domingo, 25 de outubro de 2015

Internet Attack (XXXVI)

O conhecimento científico aparece de várias formas e com várias motivações. Por vezes temos curiosidade nalguma coisa e podemos ir ao google fazer a nossa pergunta e com muita probabilidade já alguém se lembrou de ver o que quer que seja que nos tenhamos lembrado.

É assim que eu sei que sou estranha com provas concretas: tenho muitas situações em que as minhas questões não estou expostas no google, o que quererá dizer muita coisa...

MAS, quem é que nunca se perguntou qual o efeito de receber álcool, por via anal, durante o sono?

Confesso que não é uma questão que me assombre com muita força, até porque a resposta me era demasiado simples e óbvia, mas não posso deixar de reparar que isto era mesmo uma questão. Com tantas questões metafísicas no universo e vamos pensar em álcool anal, enfim. Mas isto é uma cena, e foi mesmo analisado.

Para os curiosos - you know who you are - o efeito é exactamente o mesmo de quando bebido pela outra ponta do tubo. Por isso cada um sabe de si, seja por uma ponta ou por outra.

Continuando no mesmo trato mas numa perspectiva diferente:


Quando vi a imagem que anunciava este vídeo não percebi imediatamente o que estava a ver ou o tipo de informação que me estavam a dar. Vendo o vídeo ficamos muito esclarecidos, e aquilo que poderia ser uma coisa "engraçada" é uma realidade complicada que para nós está longe.

Milhares e milhares de pessoas a viver numa região onde apenas há 4 casas de banho públicas. 4! A solução que encontram é irem ao mar, habitantes e trabalhadores de passagem, toda a gente. É a melhor maneira que têm de fazer as suas necessidades. Ir ao mar.

E queixamo-nos nós quando a sanita no inverno está fria...

Para acabar de maneira menos intestinal vejamos isto:


Literalmente: "Guy with cornrows eats corn while listening to KORN". Só porque sim!


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

[leituras] League of Extraordinary Gentleman

Título: League of Extraordinary Gentlemen
Argumento: Alan Moore
Desenho: Kevin O'Neill
Páginas: 416
Ano: 2005

Isto vinha com muito boas recomendações, a edição já sabia que era lindíssima e magnífica, só me faltava mesmo ler.

E não fiquei nada desiludida.A história é brilhante, as personagens são caracterizadas especialmente bem, com todo o cuidado e consistência ao longo de todo o livro, a arte é estupidamente boa, eu nem sei.

A ideia de juntar personagens tão diferentes, em personalidade, cultura e vivências é muito boa, e os relacionamentos que se criam nesse sentido são sempre interessantes de analisar!

Senão vejamos o grupo: Wihelmina Murray (Dracula), Capitão Nemo (Jules Verne), Dr. Jeckill, ou Mr. Hyde, depende (Stevenson), Allan Quatermain (Minas do Rei Salomão), Griffin (H.G.Wells - Invisible Man). É preciso dizer alguma coisa? Isto é o livro mais do que certo para os geekzinhos que devoram estas coisas! É simplesmente perfeito! 

Eu de certeza que não apanhei todas as referências espalhadas ao longo do livro, embora tenha apanhado umas poucas, mas ainda me falta estaleca para conseguir apanhar este livro de forma completa. E aí isto ainda se orna melhor!

Para mim o livro só tem um problema. O livro é essencialmente dividido em duas partes, e no fim de cada parte, de BD, temos umas páginas de narrativa. O problema é que é um texto muito mais pesado, bem denso, e que depois do embalo que uma pessoa leva da história é um contraste demasiado grande. 

Essas partes até são interessantes mas é demasiado pesado e naquele contexto não acho que faça sentido. 

Agora, deixando isso de parte, tenho de chamar a atenção para que este é um livro que sendo muito completo e que envolve várias temáticas, várias situações do mais diverso possível. Há violações, há morte, há aventura, há amor, há muita coisa mesmo. 

