quarta-feira, 2 de março de 2016

[leituras] A Tia Júlia e o Escrevedor

Título: A Tia Júlia e o Escrevedor
Autor: Mario Vargas Llosa
Páginas: 375
Ano: 1977

Este livro foi-me oferecido por um primo, porque pronto: Júlia. (Também tenho um livro da Júlia Pinheiro, porque "A Júlia Pinheiro tem de ter o livro da Júlia Pinheiro"... É difícil ser eu!)

Assim à primeira a escrita fez-me lembrar Eça. Descritiva, clássica, uma escrita que não sendo aquela que me lembro de chapa que gosto, me sabe sempre bem ao encontrar. 

Temos uma paixão do Varguitas, ou Marito, por uma Tia que não é tia dele, e um escritor meio chalupa que tem o dom de cativar o público de forma impressionante. E embora vejamos as coisas pelos olhos do dito Marito, acompanhar o desenvolvimento de ambos torna-se cativante.

Depois, a própria estrutura do livro é interessante. No meio da história que nos contam são inseridas algumas histórias do Pedro Camacho, o autor que arranca corações do público. Acontece que este vai ficando realmente fraquinho da cabeça, o Marito tem de se agarrar à tia porque está muito apaixonado. 

Peripécias e peripécias num livro que tem parte biográfica no meio de tanta coisa que nem sei bem onde está a linha de separação. 

No fim ficou um livro que me surpreendeu pela positiva. Foi engraçado de ler, um bocadinho com histórias de amor que não me interessam, mas como tinha a evolução de um autor, de estrela a nada, foi especialmente interessante - mesmo não sendo esse o foco principal do livro. 

É um livro bom de ler, é interessante e a escrita ainda foi o que me agradou mais. Não sei se voltarei a Llosas, provavelmente sim, mas não fiquei super curiosa ou ansiosa por isso (mesmo sendo bom).


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

[leituras] O Poema Morre

Título: O Poema Morre
Argumento: David Soares
Desenho: Sónia Oliveira
Páginas: 68
Ano: 2015

Eu ando numa fase muito variável com David Soares, ora apanho uma coisa que gosto imenso, ora apanho uma coisa que não me cativa minimamente.

E geralmente são mais as coisas recentes que me desiludem mais.

As bd que fui apanhando da Círculo de Abuso, quase a ferros que aquilo ainda é complicado de encontrar, foram boas surpresas, num estilo muito próprio que mostrava um potencial interessante. O que vejo nas últimas coisas é uma história... nem sei bem como descrever... mas que não pega.

Este livro tem uma capa lindíssima, e depois de ter lido o Sepultura dos Pais, um dos que me fez voltar a acreditar, estava com boas expectativas para o que iria encontrar neste. Boa capa, folhear de fugida dá uma ideia interessante dos pordentros, vá, isto vai ser bom.

E depois é meh!

A história é pouco interessante, confusa à lá David Soares, com cenas chocantes para serem chocantes sem terem qualquer lógica no seguimento do que se estava a passar, enfim. Além do mais a própria história não é cativante, uma pessoa segue e vai lendo mas não agarra o leitor.

Eu fiquei desiludida. A própria arte que parecia uma coisa, revelou-se outra completamente diferente. Aquilo que me parecia um desenho mais simplista, cru, é bem menos do que seria esperado e torna-se muito pouco interessante. Infelizmente.

Resultado: não fiquei fã. Nem pelo argumento, nem pela arte. Gostei da capa e do título, já não vai mal.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

[leituras] Tormenta

Título: Tormenta
Autores: André Oliveira, João Sequeira
Páginas: 62
Ano: 2015

Como alguém muito sábio disse quando lhe mostrei o livro: "Isto parece Chili com Carne". E é verdade. A Polvo de vez em quando tem assim destas coisas.

E mesmo eu que gosto de coisas da Chili com Carne, preciso de mais qualquer coisa do que isto. É um livro muito forte, muito cheio, muito perturbador, mas que no meio de tanta coisa tem uma história por trás. O problema é que no meia da confusão e com tanta coisa à frente essa história só nos é mostrado por pequenas frações de tempo e juntar tudo de forma a fazer sentido, em conjunto com assumir ou deduzir o que ficou por trás do que realmente vimos não é tarefa fácil.

E embora o impacto visual do livro seja um ponto forte, é demasiado forte quando pensado no conjunto do que tem mais, neste caso aquilo que nos está a mostrar, que é suposto ser mais do que um conjunto de páginas com desenhos.

E pronto, não fiquei fã. É um livro que podia ser mais se fosse menos - que frase tão bonita. Aqui simplificar um pouco as coisas, ou deixar algumas coisas mais abertas tinha sido benéfico. Assim é uma mancha de preto, muito preto, que deixa passar muito pouco do que está a mais do que isso.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

[leituras] Milagreiro



Título: Milagreiro
Argumento: André Oliveira
Desenho: André Caetano, Filipe Andrade, Nuno Plati, Ricardo Cabral, Ricardo Tercio, Ricardo Drumond, Jorge Coelho
Páginas: 50
Ano: 2015

No Amadora BD vi algumas das ilustrações deste livro e a versão a preto e branco do que vemos na capa deixou-me bastante curiosa para ver o que haveria mais lá por dentro.

Não sabia que a estrutura do livro era diferente do normal, com uma grande equipa em poucas folhas. E o resultado final é interessante. Cada capítulo tem uma mão diferente, seguindo a história que é contada ao longo do livro, sem interrupções para além das estéticas.

