sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

[series] Casanova

Título: Casanova
Argumento: Russel T. Davies
Realização: Russel T. Davies
Elenco: David Tennant, Peter O'Toole, Rose Byrne, Matt Lucas
Duração: 3 episódios de 1h
Ano: 2005

Há um padrão que começo a descobrir no trabalho de David Tennant: ele corre muito! Acho que é por isso que fica tão lingrinhas, não o deixam ficar sossegado.

Aqui temos quase toda a história deste Jack Casanova, desde um miúdo que só começa a falar quando uma moça se oferecer para lhe dar um "banho" até aos dias presentes, em que conta a sua própria história a uma jovem que lhe reconhece a fama.

Jack cresceu sozinho, filho de uma actriz que não quis saber dele. Cresceu e tornou-se de tudo um pouco: advogado, médico, astrólogo, o que fosse preciso. Fingia ser toda e qualquer personagem que fizesse falta no momento e em qualquer uma delas era rei. A vida dele foi isto e muita coisa, muita mesmo, aconteceu pela sua capacidade de se renovar e adaptar às situações.

Porque no fundo a fama que tem é verdadeira mas meio distorcida. Sempre foi um homem decente, com bom coração, não fez propriamente nada contra ninguém nem obrigou ninguém a nada. Antes pelo contrário: ele é que era procurado e levado "à certa".

De Veneza para Paris, de Paris para Londres, em cada sítio uma pessoa diferente, uma nova cara, um novo título, uma necessidade de se arranjar sem grande trabalho mas com uma boa vida. E verdade seja dita: ele é genial! Ele reinventa a roda e safa-se, sempre com estilo e sem grandes trafulhices.

No meio de muitas cenas divertidíssimas quero chamar a atenção para um cena em particular: a confissão deste Casanova. Mesmo quem não for ver a série que veja este pedaço, é ridiculamente genial! Acho que qualquer um que conheça a história imagina que teria imenso que dizer ao padre mas se a isto juntarmos o factor Tennant fica uma das cenas mais engraçadas da televisão. Diga-se de passagem que a confissão deu um ataque cardíaco ao padre e não era para menos!

Russel T. Davies a fazer mais um trabalho genial! Mais uma vez! Começo a ganhar cada vez mais respeito por este senhor. Onde quer que pouse as mãos torna-se em qualquer coisa muito muito boa! Quando quiser descobrir séries novas - como se as que tivesse para ver fossem poucas - vou atrás do que ele já fez. Não me deve enganar muito.

Com tantas peripécias, tantas mulheres, tantas situações peculiares que acontecem a este homem há uma constante ao longo de todo o tempo: muitas mulheres passam na vida dele mas só uma tem realmente o seu coração: Henriette. Ambos a fazer vida num ambiente que não é o deles acabam por ter uma empatia instantânea que nunca se dissipa. Os anos passam, a vida evolui, as situações impedem sempre que fiquem juntos mas independentemente de tudo o amor persiste e nenhum consegue esquecer o outro. É uma presença curiosa, não se torna chata ou lamechas, é um lamento numa vida muito preenchida.

Eu adorei ver esta série. Irrita-me a expressividade que este Tennant consegue por nas coisas. É dos poucos actores que me faz realmente sentir o que se passa ali, não consigo deixar de ver que ele está realmente a viver aquilo e isso só prova o bom actor que ele é. Surpreendeu-me de várias maneiras, situações que não contava, nunca se torna chata, há sempre qualquer coisa de novo a ser mostrado, até Matt Lucas anda por lá, o que me deixou tão perdida durante uns instantes.

É uma série divertidíssima, é pequenina, vê-se muito bem e recomendo a todos os níveis. Grande David Tennant. Grande T. Davies. Grande trabalho!






quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

[leituras] O culto do Chá

Título: O Culto do Chá
Autor: Wenceslau de Moraes
IlustraçõesYoshiaki
Páginas: 64
Ano: 1905

É giro ter namorado. É giro ter namorado que é tão bookworm como eu. É giro que ele nem saiba bem o que tem mas que depois quando descobre é uma festa. Melhor do que isso só quando descobre, ou se apercebe, que tem um livro que há-de ser ideal para eu ler. É esta a premissa deste O Culto do Chá.

