domingo, 12 de outubro de 2014

As BD são caras!

Eu sou fã de BD. Desde pequenina que quadradinhos contadores de historias me fascinam e sempre que a oportunidade surgiu agarrei-me a eles para conhecer coisas novas.

De há uns tempos para cá tenho lido mais e ainda bem porque são leituras, hum, menos trabalhosas (às vezes). A parte visual acaba por não nos obrigar a imaginar tanta coisa - e de longe estou a dizer que isso é mau - e muitas das vezes também são historias mais pequenas, menos coisas para ler e assimilar. 

Mas eu claramente noto uma diferença naquilo que lia e no que leio agora e é simples de ver a associação: 

1. Banda desenhada ainda e um género caro. 
2. Há ainda muito preconceito com a banda desenhada.
3. Não há grande cultura / hábito de ler banda desenhada.

Quanto ao terceiro ponto, talvez o mais simples de abordar, acaba por ser facilmente notado indo a uma qualquer livraria. A secção de banda desenhada esta num canto escuro que muita gente nem sequer seja a encontrar numa passagem rápida. Nos últimos tempos até tenho notado uma bela mudança nestes domínios e já há uma maior divulgação mas ainda não se compara com o que deveria ter. Mas lá chegaremos!

O segundo ponto também é bastante simples: bd é livro para crianças. Claramente. Homem adulto não anda por aí a ler bd, até parece mal. E difícil encontrar pessoas já passadas da adolescência a ver livros de quadradinhos. E não faz sentido. Entreguem um Lost Girls ou um V for Vendetta ou um The Killing Joke a uma criança e vejam a reacção. Há, claro, bd para criança, assim como as há para todos os outros géneros que se possa imaginar. Não me faz sentido a associação que fazem, quase o descrédito que se da a tudo isto. Quase todos lemos Astérix e Obélix, Tintim, Lucky Luke e especialmente Tio Patinhas. Mas há mais - ainda que se continuem a ler esses, que são sempre bons.

Como eu sou do contra o primeiro ponto e o último, mas foi o que me levou a escrever tudo isto. O preço das bd. 

Uma BD custa no mínimo uns 10 euros. Se quisermos umas obras um bocadinho maiores - em tamanho ou nome - e bastante fácil passar dos 30's e 40's.

Eu poucas BD tenho, embora gostasse de ter bastantes mas acabo por não conseguir ter mais. "A vida não está fácil para ninguém" ouvimos disso em todo o lado mas acaba por ser verdade. Em feiras do livro, em mega promoções ainda se encontram coisas a preços mais acessíveis mas de uma fora geral fazer uma biblioteca de BD não é, de todo, fácil. 

Eu até percebo os preços, um trabalho de edição de BD é mais caro que de um livro normal, mais ou menos, mas embora compreenda acabo por ficar triste por esta ser uma realidade. Tenho lido bastantes BD, felizmente, mas a maior parte e por intermédio das BLX. Têm uma boa colecção de BD, com algumas relevantes no panorama do género o que só pode deixar os leitores muito contentes e agradecidos. Eu pelo menos sou requisitadora assídua e já li tanta coisa boa assim. 

A BD também esta a começar a ter mais relevância, mais atenção por parte do público geral, mais dinamização de coisas relacionadas e embora isso possa ter vantagens e desvantagens uma sem dúvida será o aumento do numero de BD publicadas e vendidas e supostamente a diminuição do preço. Eu vou continuar cá à espera, depois começo a comprar mais umas poucas para juntar a minha biblioteca - linda maravilhosa e awesome - pessoal.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

[cinema] Lucy




Título: Lucy

Realização: Luc Besson
Argumento: Luc Besson
Elenco: Scarlett Johansson, Morgan Freeman


Ultimamente não tem havido grande coisa em cinema que me tenha chamado a atenção. Este foi o último que me chamou e lá fui matar as saudades da sétima arte.