Entre capítulos há também divisões, assinadas por Drumond que me faziam parar um bocadinho a olhar para elas. Pouca cor, essencialmente preto e branco, mas coisas muito interessantes.

As artes em cada um dos capítulos são completamente diferentes, como é normal, e gostando mais de uns do que de outros o geral é uma obra interessante, bonita, diferente mas que ganha nessa diferença. O choque de um capítulo para o outro às vezes é muito grande, com traços mais rectos, ou cores mais garridas, mas uma vez passadas as primeiras páginas a coisa assenta sem dificuldade.

A história em si é sobre "fazedores de milagres", ou seja, num mundo em que há descrença em crescendo há a necessidade de voltar a chamar a atenção, voltar a mostrar que a crença faz sentido, mesmo que para isso se falsifiquem as ditas provas.

Um história curiosa, não? Depois da base vem muito mais, desde mortos não mortos a um ambiente em modo algodão doce alucinogéno... A história tem contornos peculiares mas torna-se uma leitura engraçada.

Se há coisa que vale a pena de ver nestes livros é que a BD não está morta e está a ter muita coisa a sair, muita gente a fazer coisas, e coisas que valem a pena. Se o caminho que seguem agora é o melhor ou não, se continuará assim ou não, isso não sei, mas sei que é bom de ver que ainda há muita gente a ter ideias e a fazer coisas. Só assim é que podem aparecer obras com grande qualidade.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

[leituras] Casulo

Título: Casulo
Autor: André Oliveira
Páginas: 64
Ano: 2015

Durante muito tempo não sabia ao certo o que era este livro. Só passados uns meses é que descobri que era uma antologia de pequenas histórias que saíram na revista CAIS.

Os desenhos foram feitos por uma vasta equipa de pessoas, que se não fosse o Goodreads ia ter dificuldade em reunir: Pedro Brito, Carlos Páscoa, Ricardo Venâncio, Ricardo Cabral, Pedro Cruz, Paula Almeida, Jorge Coelho, Ricardo Reis, Marta Teives, Ricardo Drumond, André Caetano, Susana Carvalhinhos, Inês Galo, Xico Santos, Pepedelrey, Sónia Oliveira, Joana Afonso, Pedro Potier, Sérgio Marques, Osvaldo Medina, António Silva, Ana Oliveira, Pedro Carvalho, Pedro Ribeiro Ferreira, Carla Rodrigues e Nuno Lourenço Rodrigues.

Cada história é uma coisa completamente diferente da outra e é fascinante como em 2 ou 4 páginas, de forma tão profundamente distinta, conseguem contar coisas divertidas, tristes, profundas, curiosas, sei lá... Há tanta riqueza naquilo que está reunido neste livro.

Desde sermos todos bonecos, à ideia de partir só de bloco e caneta na mão, bichos que admiram as obras humanas, selos, o Pai Natal, bonecos de neve, macacos, guerreiros e crianças, emoções, tanta coisa, tanta e tanta, e tão boa.

Neste livro acabamos por ter uma boa amostra do que temos por cá e do que são capazes de fazer. É um livro que adorei ler e que vale todo o tempo que se gasta a lê-lo, a ver bem os desenhos, a pensar naquilo que cada um deles nos diz.

São mais projectos destes, e com esta qualidade, que gostava de ver. O meu chapéu hipotético salta imediatamente da minha cabeça para estas pessoas!


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

[series] Courage


E lá acabei isto! Nunca que estava a contar que fosse tão grande. Mas o sacana do cão roxo tem mais aventuras para contar do que aquelas que se esperava. Especialmente sendo ele um cão, não é?

Mas o certo é que é uma série engraçada, um bocadinho repetitiva mas que ainda assim consegue surpreender. Vão arranjar das coisas menos apropriadas para uma série de animação que nos consigamos lembrar. Há muito bom filme que merecia aprender umas coisas com estes senhores.

A série é grande mas os episódios são ínfimos, e são o ideal para ver num intervalo, ou quando já não dá mais porque já estamos com os olhos fora das órbitas, seja lá porque motivo for. 10 minutinhos apenas e as coisas amenizam. A Muriel é adorável e fofinha, o Eustace um velho rezingão como há muitos por aí. E depois há o Courage, maltratado pelo Eustace, adorado pela Muriel e que acaba sempre por salvar o dia!

Portanto, vou dar, finalmente, descanso a Courage. Este cão que faz mais coisas por amor do que qualquer outro, sendo o verdadeiro estereótipo da verdadeira valentia: não é corajoso quem não tem medo, é corajoso quem mesmo tendo medo avança. É directo, eu sei, mas há muita gente que deixa passar estas coisas!

Enfim, boa série, engraçada, não conhecia bem mas esse erro está corrigido. Venham mais séries creepy como esta, mas lembrem-me de não mostrar estas coisas às crianças, que coitadinhas, o mundo já lhes faz suficientemente mal!


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

[leituras] Ready Player One

Título: Ready Player One
Autor: Ernest Cline
Páginas: 374
Ano: 2011

Estamos em 2044. O mundo é agora governada por um "jogo" que se tornou muito mais do que isso: tornou-se a vida das pessoas. Um jogo onde criamos o nosso avatar, a nosso gosto, e podemos fazer tudo o que se faz na vida real. Tanto que há muita gente cuja vida é no jogo e não fora.

Um dos criadores deste jogo - OASIS: Ontologically Anthropocentric Sensory Immersive Simulation - morre e nesse momento envia uma mensagem a todos os utilizadores: escondeu três chaves algures no jogo, que depois de encontradas servirão para chegar a um prémio final. Quem o descobrir ficará com tudo - TUDO - o que ele tinha.