E há Mr. Hyde a ser brutal, a ser o monstro que todos os chamam mas com retoques brilhantes entre o mórbido e a justiça! Uma das personagens que mais gostei de encontrar ao longo de todo o livro, sem margem de dúvida.

É um verdadeiro livro para apreciadores de literatura, é um excelente livro para quem conhece e para quem não conhece, mais que não seja pela curiosidade que desperta em várias áreas e obras.

Grande, grande livro. E um dia quando for mais crescida releio, e ainda me vai saber melhor!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

[leituras] Lisboa Triunfante


Título: Lisboa Triunfante

Autor: David Soares
Páginas: 415
Ano: 2008

Quando descobri David Soares foi uma revelação imensa para mim de que havia um autor português a escrever coisas tão estranhas e de forma tão bem feita. Fiquei fã desde o primeiro livro que li - Os ossos do Arco Íris - e nessa altura começou a demanda por ter e ler os livros que já existissem deste senhor. 

Li BD, li contos, li romances e as coisas tinham altos e baixos mas eram sempre leituras interessantes, com perspectivas bizarras e ideias como se vê em poucos sítios. 

Entretanto saiu o Palmas para o Esquilo, uma BD sobre loucura que me deixou interessada desde que soube que ia ser feita. Depois foi só desilusão, num livro com tanto potencial, bons desenhos, uma história que podia estar interessante e louca, ao mesmo tempo, e que acaba por não coneguir manter um ritmo seja de que ordem for pelo argumento que tem e uso e abuso de palavras que nem um autor de dicionários conhece. Fiquei desiludida a níveis ridículos e fiz uma pausa do autor. Precisava de um tempo...

Depois desse livro li o Compêndio, que é brilhante, li o Sepulturas dos Pais que está bom - com o aparte do fim, mas pronto - e agora o Lisboa Triunfante que estava na prateleira a ganhar pó há uns tempos.

Quando comecei a ler apareceu-me Aquilino e a minha felicidade foi imensa. A Conspiração dos Antepassados é um livro extraordinário e se este lhe seguisse as pisadas não podia falhar muito. Não seguiu mas não foi assim tão mau.

O livro é muito escrito por partes. A início torna-se confuso termos tantos inícios de história que param nalgum ponto e parece que não ligam com nada e que nunca mais vamos ouvir falar deles. Fazem todos parte dum plano maior, sim, mas as bases são muito disconexas e caem muito do ar. O início começa forte e prende rapidamente mas depois quase todo o livro é muito debitar de informação que não é assim tão relevante. Eu senti que tive umas aulas de história e quase uma conversa sobre vários dos assuntos que já nos habituámos a ver como conhecimento detalhado em David Soares, mas que para a história dão algum contexto, mas não era preciso tanto. 

O início, como disse, é especialmente interessante e dá um mote forte para o livro, mas depois isso perde-se na grande maior parte dos capítulos de permeio, e só no fim voltamos à garra inicial e ao interesse que tínhamos lido há umas 250 páginas atrás.

Porque lá está, a história é bem interessante, gostei dos twists que leva lá pelo meio, do elemento sobrenatural que joga muito bem pela história, mas metade do livro era dispensável, não evolui grande coisa na história, dá contexto mas a um nível que não se torna relevante e que faz esquecer o que estávamos a falar desde o início. 

Fiquei com pena porque achei que a ideia podia ser muito melhor explorada do que foi, e mesmo assim gostei do livro. É um livro mais à la David Soares mas com toques a mais que eram desnecessários. 

De qualquer das formas é um bom livro, uma leitura interessante e uma perspectiva diferente de algumas coisas que podem existir no mundo. Ainda me falta ler o Evangelho do Enforcado, a ver se trato disso nas proximidades.  


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

[leituras] Barry Trotter and the Unnecessary Sequel

Título: Barry Trotter and the Unnecessary Sequel
Autor: Michael Gerber
Páginas: 328
Ano: 2003

Numa daquelas idas a alfarrabistas apareceu-me um livro com o estilo de Harry Potter. Qual não foi o meu espanto quando descobri não o próprio mas um Barry Trotter! Eu nunca tinha ouvido falar disto mas como boa Potterhead tinha de investigar e ler esta obra!