Poucos serão os que dirão que não conhecem este filme, foi bastante publicitado e a sua premissa é um dos mitos que muita gente acredita ser verdade.

Assumindo ainda assim que alguém não chegou a tomar conhecimento do que se trata neste filme a ideia é bastante simples: crê-se que apenas usemos, como seres humanos, 10% da capacidade cerebral que temos. Mas se já fazemos tanto com apenas uma ninharia o que aconteceria se conseguíssemos acesso a 20%? E 30%? E 50%? E 100%?

Alguém desenvolve uma droga capaz de "libertar" o nosso cérebro e seria a próxima moda em droguinhas porreiras para deixar o pessoal meio abananado para o que agora se chama "divertir com os amigos" - ou seja, estados de semi inconsciência para mais tarde não recordar #yolo. (Para os possíveis Sheldon deste mundo: isto foi sarcasmo!)

Para fazer o transporte da dita substância precisam das "mulas" que recrutam no meio de Taipé, ou pelo menos assim foi com a nossa Lucy. Enganada por um suposto amigo vê no meio de sangue e morte e acorda com um saco de droga dentro do estômago. Só que o saco rebenta dentro dela e a fuga faz com que o seu cérebro seja a experiência necessária para responder à pergunta que fizemos ao início.

Ao menos isto tem um bom fim: chamar o Morgan Freeman! Só pela voz do senhor valia a pena ver o filme que aquilo é só estilo.

Eu acabei por gostar bastante do filme, de uma forma geral. O ponto aqui é que tenho de me esquecer que sou uma rapariga das ciências e que sei que metade daquilo não faz o mais pequeno sentido. Mas tirando isso o filme é fantástico! Se conseguisse fazer um reset à minha mente este filme teria sido uma coisa muito muito boa. Assim não dá. Tenho a cabeça demasiado formatada para aceitar tudo aquilo.  Bem que me tinham avisado que a ignorância era uma bênção.

Antes de ver o filme vi uma entrevista com o realizador, Luc Besson, onde ele dizia que fazer um filme deste tipo direccionado para adultos não é fácil, é um público exigente e acaba por haver poucos corajosos a aventurar-se a fazer estas coisas. Ele, como adulto cinéfilo que é, sabe o que quer ver quando vai ao cinema e então faz os filmes nessa linha de pensamento. Sem dúvida que os últimos trabalhos que tenho visto deste senhor me têm deixado satisfeita e acho que ainda terá potencial para se aventurar para mais coisas melhores ainda.

Neste caso, e para acabar, gostei imenso do filme - tirando o fim, não fez sentido!, mas pessoal de ciências: reduzam o grau de exigência científica.





quarta-feira, 8 de outubro de 2014

[leituras] Homem-Aranha - A última caçada de Kraven




Título: Homem-Aranha - A última caçada de Kraven
Autor: J. M. DeMatteis, Mike Zeck
Páginas: 150

No mundo de super-heróis o Homem-Aranha não está no meu top. Mas vá-se lá saber porquê tenho alguma afinidade com o moço, acho-o engraçado.

Nunca li muito deste universo embora acompanhe os mais recentes desenvolvimentos!

Neste livro somos logo avisados - no prefácio - que esta história foi considerada a melhor de Homem-Aranha e embora não conheça grande coisa sem dúvida que foi a que mais gostei até agora.

A premissa é simples e apelativa: mata-se o aracnídeo e vamos substitui-lo pelo Kraven com o mesmo fato e tudo. Ok, talvez nos tempos que correm isto não pareça muito depois da história com o Doctor Octupus mas isto vem de 1987, muito antes das trocas todas que temos agora.

O certo é que esta história está muito bem pensada e executada. A maneira como põe grande parte do livro como pensamentos das personagens, o contraste do que se diz e do que se pensa, principalmente no meio de situações de tensão é um bónus que se agradece.