Se há coisa que este livro tem é um apelo gigante a geeks! Ele é filmes, ele é música, ele é jogos, ele é livros, o que se lembrem! Este livro fala disso tudo, com pequenos detalhes aqui e ali escondidos e que são deliciosos de encontrar para quem gosta desta coisas.

E vá lá, é o sonho de qualquer pessoa que goste destes enigmas, e brain games! É um real quest, em que anda-se realmente à procura de pistas e tudo o que se possa imaginar para chegarmos ao "boss" final!

Eu confesso que não me lembro exactamente do que li sobre o livro que me fez querer ler, mas sei que gostei imenso de pegar neste pedaço sacrificado de árvore.

Essencialmente porque é uma história de aventuras, um jogo especialmente desenhado para geeks, com referências e coisas a acontecer que reconhecemos das coisas que gostamos e acompanhamos. É um bom livro para miúdos se eles já forem geeks o suficiente para conhecer os mundos habituais - Tolkien, Star Wars, Star Trek, Doctor Who, ... - porque embora tenha algumas partes mais dramáticas e violentas, os bons livros de aventuras também os têm! Faz parte!

É um livro de aventuras para miúdos um bocadinho mais crescidos. Ou um bocadinho mais precoces.

O certo é que é bom, lê-se muito bem, entretém que é uma coisa ridícula, é interessante, engraçado, e para mim, valeu muito a pena, ainda por cima tendo em conta que muitos dos livros que tenho lido não me têm cativado tanto quanto estava à espera.




segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

[leituras] Matadouro Cinco

Título: Matadouro Cinco (Slaughterhouse Five)
Autor: Kurt Vonnegut
Páginas: 223
Ano: 1969

De Vonnegut acho que só li uns contos, numa fase em que andei a descobrir coisas pequenas de autores ditos bons e dos quais ainda não tinha lido nada - ou muito pouco.

E andando pelos mundos literários na internet - Goodreads e afins - há muitas listas por lá espalhadas. E eu sou fã de listas! Resultado: há nomes que se repetem em muitas delas! E este livro é um desses casos!

O livro é um pouco estranho. Temos um personagem principal que anda a viajar no tempo, dentro da sua própria vida, e a ver o que acontece nuns sítios e noutros por onde já passou.

E isso envolve muita coisa: desde abdução por extraterrestres que o mantém como espécime de zoo, à guerra, onde lida com alemães e franceses numa mistura brutal na qual até ele se perde, quanto mais nós.

O livro é todo ele muito entre cortado entre diferentes tempos e espaços, diferentes situações que podem durar meia página, como três ou quatro. É uma maneira curiosa de ver os acontecimentos mas é também muito confusa e não dá alguma coisa para uma pessoa se agarrar no caso de estar perdido.

Mais a mais, é um livro que para além de mostrar muita coisa daquilo que foi a vida deste homem, mostra também aqueles com quem se cruzou, e muitas das vezes que tiveram um papel essencial no que aconteceu ou viria a acontecer. Parece um livro mais cheio do que é, e isso vem destes saltos todos. Ao mesmo tempo é um livro muito visual.

O que me parece é que mais facilmente me interessava e me fascinava ver esta história em cinema do que tanto em livro (desde que a adaptação fosse bem feita).

A história é interessante, mas para além do que já disse, sabemos que não é o contar de uma história no sentido normal. Isso leva a que a parte final do livro é mais do mesmo, não há nada por descobrir, não há nenhum plot para acontecer... Nada... A história está contada, estão só a contar-nos mais alguns pormenores dela.

Não fiquei a maior fã do livro. É um livro interessante, mais pela forma do que pelo conteúdo, mas não é do tipo que mais me cative. Deve haver um filme disto, com o Di Caprio com um ar muito confuso, ou qualquer coisa assim... Tenho de investigar.




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

[series] Courage




Eu acho que nunca tinha visto nada de Courage, ou melhor, devo ter visto pedaços espalhados na internet mas nada de acompanhar esta série. Acontece que o Sr. meu namorado é fã e convenceu-me a ver.

São quatro temporadas mas cada uma tem 26 episódios. Sim, os episódios só têm 10 minutos cada um, mas isto é maior do que o que parece. Vou agora a meio e a série torna-se bastante engraçada e creepy ao mesmo tempo. Bichos estranhos aparecem em Nowhere e aquela casa isolada, no meio do nada - literalmente - é sempre alvo do interesse dessa gente.

Courage, que é um cão roxo muito medricas, tem de salvar a sua dona, Muriel, e como ele bem diz "The things I do for love...".

O engraçado é que isto é uma série de desenhos animados, para crianças e tal, mas tem com cada episódio mais macabro que fico a pensar que se calhar muito dos malucos que andam por aí agora são a geração Courage. A ver estas coisas, frequentemente, é normal ficar apanhado.

Mas bem, ainda me falta metade da série - que só são mais de 50 episódios - e até agora vale a pena. Embora a fórmula seja sempre a mesma, a imaginação para os bichos estranhos e situações insólitas é qualquer coisa. Os criadores fizeram um bom trabalho!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

[leituras] O Deus das Moscas

Título: O Deus das Moscas (Lord of the Flies)
Autor: William Golding
Páginas: 222
Ano: 1954

Há muito tempo que tinha curiosidade para ler este livro. Tem um título curioso e já ouvi tanta gente falar disto que questionava-me sobre o que teria assim de tão fascinante.

Poucos dias depois de acabar de ler o livro descobri que é um dos livros preferidos do King - figures...  No entanto eu confesso que estou confusa em relação ao que achei do livro. 