Percebi logo que era um segundo livro duma paródia aos livros originais com umas alterações no mínimo bizarras.

O Barry teve a sua história divulgada no mundo muddle pela J.G. mas não com tudo bem contado. O Barry é casado com a Ermine Cringer, o Lon Measly teve de ser sujeito a uma troca de cérebro com um cão e quem estava a gerir Hogwash - School for Wizardry and Witchcrap - era Dorco Malfeasance. Já para não dizer que o falecido Alpo Bumblemore aparece como Mumblemumble. Enfim...

Embora tenha alguns momentos engraçados, de uma forma geral isto é muito essencialmente parvo. É um humor mais parvo do que outra coisa, com tanta coisa que a saga Harry Potter tem para pegar eles não o sabem aproveitar e metem o Hagrid a ser um completo atrasado mental, o Ron tem um cérebro de cão e portanto não é muito melhor, o Harry consegue ser só infantil, nada joga muito bem.

Tinha potencial e é desperdiçado. Há maneiras de gozar com as coisas e fazê-las engraçadas, desta vez não foi isso que aconteceu. Foi só palerma, gozo parvo e sem grande piada. 

Não é um livro que seja especialmente interessante.  

domingo, 18 de outubro de 2015

Internet Attack (XXXV)

Às vezes a internet dá-nos mais do que estávamos à espera.

Eu sei que o Elvis, a Marylin, o Michael Jackson e a Princesa Diana estão vivos numa cabana à beira mar mas agora surgiu um novo acontecimento - para o meu conhecimento, que isto já não é de agora.

Então não é que me apareceu um site a avisar que a Avril Lavigne morreu em 2004 e foi substituída por outra moça?



Eu a início vi isto e pensei: "do que as pessoas se lembram" e depois fui mesmo ver o site.

Eu também fui das pessoas que até achava piada à moça no início, era toda skater e badass e tinha piada. Depois ficou do grupo dos fixes e não parecia a mesma... Oh oh...

A verdade é que houve uma evolução drástica, fosse na roupa, na postura, na música, bem, em tudo aquilo que se vê da mocinha, agora se a "original" morreu ou não...

Devo dizer que há ali muito trabalho investido. Horas e horas a ver os vídeos todos existentes e não existentes, frame por frame, a descobrir todos os "códigos" secretos que estas pessoas más esconderam por lá.

Há vídeos a comparar vozes, há vídeos a comparar narizes, há vídeos de uma entrevista em que perguntaram a "Avril falsa" se ela era um clone. E ELA NÃO RESPONDE!!! Não precisamos de mais provas.

Há várias pessoas que continuam ainda hoje a descobrir mais coisas e a mostrar fotos da "nova Avril" antes de ser Avril - afinal a moça chama-se Melissa - e no fim é importante perceber que não quiseram a morte dela porque viram ali muito dinheiro ainda por fazer e montaram uma farsa.

Vou deixar um antes e depois, só porque sim!



(ela tem uma saia de cupcakes, pah...)


Se as horas gastas a investigar esta troca de corpo fossem gastas em coisas um bocadinho mais úteis tínhamos aqui gente muito competente. O que o CSI não se pela por apanhar pessoas tão dedicadas.

Eu cá não sei se trocaram uma pela outra, se a pobre moça morreu ou não, sei que olhando para o meu horário e calendário eu gostava de ter o tempo que esta gente tem para tratar disto. Até porque já foi em 2004, deixem lá a morta em paz.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

[leituras] Comandante Serralves - Despojos de Guerra

Título: Comandante Serralves - Despojos de Guerra
Autores: Carlos Silva, Inês Montenegro, Vítor Frazão, Ana Filipa Ferreira, Joel Pulga, Rui Leite
Páginas: 154
Ano: 2014

Eu tinha uma boa ideia deste projecto. Parecia-me ter potencial, via-lhe uma porta muito bem composta para ser um livro bem porreiro e com muito para dar.