Em sucessões drásticas como é esta de substituir o super-herói por vezes fica a sensação de que as voltas que se dão, para solucionar ou não aquilo que andaram a arranjar, tornam-se um pouco forçadas, pouco naturais, não fazem grande sentido a que as coisas acontecessem assim - mesmo assumindo completamente legítimo estarmos num mundo com super-heróis. Aqui não se nota nada disso: há uma história que se conta e se vai desenrolando calmamente, com os pontos todos que precisa, com seguimento e sem mudanças repentinas para agradar ou chocar.

As ilustrações estão completamente ligadas ao desenvolvimento que vamos acompanhando, com grandes planos de pormenores que só conseguem tornar os momentos mais intensos e reais (em alguns momentos bem mais nojentos do que seria necessário para mim, dispensava aquela rataria toda que por ali anda).

Acho que agora terei de ler mais umas coisinhas do Homem-Aranha porque este soube-me demasiado bem. Quero mais.






segunda-feira, 6 de outubro de 2014

[leituras] Lord of the Rings




Pois que ainda nunca tinha acontecido. E custou. Mas foi. Depois de ter lido o Hobbit aqui há uns tempos estava na altura de pegar na tão afamada trilogia.

Vi os filmes há já 3 aninhos, mais ou menos, mas gostei imenso daquilo e verdade seja dita, os livros têm sempre tanto para nos dar, muito mais do que os filmes na maior parte das vezes. Eu prefiro ler primeiro e ver os filmes / adaptações depois mas neste caso não me fez muita confusão.

A curiosidade era muita e embora esta história seja muito conhecida e falada em tudo quanto é sítio o que ainda me aliciava mais e queria realmente experimentar era a escrita de Tolkien (e entrar em Middle Earth, é mais um daqueles sítios mágicos que gostaríamos de visitar um dia!).

E não houve desilusões: gostei imenso dos livros e gostei imenso da escrita. São três livros, cada um dividido em dois mas como enquanto os lia fui tirando notas mas não escrevendo realmente as coisas todas que queria dizer optei por este apanhado geral dos três (seis).

Isto dito: demorei demasiado tempo a ler isto! Tenho imensa pena de não pegado nisto quando ainda andava na escola, ia adorar ter lido isto e andar a fazer parte destas aventuras todas. Ainda que mesmo assim tenho gostado imenso na mesma!

Embora eu consiga perceber o ponto de quem não acha grande piada a esta trilogia ("Isto são três livros a dizer-nos que um grupo inter-especies anda de um sitio para outro para deitar um anel fora") mesmo só sabendo os contornos básicos nunca consegui concordar e agora vejo bem que nunca na vida seria uma descrição adequada. 

No Hobbit temos - à parte de termos o Gollum que é simplesmente genial - a descoberta de um anel, O anel! Bilbo ainda "jovem" nas suas aventuras inesperadas arrancadas à base da força por Galdalf. Aqui temos esse mesmo Bilbo já velhote, já a precisar de descanso e não de mais problemas e preocupações como é sempre o propósito do anel. Passa então a pasta para o sobrinho, Frodo Baggins que será o portador do anel até ao fim desta aventura.

Mais uma vez temos pacatos hobbits a deixarem os seus buracos tão simpáticos para irem a terras desconhecidas e bem afamadas de perigosas. Mesmo com toda a beleza que se encontra pelo caminho a jornada não é de todo fácil.

Mas houve duas coisas que gostei especialmente em tudo este enredo: o grupo que se formou e a evolução da escrita ao longo de tudo.

Primeiro o grupo: 9 seres, Gandalf, Merry, Pippin, Sam, Frodo, Boromir, Aragorn, Legolas e Gimli. Grupos mais estranho e misto não poderia haver - pelo menos em espécie e feitio, porque em género o dado está um bocado viciado. Achei mesmo curioso perceber como iria evoluir aquela jornada toda com 9 marmanjos, e que marmanjos. E nada bate a amizade de Legolas e Gimli, é só genuinamente brilhante, faz sentido, é bonita, é engraçada, é uma verdadeira amizade que só fica ali bem!