O livro é sobre um grupo de miúdos que depois de um acidente de avião ficam sozinhos numa ilha, apenas por eles próprios, sem adultos por perto para dar ordens ou ajudar nalguma coisa. 

E pronto, miúdos são miúdos, mesmo dentro das diferenças de cada um e instala-se a balbúrdia desmedida. Aqui a ideia geral é que se virmos o ser humano a crescer sem nos estarmos a limitar de acordo com as regras "dos adultos" vemos a verdadeira natureza do homem, e - surpresa - somos todos umas bestas por dentro. 

Numa medida completamente diferente mas voltou-me a acontecer o que aconteceu com o Monte dos Vendavais: vejo que é claramente um bom livro, um livro muito bem escrito, envolvente, interessante, mas por algum motivo interno não foi um livro que me tenha dado um gozo por aí além. Não me aborreceu de morte como o Monte dos Vendavais, mas aí era o estilo e o tipo de história que não me interessa de todo, aqui não. 

É um livro violento, bruto, com cenas dignas de um filme de terror bem feito, a aparecerem momentos aterradores quando menos se espera, principalmente no meio do que inicialmente é um cenário paradisíaco com praias bonitas e uma floresta cheia de frutinha boa para comer.

Portanto, não sei se foi da previsibilidade de ver que aquilo tudo se dirigia a um fim muito catastrófico, ou de que o ser humano é mau por natureza, se foi o encadeamento ou se foi alguma réstia de esperança na humanidade que não me quer deixar ver as coisas desta maneira... Não sei, sei que acho-o um bom livro, interessante, com um escrita boa, um ritmo adequado mas mesmo assim não me deu a volta.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

[leituras] Sputnik, Meu Amor

Título: Sputnik, meu amor
Autor: Haruki Murakami
Páginas: 197
Ano: 1999

Murakami estava na lista de coisas a ler em 2016 e este livro tinha um bom título e estava a jeito. Ainda por cima tinha um título que me chamava a atenção: não tanto pela parte do amor – isso no meu caso até tem um efeito pouco positivo – mas pronto: Sputnik!

Agora, comecemos por um lado bom: o livro é de leitura muito fácil, numa tarde uma pessoa bebe um chá e lê isto sem se esforçar muito. E mais, se juntarmos a isso algum poder de nos cativar nós sem darmos por ela lemos metade do livro.

Mas há o reverso da medalha: a tradução é mazinha, assim a dar para o muito. Entre palavras directamente traduzidas do inglês que depois não soam em português ou não dão a mesma ideia inicial, e hifens espalhadas no meio das frases, nema tradução nem a edição tiveram lá grande cuidado.

Mas o que posso dizer é que as personagens não foram mal criadas, conseguem ser bem descritas e dar uma boa noção de como são, como agem e porquê, mas a história é muito reduzida, é muito pouco interessante, pouco coerente nalgumas partes e de uma forma geral isto acaba assim num estado em que não se sabe muito bem o que raio se passou.

Porque os twists que metem lá pelo fim até que gostei, um bocadinho caídos do ar, sem contexto ou fundamento, mas aceito. O fim em si, é que não faz ponta de sentido. Pelo menos para mim, posso ter sido eu que “não atingi o que o autor queria transmitir” ou uma dessas balelas comuns que estão cada vez mais na moda. Não gostei, de todo, do fim.

Portanto, resumidamente: má tradução, má edição, pouca história, escrita muito fluida e cativante q.b., boas personagens, péssimo final.

Engraçado que ao ver outras opiniões sobre este mesmo livro falam imensamente bem, e que é genial e que é tão bom e que é tão extraordinário. Eu cá não achei extraordinário, e a maior parte dos comentários parece-me mais saído de fanatismo com o autor do que propriamente com o livro. De qualquer das formas Murakami, por aqui, não me conquista. Ainda hei de testar outras coisas, ver se mostra mais um bocadinho, mas por agora, é um bom contador de histórias mas pouco mais do que isso.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

[leituras] Regresso ao Admirável Mundo Novo

Título: Regresso ao Admirável Mundo Novo
Autor: Aldous Huxley
Páginas: 256
Ano: 1958

Eu a início pensava que isto seria uma continuação do Admirável Mundo Novo. Enganei-me, e corrigiram-me ainda não tinha começado a ler este livro.

Este livro é interessante, é uma reflexão, feita pelo autor, Aldous Huxley, sobre o que ele escreveu e como o mundo se desenvolveu. O livro faz a comparação entre as duas coisas e se por um lado ganha por ser o próprio autor a expor a sua própria maneira de ver a ficção e a realidade a andarem a par uma da outra, por outro ganha por fazer um apanhado bastante geral mas ao mesmo tempo incisivo nas coisas fundamentais do Admirável Mundo Novo que vemos no mundo real.

E mesmo assim este livro é antigo, era chamar o senhor a fazer um "Regresso ao Admirável Mundo Novo - Outra vez..." e o senhor tinha uma coisinha má. 

No livro podemos ler sobre várias coisas, várias das situações ou vários dos costumes, que ao ler o livro nos podia parecer estranho ou terrível, mas que não estão assim tão longe do que acontece hoje. E mesmo quem sabe da existência dessas coisas, é um livro em que nos expõe de forma directa e se calhar fazem-nos pensar nessas cosas de uma forma que nunca tínhamos pensado. 