Eu tenho uma fixação pelo Japão, desde há muitos anos. Acho um país interessante, uma cultura riquíssima e curiosa e um dia ainda irei lá. Para juntar à equação sou viciada em chá. Quando este livro apareceu na minha vida foi uma sensação maravilhosa de ter atingido um patamar diferente na minha vida.

Esta edição, fac-simile da original (na qual nem quero imaginar porque pela descrição dela é qualquer coisa de caírem os olhos), é dos livros mais bonitos que tive oportunidade de folhear. Ilustrações lindíssimas num papel (que parece) antigo quase que me transportaram realmente para terras nipónicas. 

Aqui fala-se, imagine-se, de chá! Da história do chá, das características do chá, da evolução do chá, da função do chá na sociedade, a importância da cerâmica pela necessidade de manter as características das folhas, a maneira de preparar o chá, a arte de o servir, bem, das várias coisas que se possa falar sobre chá. E é maravilhoso.

Por exemplo: Darumá adormeceu, mas para meditar não era possível adormecer. Para que esse mal não existisse cortou as pálpebras e plantou-as. Daí nasceu um arbusto e das folhas desse arbusto fazia-se uma infusão, óptima contra o cansaço. Assim nasceu o chá. Pode soar estranho mas acho uma história extremamente interessante. Descobri que bonecos de madeira deste mesmo Darumá são guardados em casa como objecto de culto. Quero um, obviamente!



Nota importantíssima: o chá bebe-se sem leite e sem açúcar. Eu sempre o disse e sempre o pratiquei! Agora meter cá mixórdias no chá, pfft...

Este é sem dúvida um dos livros mais bonitos que já vi, ilustrações lindíssimas, edição lindíssima, tudo lindíssimo! Já vi que há mais livros deste calibre, parece-me que o meu Darumá (que hei-de ter) terá de ser acompanhado com mais uns livrinhos deste género.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

[leituras] Hulk Cinzento



Título: Hulk Cinzento
Argumento: Jeph Loeb
Arte: Tim Sale, Matt Hollingsworth
Tradução: João Miguel Lameiras
Páginas: 148
Ano: 2014

Muito ouvi eu falar deste livro. O seu dono não se calou desde que o acabou, sempre a falar do quão bom era, do quão bem representado estava o Hulk e eu a ficar entusiasmada e curiosa por antecipação.

Então o nosso amigo verde no inicio era cinzento. É verdade, também achei estranho mas a personagem tem uma componente visual tão forte - bem, é uma parede de músculos gigante, é difícil não reparar - que nem notei grande falta de cor. O que acabou por me espantar, mais que não fosse por comparação foi: o Bruce Banner é tão raquítico. Ok, ao pé do Hulk qualquer um é raquítico, mas o Banner que estou habituada é um homem com corpo, não um lingrinhas que mal tem músculos para se levantar. Enfim...

Um Hulk meio perdido, apaixonado mas sem saber como lidar e conciliar o lado Hulk com o lado Banner. Em modo Hulk sabemos que fica ligeiramente diferente, não só na forma física, mas também na parte psicológica e essa dicotomia é interessante de observar. 

Tem um momento mega fofo do estilo of mice and men - só quer um amigo, um coelhinho adorável, mas a força é demais para um bicho pequeno, exactamente o mesmo caso e só torna a história deste Hulk ainda mais triste. Para aumentar a festa aparece um homem de ferro muito amarelo que leva uma coça muito bem dada, e eu até gosto do Homem de Ferro.

Independentemente de tudo o resto o Hulk aparece na versão mais expressiva que já vi na vida. Claro que seja para o que for o Hulk é um elefante numa loja de porcelana. Com tudo. Com o tamanho, força e resistência dele é pior do que um cilindro de estrada. Mas aqui é diferente: conseguimos distinguir traços de emoção nas feições distorcidas, felicidade, surpresa, tristeza, raiva...