Em segundo: os cenários são completamente diferentes no início e fim dos livros. Começamos no Shire com os campos verdes, os buracos dos hobbits todos acolhedores e que dão vontade de dormir uma bela duma sesta e ler um livro e beber um chá, tudo isto enquanto olhamos pela janela e vemos um bela paisagem lá fora. No fim estamos confrontados com ruína e com o olho de Mordor, tudo negro, nada cresce, nada vive, apenas o olho. São ambientes em extremos opostos e o que me faz referir isto é a diferença que fui notando na própria escrita. Conforme ia lendo ia notando que a escrita era mais densa, mais negra, mais rígida. Involuntariamente senti-me mais soturna, mais envolvida na história ainda do que doutra forma. Sem dúvida que esta escrita me convenceu, super simples, super calma mas que nos dá uma dimensão dentro da história que poucas conseguem fazer.

Resumindo! Hei-de reler isto daqui a uns tempos, e nas proximidades terei de rever os filmes. E não tarda tenho de ler o Silmarillion, mas isso já fui avisada que é leitura para férias por isso ou lá para o natal ou fevereiro.

Até lá, deixo a Terra Média e vou pregar para outra freguesia!






domingo, 5 de outubro de 2014

Isto de ser nerd dá uma trabalheira que nem vos conto!

Há pequenos pecados que uma pessoa que se insere no mundo nerd tem de ter em conta. Quando me meti mais nisto apontaram-se logo vários dedos: "Nunca viste os filmes todos de Star Wars?", "Nunca viste Os Senhores dos Anéis?", "Nem os leste?", "Ainda usas o Internet Explorer?". Tudo perguntas pertinentes e que tive de resolver rapidamente. Uns mais rapidamente que outros, diga-se. 

Ok, deixei logo o Explorer e juntei-me ao pessoal que se indigna de cada vez que o encontra aberto em qualquer pc como se fosse uma falha imensa. 

Star Wars vi logo os seis no Verão seguinte à chuva de desgraças. Senhor dos Anéis ainda vi antes (extended versions). Mas ler só li neste verão, depois do Hobbit uns tempinhos antes.

Entretanto para a minha ascensão ser mais rápida ainda comecei a receber no meu feed cada vez mais informações de sites e páginas nerds. Qual a consequência disso num espírito curioso? Descobrir mais coisas engraçadas e começar a ver, ler, fazer ainda mais coisas.

Harry Potter cresci com ele, sou fã independentemente do tudo o que queiram dizer da J.K. Rowling, dos livros, dos filmes, dos actores, do que queiram. Cresci a acompanhar este mundo e acredito piamente que Hogwarts will always be there for me. É provavelmente a minha primeira panca a sério com coisas destas e não acho que já não tem remédio.

Assim descobri Firefly e me juntei ao grupo dos que imploram por explicações, por mais do que aquele filme que não nos saciou a curiosidade nem as saudades. Aquele genérico ainda soa nos meus ouvidos....

Também por andar nessas páginas fui encontrando muita coisa com uma Police Phone Box, fui-me apercebendo de que seria também alguma coisa que devia conhecer. E aí foi o descalabro. Se a início não conhecia e timidamente perguntei o que raio era aquilo logo de seguida fui apanhada no meio de tanto cruzamento temporal e espacial. And so Doctor Who begins. Aproveitei o verão antes dos 50 anos e num mês vi as temporadas recentes todas - e cada vez que penso nisto vejo o ritmo alucinante a que vi aquilo, mas enfim! Esta ficou uma paixão ainda mais forte do que as outras e se durar outros 50 anos - it will - continuarei firme à espera de cada Doctor regenerado, cada Dalek perdido, cada novo companion, cada nova aventura. (Até só por este bocadinho nota-se um bocado a panca mas é perfeitamente saudável.)