Enfim, é um livro interessante, é pequeno, lê-se bem, e dá que pensar nalguns pontos. Mas não é um livro "fundamental" depois de ler o original. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

[leituras] Vingadores - O Último Ato

Título: Vingadores - O Último Ato
Argumento: Brian Michael Bendis
Desenho: David Finch
Páginas: 176
Ano: 2005

O Último Ato - Ato Ato Ato, isto está mal escrito não é? Que Nervos! - não me tinha soado ao qu é, ou seja, último acto soou-me a pronto, a última aventura que os Avengers passaram, vá lá a história onde for. Plot Twist, não é bem isso, é mesmo o último acto dos Avengers como Avengers. 

E o livro até que é engraçado, a Feiticeira Escarlate - isto em português soa-me sempre esquisito - controla alguns dos Avengers e cria o completo Caos, criando uma realidade própria onde viver, mesmo sendo completamente ilusão. 

O livro é um bocadinho confuso e está demasiado em modo flashback para mim, ou seja, é giro e interessante que vão buscar pedaços antigos e mostrem o que se passou, o que cada um sentiu, contextualizar dentro da história, mas não pode ser num despejar de imagens e texto em que dão pouca linha condutora às coisas. Mas é engraçado vê-los, durante uma boa parte do tempo, meio perdidos por estarem a levar ataques de vários lados e não fazerem ideia de quem está por trás deles. Mas depois para se "organizarem" metem-se todos ao molho, se para mim foi complicado de perceber quem dizia o quê e quando e porquê, quanto mais eles, que ainda eram mais do que se vê em cada quadradinho.

Mas tirando isso é um livro bem engraçado, também porque reúne toda a gente e mais alguma. De cada vez que há reunião de Avengers aquilo é gente até perder de vista, metade deles com pessoal que não faço ideia quem sejam. E continuam com o Capitão América à frente, assim claro que levam porrada de cada vez que acontece alguma coisa...

Mas enfim, para a conhecedora leiga que sou e que vou acompanhando sem grande fervor e atenção a tudo e mais alguma coisa - porque isto é um mundo gigante e eu tinha duas hipóteses: ou me perdia completamente e deixava de apreciar as histórias porque me chateava, ou perdia-me noutro sentido e não podia sossegar enquanto não lesse isto e aquilo e não percebesse o que ficou por explicar dali e a nova vida de não sei quem, e epah, não tenho vida nem paciência para isso. Pelo menos por agora. Por isso vou continuando, no meu modo pacato de ver a coisa, como outsider. Tenho as minhas noções, conheço uns poucos, gosto de ver, ler e acompanhar mas sem ser boa para me perguntarem o que quer que seja. Sei as bases, e mesmo essas me podem faltar às vezes, and I'm fine with it. 

E pronto, é um livro engraçado, para mim um pouco confuso, com uma arte que merecia mais um bocadinho nalgumas das cenas, mas que até nem dá um mau fim a isto tudo. Isto dá a volta eventualmente, não sei quando nem como, mas dá, de certeza. 

Até porque nestas coisas as pessoas têm uma inércia imensa em ficar mortas, não há meio de sossegarem na tumba.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

[cinema] The Danish Girl (A Rapariga Dinamarquesa)

IMBD
Trailer

Começo a ver um padrão nos filmes que vejo com o Redmayne: a fotografia é sempre o ponto forte e o argumento o ponto fraco.

Para este filme levava expectativas altas e no geral não posso afirmar completo agrado ou desagrado. Tem muita coisa, e uns puxam para um lado outros para outro, não há forma de haver grande consenso.

A base do filme é bastante interessante, baseado no caso real de Lili Elbe, a mulher considerada a primeira pessoa a fazer a mudança de sexo, e numa tentativa muito ousada. Se tivermos em conta, para além da relevância médica, a altura em que se deu esta transformação (1930), vemos o grande motivo por isto ser mesmo muito especial.

Basicamente Einar Wegener era pintor, com sucesso, casado, mas algo dentro dele não estava bem. Ao pousar com roupas de mulher para ajudar a mulher, também ela pintora, deu finalmente asas àquilo que escondia dentro de si e que não sabia como lidar. A partir deste ponto há uma completa mudança em todo e qualquer rumo que pudesse por na história. Confesso que não fui cuscar a realidade antes para não me defraudar.

A premissa é seguida no filme, com várias adaptações, seja por simplicidade, seja para efeitos dramáticos mas o certo é que cortaram muita coisa, adaptaram muita coisa de uma forma que a meu ver não foi a melhor e no geral contaram um bonita história, emotiva e que transparece um problema real de muita gente neste mundo -  e ao longo dos tempos - mas para mim não retrata completamente a história de Lili, retrata uma ficção inspirada que dá voz a uma situação e não tanto a uma pessoa.

Para mim isso tirou algum do realismo e da autenticidade que podia dar mais força ao filme. É um bom filme, mostra bem a mensagem que quer passar mas ainda assim perde o ponto forte que tinha, de ser uma história genuína de uma pessoa ridiculamente importante para o foco da discussão.

E mais a mais seria normal que fizessem adaptações, não só por ser um filme mas também para amenizar algumas das coisas. Porque a irmos ver bem as várias operações que aconteceram na realidade e que infelizmente ditaram a morte desta pessoa, não foram duas "simples" como postas no filme, mas sim 4, sendo que a última foi a construção do canal vaginal e o implante do útero e foi a rejeição deste segundo que levou à morte.

Agora, isto é em termos de argumento, porque se me perguntarem o que achei dos actores digo que estiveram estupendos. Eddie Redmayne, em especial, tem vindo a mostrar as garras e se já me tinha conquistado em The Theory of Everything aqui marcou ainda mais pontos do que os que já tinha.

