sexta-feira, 24 de julho de 2015

[leituras] Matiné

Título: Matiné
Argumento: Magno Costa
Desenho: Magno Costa, Marcelo Costa, Márcio Moreno, Magenta King, Dalts
Páginas: 80
Ano: 2013


Eu acho que algures já tinha pegado neste livro. Não acho difícil: edição da Polvo, uma boa capa, um aspecto estranho, de certeza que já tinha pegado nele mesmo que não me tenha entusiasmado ou tido tempo para investigar!

Agora pegando nisto: três histórias, com umas temáticas muito curiosas e postas de uma forma muito interessante. Esta capa é fascinante, para começar. É forte e é bruta e dá-nos uma ideia logo à partida de um livro com acção, a sério. 

O Estranho Sem Nome é sem margem de dúvida o melhor conto dos três. É brutal, com um bando de pessoal a acabar morto, é interessante, é misterioso e tem o melhor fim possível para a história apresentada. Um fim perfeito, como há poucos! 

O Velho já é um pouco diferente. É igualmente intenso, tem uma parte mais emotiva associada, o ver dos laços que ligam as pessoas a levar a todas as atitudes que sejam necessárias. Há um objectivo a cumprir e se era fácil cair no facilitismo e previsibilidade ainda bem que o não fizeram. Foi também uma óptima leitura que apenas reforçou a boa imagem do livro que o primeiro conto tinha criado.

A Mariposa foi o que menos gostei. É engraçado mas não consegue manter-se à tona quando no contexto dos outros dois. Dá-nos detalhes muito directos de relações entre os contos que aqui nem acho que façam sentido. Ou teriam de ser explorados doutra maneira ou mais valia ter ficado sem esse ponto. Enfim, é uma história mais estranha e com muito menos força que as restantes, que acaba por não pegar muito. Para fim de livro foi uma pena.

Ainda antes de ler o livro chamaram-me a atenção para um pormenor especialmente interessante: em todas as histórias foi arranjada uma maneira de inserir uma "arte convidada". Flashback, ou pensamento mas há claramente uma diferença a meio das histórias que vêm doutra mão. Ficou uma "brincadeira" que encaixa muito bem nas histórias e que só mostra o bom trabalho de todos os envolvidos neste Matiné.







quarta-feira, 22 de julho de 2015

[leituras] O Diário do meu Pai

Título: O Diário do meu Pai
Autor: Jiro Taniguchi
Páginas: 280
Ano: 1994

Um autor japonês, de BD, com uma capa e um título que me agradaram, enfim, foram vários prós logo de chapa para este livro. Mas desta colecção, embora tenha livros interessantes, poucos são os que realmente me deixaram interessada e plenamente satisfeita.

A premissa foi essa e lá peguei no livro. 

A ideia é simples: um filho que se afastou de casa, com uma grande mágoa associada a sua família, em especial ao pai e depara-se com a notícia de que esse mesmo pai morreu.Voltar a sua terra natal, reencontrar caras conhecidas, incluindo a irmã, e acima de tudo lembrar um homem, o pai desta personagem principal, homem esse cuja vida foi mais do que Yochan quis ver, ou deu oportunidade para.

O descobrir das bases da vida de alguém no momento em que o foco principal deixa de existir é um misto de alivio e frustração. A vida afinal não foi a que sempre conheceu, as verdades que julgava absolutas são afinal fruto de desentendimentos e desconhecimento. Há mais coisas para além daquelas que que as aparências contam, principalmente quando a postura quanto a elas é a fuga.

O desenrolar da vida de uma família, com flashbacks bem posicionados a mostrar como as coisas realmente foram, a jogar com memorias e reconstituições fica uma aventura interessante de acompanhar.

Até eu fiquei surpreendida com o quanto gostei do livro. Uma coisa tão simples mas tão bem contada, posta numa situação em que faz todo o sentido e não soa a vão, ou a feito. É um relato de uma vida, só isso. E isso é muito.