É uma historia de amor bem contada, querida, trágica e não lamechas. Com o Hulk até se podia dizer que era complicado. A arte é genial, acompanha o argumento de maneira brutal e dá-lhe uma força terrível com o nível de detalhe e expressividade que transmite. Foi dos melhores livros de BD que apanhei nos últimos tempos.

"Hulk nunca magoa Betty.
Hulk sempre magoa Betty."

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Internet Attack (I)

A internet é um sítio grande e cheio de coisas e para não as perder nada melhor do que ficarem por aqui. Apanha-se um bocadinho de tudo, coisas boas e más, interessantes e estranhas. De vez em quando meto aqui umas coisas que eu acho que fazem sentido de aqui estar!

Para começar: vi o filme dos Guardians of the Galaxy há não muito tempo e sem dúvida que há uma personagem preferida muito acima de todas as outras: Groot! O raio da árvore antropomórfica com instintos fofinhos não deixa que as outras personagens tenham sequer uma hipótese ao pé dele. Não foi só a mim que conquistou, foi a todo e qualquer algum que o tenha visto e entre jogos, vídeos, peluches e bonecos afins chegou a bem mais gente do que poderia acreditar.

Desta vez descobri a vida diária de Groot e eu não sei quem fez isto mas conseguiu fazê-lo parecer ainda mais adorável do que já era.



De vez em quando criam-se fenómenos engraçados e tudo o que se faça com esta árvore vai dar resultado. Queiramos ou não ela consegue ser fofa e hardcore ao mesmo tempo, não há volta a dar.

Mas mudando drasticamente de assunto: então e Satã? Que abertura maravilhosa para uma conversa.

Um grupo de pessoas satânicas começou a distribuir livros infantis, à porta de escolas, com algumas imagens ou  palavras referentes a Satã. O livro não incita a matar galinhas nem cabras e nem sequer ensina a história do pentagrama ou do próprio Sr. Satã. São apenas joguinhos, coisas óptimas para entreter os miúdos quando não têm nada para fazer. 

Claro que tudo se insurge quando a esta iniciativa mas o ponto deles é bastante legítimo: se nas escolas há uma componente religiosa essencialmente católica, com a Bíblia por base, porque não dar atenção a outras religiões? Acreditando ou não em Deus, nuns ou noutros, não interessa, aceitando que se fale de uma qual o motivo para não se falar de outras? Quem diz que todas as crianças que ali estão pertencem à mesma religião? É complicado, muito complicado. Mas certo é que este livrinho é muito giro. Eu sei que adorava fazer estes joguinhos quando era mais nova. Fossem lá de que Deus fossem!



Eu sou fã de filmes com bonecos, confesso! Se me levantar cedo e estiver a dar desenhos animados na televisão fico alegremente a ver aquilo, a rir que nem uma perdida e a fazer os joguinhos tal e qual as crianças pequenas. Aquilo é giro.

Ultimamente tem havido uma boa porção da população adulta que se deixa voltar a tempos mais jovens das suas identidades e volta a brincar. Porquê e com quê? LEGO!

Uma jogada de mestre que junta a diversão que é construir coisas com aqueles pequenos pedaços de Satã (os joguinhos até fazem efeito afinal!) capazes de arrancar o mais estridente grito quando apanhados debaixo de um pé descalço e coisas que os mais crescidos gostam, como os Simpsons ou Star Wars ou, mais recentemente e ainda por sair, Doctor Who.



O filme que fizeram  do LEGO Movie foi genial, provavelmente o melhor filme de animação que já vi, ri-me tanto que fiquei com dores nos músculos da cara e da barriga. Tudo isto para dizer o quê? Que por muito adultos que sejamos é engraçado ver bonecada. Para nerds é pior, sim. Nós gostamos de ter os bonquinhos das nossas personagens preferidas, sejam em escala real ou POP's ou miniaturas detalhadas pintadas à mão. 