Portanto óscares nisto: sim se for para actores ou para fotografia.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

[leituras] Por Mundos Divergentes

Título: Por Mundos Divergentes
Autores: Ana C. Nunes, Nuno Almeida, Pedro Martins, Ricardo Dias, Sara Farinha
Páginas: 162
Ano: 2014

Mais uma antologia, este ano tenho umas poucas na lista, e com esta acabo a "colecção" de livros da Editorial Divergência, até agora.

E começo pelo quê? Hum, vamos começar pelas imagens. A capa não é má, embora não seja grande fã, mas foi uma boa melhoria em relação à capa de "Na Sombra das Palavras". Depois o grande problema são as ilustrações internas. As ilustrações são más, mesmo más.. Umas mais, outras menos, algumas até são razoáveis mas não enciaxam no registo do livro e algumas são só... amadora, vá. Não fazem sentido e enfim, são más. Bênçãos tenha a aprendizagem que no caso de "Nos Limites do Infinito" as coisas correram muito melhor na parte visual. E isso é de louvar.

Mas os contos, ok, vamos lá:

Patriarca, Ricardo Dias, para começar temos um conto que segue as pisadas do 1984 criando não o "Grande Irmão" mas o Patriarca que desta vez é a típica tecnologia que se vira contra os humanos. A ideia não é original e o conto torna-se confuso. Não é mau mas não cativa particularmente nem por história, escrita ou personagens.

Em Asas Vermelhas, Nuno Almeida, dá-nos um conto que pode não ser tão distópico quanto isso. Um mundo separado em duas partes, a cidade alta, cheia de luxo e riqueza, e a lixeira, onde outros vivem com os restos do que os ricos não querem. Achei que o desenvolvimento da história fica um bocadinho apressado ou não tão pensado, pelo menos, e que merecia uma roupagem diferente. Ainda assim torna-se uma leitura curiosa. 

Dispensáveis, Ana C. Nunes, este surpreendeu-me. É um texto com uma ideia simples e bastante mais realista do que se pode pensar à partida. As pessoas quando já não são uteis são postas de lado, levadas para um sítio onde estão todos os Dispensáveis, aqueles que a sociedade marca - literalmente - e manda para um sítio longe onde não chateiem. Boa história.

Arrábida8, Pedro G.P. Martins, num ar mais sci-fi, letras e nomes lá pelo meio, meio Admirável Mundo Novo e tal, mas que resulta bem quando nos explicam o porquê. Para mim gostava que a escrita fosse diferente, não fiquei a maior fã, mas não sei se foi por conhecer a zona onde isto se passa ou não, ou fosse pela personagem principal ser uma moça às direitas, acabei por ficar cativada e gostei do que me apresentaram.


Somos Felizes, Sara Farinha, é um bocadinho perturbador. As pessoas são obrigadas a ser felizes e em todo o lado há incentivos à felicidade e que temos de ser felizes e ainda mais e vamos ser ainda mais felizes. É uma pressão gigantesca e isso acaba por passar, e bem, na leitura. Achei que as ideias às vezes baralhavam-se um bocado, o fio da história por vezes perde-se um pouco, é um bocado confuso, mas no geral é um conto curioso que pegando em nós e olhando para um mundo em que nos obrigam a ser felizes como lidamos com um dos sentimentos mais tristes que se consegue ter que é a perda de alguém próximo? Enfim, foi bastante bom de ler.

Gostei desta antologia, tem contos interessantes, alguns dão-me um ar muito claramente amador, o que tive alguma pena, mas nota-se potencial em todos. Não houve um que não gostasse, houve um ou dois que não me ficaram com tão boa ideia mas de uma forma geral é uma antologia consistente, competente e que reúne bons contos. Venham mais!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

[leituras] Insonho

Título: Insonho
Autores: Valentina Silva Ferreira, Carlos Silva, Vítor Frazão, Francisco J. V. Fernandes, Ana Luiz, Miguel Raimundo, Inês Montenegro, André Pereira
Páginas: 125
Ano: 2015

Esta antologia tem uma bela capa e paira uma aura muito agradável dentro do estilo, seja pela imagem, quer pelo nome, não sei. Sei que a expectativa estava alta e infelizmente o livro não a acompanhou.

O primeiro conto, Ao Meio Dia, Carlos Silve, está bem escrito, começa por parecer uma coisa mas depois descamba para uma história já muito conhecida e "banal". Fiquei com pena porque realmente estava a contar que saísse mais do que depois apanhei.

Depois, Duelo de Lendas, Valentina Silva Ferreira, surpreendeu-me. Não é que seja um grande conto mas entreteve-me e achei-o engraçado. A junção de algumas das personagens que conhecemos foi uma ideia gira e embora pudesse estar embrulhada de uma forma melhor e mais cativante não deixa de ser um conto interessante.

De seguida, Na Escuridão, Vítor Frazão, não me convenceu. Não achei piada à escrita, não fiquei fã da ideia nem da execução do conto. Voltou a ser um conto com uma base pouco original e não houve assim nada que me fizesse ter grande interesse por ele.

A Voz de Lisboa, André Pereira, tem uma escrita pouco especial, e a própria história estava a ser engraçada mas o fim não me convenceu.

A Noite em que o Bicho Papão encontrou Kafka no cimo de um telhado, Francisco J. V. Fernandes, aqui a ideia não é má, mas depois a execução perde o encanto que poderia ter. É daqueles contos que gostava de dar a premissa a outra pessoa e ver o que faziam com ela.