Cativou-me, prendeu-me à história, muito mais do que a coisa de não querer largar o livro, era mesmo estar interessada "mais a fundo" na própria história. Não estava a contar mas foi realmente uma leitura que ainda que leve e que se fez muito bem, deixa a mensagem que lá anda a retinir nos nossos ouvidos e isso, bem feito, não é fácil de encontrar. Ver que em parte o livro retrata parte da vida do autor não me fez grande confusão, escrevendo sobre algo que lhe é próximo é sempre mais fácil de passar a mensagem "certa" e de forma mais direccionada à emoção - sem ser lamechas, atenção. Foi realmente bom ler uma coisa destas. 

As ilustrações são muito interessantes e também elas simples, só mantendo o nível que o argumento cria. Mais a mais, a edição é bem porreira, o formato do livro é o ideal e acaba por só ajudar a que a coisa se leia ainda melhor. 

St. Jiro, será lido, provavelmente não com muita distância do tempo presente. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

[leituras] Bando de Dois

Título: Bando de Dois
Autor: Danilo Beyruth
Páginas: 96
Ano: 2010

Este livro tem uma capa maravilhosa. Olhando assim de chapa fiquei logo de orelha em pé e à espera de ver o que poderia ser.

Eu sei que olhando para a capa original eu conhecia isto de vista mas nunca lhe tinha pegado. 

Uma cabeça ensanguentada dentro de uma caixinha bem feita de madeira deixa a dúvida do que raio se passará ali mas para alguém como eu que gosta "destas coisas" cria assim uma curiosidade acima da média.

Agora, tive um problema que já não tinha há uns tempos: BD em brasileiro! É tudo português e tal mas não! Atrofia-me realmente ler em brasileiro, no início então é horrível! Depois entra-se no estilo e faz-se mas não é coisa que ache piada.

A história em si não é nada de especial mas torna-se engraçada. Um bando de cangaceiros (uns revolucionários um tanto ou quanto bandidais!) que são apanhados e mortos, as suas cabeças guardadas "condignamente" em caixinhas e é assim que só sobram dois, Tinhoso e Cavêra. A demanda segue para rever as cabeças dos seus companheiros e as peripécias que se seguem são engenhosas mas nem sempre dão bom resultado.

As ilustrações são muito boas, preto e branco, com os desenhos a serem bem detalhados e muito interessantes de ver.

É um livro pequenito que se lê bem e com uma história curiosa, no mínimo. 


domingo, 19 de julho de 2015

Internet Attack (XXII)

Parece que isto existe há uns tempos e eu não sei de nada. Ando a fazer mal o meu trabalho de casa:



Eu até gosto de jogar umas coisas mas uma das vantagens de extravasar as frustrações no mundo dos jogos é que não são reais e não nos magoamos!!! (Tirando orgulho ferido, isso acontece às vezes)

Tiram-nos sangue!!! Porque o jogo nos está a correr mal! Se calhar eu acho isso parvo porque sou péssima a jogar. OU! porque se calhar o tempo em que andávamos por aí a perder sangue a brincar foi há uma data de anos.

Enfim!




Essa bela escultura é feita de ossos. Porque sim. Mas lá que tem obras bonitas tem! A única parte mais... estranha, digamos, é que o autor se recusa a dizer de onde vieram o ossos!

Pois!

Para acabar, algo mais interessante e útil para a ciência:


Isso é um modelo de simulação anal. Yap, isso mesmo.

Para ajudar os alunos a terem uma experiência mais realista antes de terem contacto directo com os pacientes. Eu acho uma boa ideia! Lembrem-se é que isto é para estudar, só!

Vi isto e acho que é nestas coisas pequeninas que às vezes de vêem as coisas mais engraçadas.