Mas alguém foi para além disso. Recriar quadros conhecidos com Playmobil! O resultado final é qualquer coisa, fica divertido e incrivelmente interessante ainda assim! 



Bonecos ao poder! Hoje, os quadros! Amanhã, o mundo!


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

[cinema] Into the Woods



Título: Into the Woods

Realização: Rob Marshall
Argumento: James Lapine, Stephen Sondheim
Elenco: Meryl Streep, Johnny Depp, James Corden, Emily Blunt, Christine Baranski, Chris Pine
Duração: 125min
Ano: 2014


Olhando para os nomeados dos Óscares deste ano e com alguns critérios de exclusão pelo meio pareceu-me boa ideia ver este Into the Woods. Tem a Meryl Streep e tal, tem o Johnny Depp, não há-de ser assim tão mau... Estava só a brincar: é péssimo!

Isto é uma verdadeira miscelânea onde nada faz sentido, tudo é confuso e misturado e não tem ponta por onde se lhe pegue. 

Em estilo musical, que é sempre o mais realista nestes casos como se sabe, as músicas e falas tinham sempre o mesmo ritmo, o mesmo estilo que se ouvia em Sweenie Todd e no fim só houve uma música que me soa bem e que recordo (Meryl Streep, como é óbvio). Nem uma ficava no ouvido, nada, eram demasiado banais.

Depois em termos de argumento... Como falar daquilo que vi? Temos o João e o pé de feijão, a Cinderela, o Capuchinho Vermelho todos misturados e com coisas muito estranhas a acontecer pelo meio. Desde lobos cujos interiores conseguiam alojar a minha casa, 

Houve alturas em que pensei que foi um desperdício tamanho fazerem um filme assim, em determinados pormenores foram tão bons e tão inteligentes. As irmãs da Cinderela tinham pés demasiado grandes para o sapatinho do príncipe. Ora o que é que se faz nessa situação? Cortam-se dedos! É horrível? Sim. É o que diz na história original? Sim, é, ao contrário do que a indústria da Disney nos queira contar! E eu a pensar: "Quando finalmente pegam nas partes interessantes dos contos de fadas que toda a gente acha que conhece é num filme que as está a desperdiçar completamente".

As cenas não fazem sentido nenhum, as personagens têm comportamentos estúpidos, há situações contraditórias, enfim. É uma desgraça pegada. Tem a Meryl Streep e perdoem-me o sacrilégio que vou cometer: por este filme não faz sentido estar nomeada para Óscares. A Academia tem de ter lá a Meryl a aumentar o Record de Mais vezes Nomeada mas ainda assim. Este ano deixavam a senhora sossegada. Para o papel que tinha de fazer fê-lo bem mas é fraquinho, muito fraquinho.

Tem Johnny Depp mas nem nos apercebemos dele. Tem Emily Blunt e James Cordon (pai do Stormageddon Dark Lord of All) mas as personagens são outras que têm momentos ridículos. Os príncipes são burros e não fazem nada. A Rapunzel é inútil (embora pela primeira vez vi uma forma bem feita de usar o cabelo para subir à torre). Enfim, não vi nada que valesse a pena.

É bom para rir, eu sei que ri muito durante o filme todo. Mais que não seja pela tristeza que aquilo é.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

[leituras] A Game of Thrones


Título: A Game of Thrones

Autor: George R.R. Martin
Páginas: 801
Ano: 1996

Isto anda na moda. Muito. Eu não sou grande fã de aderir a modas mas esta moda tem bom ar. E ainda por cima já não por uma ou duas vezes que ouço vozinhas a dizer "Não vês/leste Game of Thrones? Isto tem mesmo a tua cara.". Se tem ou não ainda não sei bem mas o certo é que a curiosidade falou mais alto e tive de pegar nos livros.

Já sei que me estou a meter num buraco sem fim. O Martin sobrevive à base das lágrimas dos fãs. Os livros ainda não saíram todos e o Martin vai gozando connosco. As personagens acabam todas por morrer mais cedo ou mais tarde, não vale a pena apegarmo-nos a alguém. Enfim, não tem ponta por onde se lhe pegue. E eu meto-me nisto.