Não me enganei muito!

A ideia é original, bem apanhada e bem concretizada. Temos seis mãos a pegar neste mundo universal, unificado e separado ao mesmo tempo, com um Comandante inteligente. de olhos verdes, que vai trocando de corpo à medida que aquele onde estava morre. Uma transferência de personalidade que acaba por matar a pessoa que "doa" o corpo. É uma ideia que pode ser muito bem apanhada - só fiquei com medo que caíssem numa onda do Nómada da Meyer mas o perigo passou, por enquanto.

Embora sejas várias partes, em diferentes tempos com diferentes situações está tudo muito ligado na mesma história e de uma maneira geral o livro podia ter sido escrito por uma mão. Há distinções nos textos, nos tipos de escrita, mas está bastante uniforme, para o lado bom e mau que isso possa ter. Por isso não os quero separar, gostei do livro como um todo, esteve melhor do que pensei a início. A escrita nalgumas partes está realmente boa e cativou-me bastante. 

Ao ler isto os tiques do tipo lembraram-me um amigo meu e portanto li o livro com um Comandante Serralves mais "real", e imaginá-lo a passar as várias situações que são retratadas no livro é bem engraçado.

Mas enfim, o livro é bom, fiquei contente por ter uma qualidade elevada e não ser só mais uma colectânea que junta coisas e as apresenta em forma de livro. É uma coisa estruturada, bem pensada, dinâmica e com muito potencial para continuar. Por vezes as histórias deixavam a vontade de continuara a saber o que se passou ali, qual seria o fim que aquele momento teria. Por aí talvez gostasse que tivessem feito as coisas de outra forma, mas e daí sei lá, ainda muito pode vir deste projecto.

Vou ficar à espera, vou querer ver mais e ver o que é que esta gente apresenta mais. A qualidade que não diminua e as coisas que continuem a sair.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

[leituras] Habibi

Título: Habibi
Autor: Craig Thompson
Páginas: 672
Ano: 2011

Aqui há já uns tempos largos vi um filme bem engraçado chamado "O Visitante". Eu na altura gostei do filme e lá pelo meio havia um casal que quando estavam mais esquinados o marido tratava a mulher por "habibti". Eles no filme levam aquilo na brincadeira, por ser um nome fofinho para ver se conseguia "acalmar a fera" - e resultava.

Aquela palavra ficou-me na ideia, investiguei na altura e vi que havia duas formas, habibti para a "minha amada", habibi para o "meu amado". 

Dito isto, passado uns tempos apareceu-me este livro à frente. Uma edição bonita, uma capa com ar adorável e fiquei curiosa para ver o que vinha daqui, já que o nome só por si me chamava bastante. 

Ainda demorei a pegar nele, até porque ainda são umas centenas de páginas, mas este verão lá me decidi. 

O livro consegue ser bonito e bruto ao mesmo tempo, se lermos nas entrelinhas. É um livro calmo, que se lê muito bem, um livro que nos conta uma história, com todos os pormenores, mas com ênfases diferentes. Não é fácil gerir essas diferenças do que dizer e como mas neste caso tem um aspecto completamente natural e interessante.

Dodola e Zam são duas crianças. Abaixo disso são dois escravos fugidos que só se têm um ao outro. Vivem num barco perdido no meio do deserto e Dodola faz o que precisa de fazer para ter meio de sustentar-se a si e ao pequeno Zam. 

A história se for vista e pensada devidamente é forte, é triste e é preocupante, no entanto é-nos contada de tal forma que percebemos tudo, sentimos tudo, sem necessidade de recorrer a nada estupidamente explícito. É essencialmente um livro inteligente.

É daqueles livros que não sendo um conto de fadas cheio de coisas brilhantes a acontecer é um livro lindíssimo pela autenticidade que cria e o ambiente de ingenuidade que nos consegue passar em grande parte da história.

Sem dúvida que mais gente devia ler o livro, vale bem as horas passadas a lê-lo!