Sant'Iroto, Ana Luiz, começo a gostar de encontrar coisas desta autora. A impressão que me dá é sempre de ser muito genuíno e autêntico e isso não é uma coisa que transpareça com grande facilidade na maior parte dos contos. Foi um conto que gostei de ler e que soube bem de encontrar nesta antologia.

Por sete encruzilhadas, por sete vilas acasteladas, Miguel Raimundo, é engraçado mas diz muita coisa para não dizer muito, ou seja, acaba por dar muitas voltas, faz muita coisa, mas pouco para a evolução da história. É engraçado mas precisava de menos rodeios,

Ao Sexto Dia, Inês Montenegro, não me conseguiu cativar. Maldições atrás de maldições com mortes misteriosas à mistura são um bom ponto de partida mas ficou aquém, por mim por a escrita ser confusa em muitas partes e um pouco "empapada", arrastar o texto sem dizer muita coisa.

Sangue, Suor e... Unhas, João Rogaciano, acaba a antologia e eu que acabei de escrever qualquer coisa com unhas achei curiosa a coincidência. A ideia do conto é bem porreira e podia ter ficado uma coisa muito nojenta e creepy - no melhor dos sentidos - mas, para começar, os diálogos são uma sério problema. Nada realísticos e não deixam entrar na história completamente, e depois a própria maneira de contar a história não deixa aqueles momentos de suspense e não cria aqueles momentos de arrepiar a espinha que para esta história resultavam tão bem. Fiquei com pena confesso.

No fim disto tudo fiquei desiludida, estava a contar com uma coisa e saiu-me outra. Acho que todos os contos tinham potencial mas que muitos não mostraram tudo o que podiam. Fiquei com pena. Mas mais coisas destas é que se quer e é bom ver a quantidade de antologias que andaram a sair nos últimos tempos. Não são todas geniais mas dão para conhecer autores novos, e só por isso já vale muito a pena.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

[series] American Horror Story - Hotel (#5)


Título: American Horror Story - Hotel  (#5)
Ano: 2015

American Horror Story é uma série num formato diferente que me cativou à primeira temporada. Cada temporada é uma história diferente, um cenário diferente, em que temos os mesmos actores, de uma forma geral, mas a fazerem personagens diferentes.

Murder House, Asylum, Coven, Freak Show e agora Hotel. Acompanhei com afinco a partir da segunda e infelizmente acho que em momentos de verdadeiro terror, daquele que dá para gelar ossos, ficaram parados na terceira temporada. Freak Show foi uma temporada interessante, com uma boa premissa mas onde não aproveitaram tudo quanto podiam.

Agora veio Hotel. E a grande mudança foi o pior que fizeram: a Jessica Lange saiu e puseram a Lady Gaga no lugar. Erro, grande erro!

Eu tenho visto críticas a dizer que o melhor da série é ela: não, não é! Ela está a estragar a série.

Esta temporada teve pontos muito fortes, principalmente nalgumas personagens geniais. A Liz é a coisa mais brilhante que se lembraram! O James March está muito bom. A Iris teve uma evolução brutal. A Sally, na sua alta parecença com a Marla - Helena Bonham Carter em Fight Club, está muito boa também.

Mas a série gira à volta de duas coisas: Lady Gaga e sexo. E não funciona! Minimamente.

Não há episódio em que não existam 2 ou 3 cenas de sexo, sem qualquer propósito ou evolução para a história. Aliás, já chegou ao ridículo de haver episódios em que a cada 3 cenas, 2 envolviam sexo. É um abuso absolutamente ridículo, sem sentido e que não encaixa. 

E depois a Gaga. Se a moça estivesse num papel secundário, que aparece de vez em quando, sim senhor, era muito bem. Agora a ser o foco da acção é só má. Ela não sabe representar, a personagem podia ser interessante mas não está bem construída, e nada se safa. É uma personagem construída a martelo e isso nota-se. 

Pior do que isso, para mim, é que se até agora tiveram Jessica Lange no leme, e de forma genial que aquela mulher faz de ela própria a cada papel mas vale a pena, tinham uma substituta perfeita que este temporada ainda só apareceu de fugida num episódio: Lily Rabe. É uma actriz impecável, tem feito papeis, dentro desta mesma série, muito bons e se a pusessem em vez da Gaga tinha sido um melhoramento gigante.

Enfim, é uma boa série mas estão a perder-se. Não sei se é uma tentativa de chamarem mais público, se querem realmente mudar o andamento da série mas para mim estão a ir no caminho completamente errado. As cenas que me deixavam de arrepios na nuca ficaram no Coven. Esta temporada, sinceramente, não consegui gostar. Gosto de passagens, gosto essencialmente de personagens, mas a temporada em si é muito fraca. 

Espero seriamente que a próxima temporada dê uma grande volta. Correm os ditos de que a Gaga fica, tenho pena. Mas ainda mais do que isso, espero que em argumento volte ao ambiente creepy as fuck que me fez achar que esta série era das melhores que andava a ser feita. Neste momento já não posso dizer o mesmo.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

[leituras] Wolverine - Origem II

Título: Wolverine - Origem II
Argumento: Kieron Gillen
Desenho: Adam Kubert
Páginas: 128
Ano: 2014

Por vezes a ignorância é uma benção e aqui beneficiei dessa máxima. Quando fui para ler este livro a base que tinha é que se tornava muito previsível, a chegar a níveis estrondosos. Ora, para quem não sabe todos os pormenores e não se lembra de onde conhece o quê isso acaba por passar um bocadinho ao lado. E ainda bem, porque o livro assim tem muito mais estilo.