Também Sherlock já está na lista de esperas - estes períodos entre temporadas matam uma pessoa. Série genial, muito bem adaptada, muito fiel ao tipo de Sherlock que identifico nas histórias que fui lendo. É tão bom passar aquela hora e meia a ver o Bilbo e o Cumberbatch a andarem de um lado para o outro. Sim, porque depois juntar actores em várias coisas é sempre interessante - e quando se fala de coisas britânicas é mais do que certo que vai acontecer. (Doctor Who e Harry Potter ainda vou ter de pegar nisso porque é um caso ridículo)

E isto estou a focar mais em séries e afins porque é o mais fácil de encontrar nestas coisas e também porque livros não falham no meu dia a dia e nem poderão falhar nunca. Ainda não li os Sagan, mas tenho dois em casa na lista, já li alguns de Verne (são muitos não dá para ler tudo em tempo útil que a dimensão da minha lista a ler é exponencial), ainda não li nem vi Martin - mas estou a caminho disso, adoro Lovecraft e de vez em quando tenho de ler qualquer coisa, gosto imenso de ver a Teoria d Big Bang e mato-me a rir mesmo com episódios que já vi 7 vezes, desde há uns tempos para cá que acompanho a Marvel mais a sério, ver os filmezinhos todos - com as devidas fases que isto é tudo muito organizadinho - seguir Agents of S.H.I.E.L.D., ler os comics que vão saindo e ver em que pé é que estamos porque milhentas coisas acontecem. Sei lá... E isto são só as coisas que me lembro assim de chapa.

O que é o mundo nerd e o que é que abrange? TUDO!

E o mal é esse. Eu falei de várias coisas e se quisesse falar de mais ou olhava para o lado e via os meus livros ou ia à minha lista de séries on going e falava de meia dúzia ou podia ir às milhentas páginas que acompanho com estas coisas todas.

Eu vejo, acompanho, leio, faço aquelas coisas que me dão gozo e que me parecem ser giras. Não tenho culpa que me entusiasme com as histórias. Ou que só agora tenha entrado num mundo onde descubro estas coisas. Sim, só li os Senhor dos Anéis aos 20 anos mas em compensação ainda nem sequer vi o Bambi - coisa que também está para ser tratada nas proximidades, antes que me comecem a bater.

Há coisas que uma pessoa tem de fazer para fazer parte deste mundo e não ser esmagada com as críticas dos amigos nerds - sim, porque quando era uma nerd solitária não havia cá disto! Mas verdade seja dita que é bom: se é bom discutimos o quão bom é, se é mau esmiuçamos até ao tutano toda a podridão que tinha, se discordamos então é o descalabro. Mas eu gosto!

Ainda me falta muito caminho a percorrer mas acho que estou no bom caminho. E no fundo tudo se resume de uma forma simples:








sexta-feira, 3 de outubro de 2014

[cinema] Les Yeux Sans Visage

Título: Les Yeux Sans Visage
Realização: Georges Franju
Argumento: Jean Redon
Elenco: Pierre Brasseur, Alida Valli, Julliette Mayniel, Edith Scob

Trailer

Já nem sei muito bem onde encontrei referências a este filme, creio que quando andei a investigar coisas de transplantes de caras - motivos totalmente académicos.

Apareceu-me a imagem da personagem principal deste filme, Christiane, e o ar estranho chamou-me a atenção (a imagem de fundo do poster do filme).

Num acidente de carro Christiane ficou com a cara desfigurada e o pai, sendo médico, começou a fazer esforços para arranjar maneira de arranjar uma nova cara à sua filha. Assim começou a recolher os cães que eram encontrados nas ruas e neles fazia experiências de transplante de pele para depois serem reproduzidas na sua própria filha.

Mas caras não se apanham nas árvores e portanto as ditas vinham de raparigas que recolhiam, pai e a sua assistente. AS raparigas iam morrendo e os transplantes repetidamente não resultam. Até que Christiane não aguenta mais, não é justo continuar a viver assim, matar pessoas para lhe devolver um rosto, todo aquele trabalho para não haver resultados. O fim que tudo levou surpreendeu-me, teve alturas de me dar pequenos arrepios na espinha mas sem dúvida que foi muito bom!

