foi mais complicado de ler mas para alguém menos inserida no assunto é um livro muito bom, muito explicativo e que nos mostra o fascinante que somos. 

Ter só em atenção que algumas coisas já não são bem como eram nesta altura (mais que não seja é fácil de ver que já há mais do que 200 000 computadores, não é?).

segunda-feira, 16 de março de 2015

[leituras] Contact


Título: Contact

Autor: Carl Sagan
Páginas: 432
Ano: 1985

Carl Sagan é um nome que me faz sempre levantar a orelha e prestar atenção ao que é dito. Ele tinha uma capacidade de falar de dados assuntos de uma forma tão humana, interessada e interessante que não dava muita margem de escapatória. Infelizmente não sou da época em que ele estava no activo mas felizmente essas coisas andam por aí para almas mais novinhas como a minha não fiquem privadas de ver estas coisas.

Sabia dos livros que andam aí dele e sempre me deixaram aquela ideia de que seriam geniais. São livros do Sagan, não há muito por onde falhar. Ainda tenho por aqui mais um para ler algures este ano, Os Deuses do Éden, mas fica para mais daqui a uns tempinhos que de momento a fila de espera está assim a dar para o grande.

Este Contacto é sobre uma realidade interessante: estarmos à espera que alguma coisa no Universo comunique connosco e as repercussões que isso tem em nós. Achei muito curiosa a abordagem que a certa altura se dá a isto tudo: instalamos os aparelhos necessários para captar alguma possível mensagem que ande perdida no Cosmos (see what I did?) mas e depois? O que fazemos com ela? Queremos realmente que comuniquem connosco? Saberemos lidar com isso?

Sinceramente nunca tinha visto as coisas nesta perspectiva mas foi engraçado de apanhar. A mensagem que receberam, no meio de outras coisas, tem os planos para a construção de uma máquina. Primeiro há mensagens a vir "do céu". É Deus? É o Diabo? E uma máquina? Para quê? É seguro? Não será uma forma de exterminarem a nossa raça? Uma coisa que aparentemente seriam boas notícias: felizmente conseguimos apanhar alguma coisa, consegue tornar-se rapidamente num quasi-pesadelo para quem trabalha nesses mundos.

Eu gostei das várias perspectivas que o livro aborda nestes casos. A comunidade científica reage de diferentes maneiras, a comunidade não científica reage de mais umas poucas e no fundo é muita guerra junta para uma coisa que seria, aparentemente, uma coisa simples e vitoriosa para a nossa tecnologia e espécie.

Ainda assim quero deixar a nota de que tendo eu uma imaginação bastante fértil e bastante treinada em fazer a representação visual das minhas leituras houve situações pelo livro nas quais me fui perdendo. Paisagens lindíssimas, vistas deslumbrantes que embora descritas e imaginadas souberam imensamente bem.

Agora, vendo o livro não pela história mas pelo desenvolvimento que leva: Sr. Sagan podia ter feito aqui uma coisa muito boa e achei que ficou só boa. Gostei imenso da história e como já disse fez-me ver as coisas por alguns pontos de vistas nos quais ainda não tinha pensado mas o livro começa de forma muito lenta, constrói muita história - parte completamente desnecessária - depois tem uma parte de livro muito boa, mexida, com muita coisa a acontecer, e bem, com um desenvolvimento brutal e bem contada. E no fim acaba de maneira, nem sei bem como descrever, mas talvez desligada. Não faz juz ao que acabámos de ler, ficamos com um gostinho a pedir mais, a pedir um fim condigno àquilo que acabámos de ler.

Achei que podia estar mais bem distribuído, tirar umas partes do início, ou fazê-lo avançar de outra maneira e o livro tinha um andamento completamente que faria uma leitura muito diferente.

Mas sem dúvida que o balanço geral é positivo. A escrita é bastante sucinta, com pontos aqui e ali de ciência que para uma nerd assumida como eu até sabiam bem e numa história onde faz todo o sentido que apareçam. Fiquei curiosa para ler mais Sagan e ver se ainda me consigo fascinar mais um pouco.