Primeiro: a arte é brutal. Eu de vez em quando encontro livros que me deixam completamente rendida só pelas imagens - ou algumas - e este foi um deles. A parte inicial em que temos cenas com um urso polar ensanguentado são lindíssimas, daquelas imagens que vale a pena guardar e por numa capa qualquer. A arte foi mesmo das coisas que mais me chamou no livro e se me parece que o nome de Adam Kubert não me diz muito, sinto que devia tratar disso.

A história, eu achei interessante, não me era nova, não achei original mas gostei da maneira como está contada. Agora tenho de dar a mão à palmatória e assumir que também eu notei a previsibilidade que me avisaram, e isso acaba por não jogar lá muito bem. Mais do que isso, algumas das cenas pareceram-me muito forçadas e pouco coerentes.

De qualquer das formas eu até que gostei do livro. Se calhar um fã acérrimo do Wolverine, ou alguém mais informado, atento e lembrado das coisas não lhe consiga achar piada nenhuma, mas por mim vale a pena, mais que não seja depois de ler o Monte dos Vendavais que é o Origem...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

[leituras] Diário da minha Loucura

Título: Diário da Minha Loucura
Autor: Isabel Pereira Rosa
Páginas: 154
Ano: 2014

Eu assim pela capa e pelo título não pegaria neste livro. Tem ar de Sparks ou Margarida Rebelo Pinto. Não vinha no meu carrinho para casa, não senhor.

Mas só me chegou às mãos por uma amiga o ter lido e me ter dada umas luzes do que tratava. Pedi-lho para ver o que por lá encontrava.

Diário da Minha Loucura não podia ser mais directo: o livro é a transcrição do Diário da Bisavó da autora, que muitos intitulavam de louca.

Agora era louca porquê? Primeiro: porque tinha verdadeiros comportamentos complicados, por vezes até para os filhos - como dar banho às filhas de água completamente gelada, para enrijarem - mas noutros casos porque era uma mulher fora do tempo.

Não aceitava que os homens fossem mais do que as mulheres. Defendia que nenhuma mulher se devia sujeitar a um homem ou que não pudesse fazer alguma coisa sem ter a autorização do marido. Entenda-se que o espaço temporal deste diário é entre 1890 a 1910, mais ou menos. Uma mulher com estes pensamentos? Só podia ser louca.

E depois a parte que toca mais e que põe um grande peso no livro é que esta mulher teve 19 filhos, mas só sobreviveram 6. Entre jovens, crianças e alguns ainda por nascer, esta mulher perdeu mais filhos do que os que pode ter a seu lado. Como ela própria diz mais do que uma vez "Perder um filho é perder uma parte de mim. Como é que não eu de ser louca se já sou tão pouco?" (já não sei se as palavras são exactamente estas mas a ideia era esta). Melhor que isso, é que enquanto estava grávida não tinha os seus ataques, andava "normal". Tanto que ela não se lembrava dos ataques, ela escreve no Diário que teve meses que não se lembrava de nada, tempos em que se fechava no quarto, sem comer nem falar com ninguém, ou fugia para o cemitério, para o berço de ferro onde estavam os seus filhos, e adormecia, dentro de uma cova aberta que lá estava.

A acreditar que o Diário é total ou parcialmente verídico esta foi essencialmente uma mulher que sofreu muito, sofreu mais do que alguém devia sofrer. Não era estranho perder muitos filhos na altura que falamos mas nem isso minimiza o impacto que uma mulher deve sentir, e por conseguinte, toda a sua casa, marido e restantes filhos.

O livro lê-se bem, mas há alturas em que se torna um pouco forte, que tem relatos de uma das filhas mais novas que na sua inocência não conseguia perceber a mãe, ou ver as voltas que os filhos deram para não deixarem a mãe desamparada. Enfim, vidas muito complicadas mas que ainda ficaram registadas para a posteridade, para lembrar todos do que já foi a realidade de muito boa gente.

domingo, 17 de janeiro de 2016

[leituras] Batman - Presa

Título: Batman - Presa
Argumento: Doug Moench
Desenho: Paul Gulacy
Páginas: 136
Ano: 1990

Esta colecção de Batman torna-se engraçada por vários motivos, e acho que para mim o melhor ainda é conseguir perceber por onde é que as cabeças das pessoas que pensam em escrever uma história acabam por ir tendo tanto por onde pegar.

Neste caso gostei da capa, não fazia ideia nenhuma do que contar para a história mas assim à cabeça tinha boas expectativas. E o livro tornou-se melhor do que estava a contar.

Senti que estava a ver uma série policial, em que as coisas se vão desenrolando, estamos a ver a polícia chegar cada vez mais perto, passo ante passo, e depois quando se vai dar o click acontece qualquer coisa em grande.

Aqui é isso que acontece: Hugo Strange é um tipo estranho, creepy como o raio, que está obcecado com o Batman. Investigação por mais do que um sítio possível - com momentos mais ou menos credíveis podia ser discutido - e quase como num jogo de quem é quem, as cartas em cima da mesa estão a ficar cada vez em menos número e estamos a ver uma a ter grande destaque no meio das outras.

O jogo de gato e rato neste livro torna-se curioso, e a maneira como o Dr. Strange consegue entrar dentro da cabeça do Batman é um bónus. Acho que este vilão, que é e não é ao mesmo tempo, foi uma das boas surpresas, já que é um tipo que nos aparece só coo desagradável e depois mostram-nos o lado mais aberrante dele, com tudo o que isso traz à mistura, desde o fatinho de Batman até manter a moça presa em bikini, qual Jabba.

Acabei por gostar do livro, é interessante e é uma boa bd. Vale a pena espreitar, sem dúvida.