Todo o cenário que já descrevi não é propriamente o mais simpático mas a isto se acrescenta a postura da moça. Ou seja, tudo isto podia ser mais uma história de um filme completamente banal mas não. Eu fiquei completamente rendida. Eu não me costumo assustar com filmes de terror, são bons é a ser vistos a partir da meia noite, no quarto, sozinhos e de luzes apagadas. Mas o raio deste filme quase que me fez ter pesadelos.

Se há coisa que tenho pena no cinema de terror actual é que é muito baseado em sustos: grandes planos de onde salta um bicho qualquer, mudanças bruscas de plano com uma música e/ou barulho muito altos a acompanhar. Não há terror puro, há sustos esporádicos.  Verdade seja dita que o verdadeiro terror é difícil de conseguir, a saída que usam agora é muito mais simples de ser feita e para a maior parte das pessoas tem o mesmo efeito. Mas para mim não.

O verdadeiro terror sabe tão bem! Grande é a arte de quem nos consegue fazer aceder aos nossos mais profundos sentimentos seja com a escrita ou com as suas imagens. Lovecraft faz-me isso. E este filme fez-me muito isto.

A postura de Christiane, as próprias roupas que a fazem parecer mais frágil do que já é, não haver nada propriamente escondido, sabemos a história toda e o que se passa desde o início é que nos dá a sensação horrível depois de ver este filme. A maneira como ela se mexe, os movimentos lentos mas de alguma maneira ritmados, quase como um robot suavizado.

Sei que há muito tempo não via um filme de que gostasse tanto - para mim a representação de Edith Scob é qualquer coisa que não esquecerei. Um filme que para quem gosta de um bom terror é claramente qualquer coisa de especial.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Mesinha de cabeceira popular #200





Título: Mesinha de cabeceira popular #200

Edição: Chili com carne
Páginas: 72


Ora bem que já tinha saudades disto. Chili com carne, minha boa amiga! Welcome back.

Eu devo ser das poucas pessoas que depois de já ter lido uns pouco de livros da Chili com carne ainda continuo a ir buscar estes livros sempre que os encontro nas prateleiras. Porquê? Boa pergunta!

O certo é que comecei com um livro bastante semelhante na linha deste livro que falo hoje, comecei com o Futuro Primitivo. Mas que linha? Uma junção de vários artistas que estão neste livros misturados, talvez? Muito misturados, isso de certeza. Neste caso, e segundo o próprio blog da editora temos o tema a ser "pop culture". Depois de ler tudo até que faz algum sentido. Procurando a fundo no meio das toneladas de informação que nos são despejadas em frente conseguimos descortinar alguma coisa relacionada com isto.

Mas sendo sincera, e vendo este livro quase como um livro de recortes que reúne amostras de vários artistas, melhor, que arrancou aquelas páginas nos fundos dos cadernos onde rabiscam coisas, começam ideias, criam! E confesso que isso me faz gostar imenso deste formato. Meio gatafunho meio génio cria uma confusão mental que até sabe bem - longe daquilo que acabamos por sentir è primeira vez que abrimos o livro, é mais algo do tipo "o que raio é que eu vi nestas páginas?".

Não é que adore este tipo de livros mas gosto do ar diferente deles, da inovação, da liberdade artística que vejo aqui retratada. Tem ar de esboço, de inacabado, o que lhe queiram chamar mas eu acho que tudo conciliado dá um resultado bem interessante. Mas sim, há coisas muito estranhas, coisas que não faço ideia de onde vieram e/ou porquê mas gosto das edições da Chili com Carne, continuarei a ler o que se faz por essas bandas e a matar-me a rir de cada vez que faço pessoas olhar para mim de lado no comboio por estar a ler isto!