Isso são as jogadas mais comuns no jogo de xadrez. Sou só eu que acho o resultado lindíssimo? Simples, interessante e com uma imagem final que fica curiosa e bonita. Coisas simples. Muito simples.



sexta-feira, 17 de julho de 2015

[leituras] Insólito

Título: Insólito
Autor: Loustal
Páginas: 52
Ano: 2000

Daquelas coisas estranhas que se apanham baratas na feira do livro, basicamente é isto! Tinha um ar estranho, estava num sítio com várias bd's que me andavam a fazer comichões e na minha última visita à feira do livro lá comprei este livrinho (que até foi a primeira vez que o vi).

O título adequa-se perfeitamente ao conteúdo, é um conjunto de 46 histórias, cada uma em sua página, de acontecimentos no mínimo bizarros. 

Coisas estranhas, sim, mas muito cómicas, com piadas se calhar um bocadinho mais puxadinhas do que muita gente gosta - ou percebe - e que atingem um bocadinho de tudo, seja políticas, costumes ou parvoíces várias.

É um livro que se lê num instante e que se torna divertido se o lermos com cabeça. As piadas são estranhas mas para quem gosta é categoria! Simples e incisivo, gostei imenso do resultado. 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

[leituras] Cidade de Vidro

Título: Cidade de Vidro
Argumento: Paul Auster
Adaptação: Paul Karasik, David Mazzuccheli
Páginas: 144
Ano: 2005

Não me lembro de ter visto este livro em lado nenhum e confesso que nem a versão original conhecia sequer de nome. Reconhecida a minha ignorância avancemos.

Estava completamente às escuras para o que encontraria neste livro e foi uma óptima surpresa num período em que já andava a ressacar com falta de BD.

Esta BD é diferente, é interessante, é mais séria, talvez, e é muito muito boa. Como adaptação não posso fazer julgamentos mas a ideia que tenho é que até nisso deve estar bem conseguida. Uma troca de identidade, uma psicose, uma loucura, um momento de fraqueza,... As trocas de personalidades num só homem a início confundiram-me mas rapidamente se desfazem as questões e tudo começa a fazer um estranho sentido.

O livro é muito bom, joga maravilhosamente com a mente humana, com aquelas pequenas situações/trocas/pormenores que acontecem e quase que abrem uma nova timeline. É um livro que anda sempre num limiar de loucura, com as coisas muito bem postas que resultam numa leitura curiosa, diferente e bastante agradável. Foi uma bela duma surpresa e agora terei de pegar no original, fiquei muito curiosa!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

[leituras] Jungle's Books

Título: The Jungle Books
Autor: Rudyard Kipling
Páginas: 336
Ano: 1895

Eu nunca pensei demorar tanto com este livro. Não e muito grande, mesmo com as letras pequenitas, nem e muito denso mas custou imenso. Seja porque o tempo anda especialmente escasso, seja porque a escrita não e a mais fluída, não sei. Sei que isto demorou, mas foi!

Acho que a parte do Mowgly toda a gente conhece, a criança que o tigre leva para a selva e acaba a ser criada pelos vários animais, lobos, urso, cobra, pantera, o que andasse por la! Vida de humana no meio dos animais da selva não e propriamente fácil mas o raio do miúdo tem fibra e nenhum animal lhe consegue fazer frente, influindo homens.

O livro é muito curioso, talvez para mim se tenha arrastado demais. Tem muitas situações e muitos detalhes. É uma obra que nos mostra os vários problemas dentro da floresta, como é que as coisa funcionam, como é a relação dos animais uns com os outros e com as regras ou situações. É criada, e bem criada, uma sociedade muito curiosa dentro daquele conjunto de páginas. E talvez todos os capítulos nos mostrem coisas novas, e nos dêm prespectivas diferentes sobre situações, animais ou outra coisa qualquer, mas ainda assim achei que provavelmente conseguiriam fazer o mesmo de outra maneira e com menos histórias separadas.

Talvez para mim o livro tenha valido muito a pena por isso! A história é boa e interessante, a maneira como os animais são retratados é igualmente bem descrita e concretizada e no geral faz uma leitura bastante curiosa. A mim custou-me um pouco, pela extensão de alguns capítulos e a presença de outros que achei muito "a encher", mas sem dúvida que é um óptimo livro!