Mas a verdade é que li o primeiro livro. E já fiquei meio apanhada!

Já dou por mim a comentar as casas e as personagens detestáveis que isto tem. Já fui privada de uma parte do meu coração pela maldade do Martin. Enfim, já sou mais uma. Ainda em doses pequeninas mas já estou no meio da fandom de GoT.

Assim que abri o livro deu-me a impressão de que seria uma leitura boa de se fazer e é bem verdade. A divisão em capítulos dos diferentes pontos de vista tem vantagens e desvantagens mas acaba por dar um ritmo interessante à história, quebrada mas interessante. Permite acompanhar as várias situações e personagens de uma maneira engraçada. A escrita é bastante engraçada, consegue envolver o leitor e contar bem uma história. Envolve de tal maneira que quando temos os momentos de Martin morremos um pouco por dentro, mas enfim.

No meio de tantas guerrinhas, de tantos amores reprimidos e ódios acesos às vezes pensei se estaria a ler coisas de crianças pequeninas. Há crianças pequenas no livro que têm mais cabeça do que os adultos, sempre prontos a sacar da espada porque não sei quem disse o quê. Tudo é uma ameaça pegada ao reino e ao rei e à rainha e aos príncipes e há sempre bodega pelo meio. 

Enfim, com tanta coisa a acontecer há personagens que se destacam pela positiva e outras pela negativa - com sentimentos mais fortes ainda! Senão vejamos: o Tyrion é super badass, brutalíssimo e das personagens mais interessantes e estranhamente inteligentes que se apanha por aí; Arya, ainda não mostrou muito mas tem guerra, é uma Stark na alma e isso nota-se, tenho esperança que fique realmente hardcore e ainda me dê muitas alegrias (antes de morrer já que eventualmente morre tudo); Jon Snow, provavelmente a personagem mais falada, por não saber nada ou não, não sei, mas fala-se muito, parece-me ser uma personagem cheia de potencial para ser muito, muito boa, badass, hardcore, fixíssimo, agora vamos ver se corresponde ou se se acobarda; Daenerys, gostei tanto dela! Tem uma sensibilidade tão inocente e querida mas ao mesmo tempo uma força interior tão forte, estava a adorar tudo na história dela e aqui sim, arrancaram-me o coração, mastigaram um bocadinho, misturaram com erva doce e sangue e voltaram e pôr no sítio. Acho que assim que me lembre foram as personagens que me chamaram mais a atenção pela positiva. 

Pela negativa? Fácil: Cercei, odeio a mulher de morte; Joffrey, coisinha mais chata; Robert Arrys, conseguiu irritar-me mais que o Joffrey, mimadinho e irritante, este espero que esteja na lista dos mortos próximos. Gostei de mais pessoas do que desgostei, pelo menos que me lembre. Que engraçado.

Já sei que ainda tenho umas boas páginas para chegar até onde há história e que muitos morrem. Para o fim deste livro, mesmo depois de estragar a parte da história que estava a suavizar o ambiente e a ser bem construída ao mesmo tempo, foi bom. Gostei do pormenor final e estou curiosa para ver como é que o puseram na série.

Aliás, há muita coisa para a qual estou curiosa na série. Vamos ver. Se calhar só no Verão, até lá ainda leio mais um livro ou dois!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

[leituras] X-Women - Mulheres da Marvel


TítuloX-Women - Mulheres da Marvel

Argumento: Chris Claremont, Marjorie Liu, Stewart Moore, Kelly Sue DeConnick
Arte: Milo Manara, Filipe Andrade, Nuno Plati, Mark Brooks, Ryan Stegman
Cor: Dave Stewart, Sotocolor, Nuno Plati, Emily Warren, Juan Doe

Olhando para a capa já se sabe de quem são a ilustrações do livro - da primeira história, aliás: Milo Manara. Num estilo muito próprio até é uma capa com mais roupa do que seria de esperar.

Confesso que tenho sempre imensa pena do leque reduzido de Manara. As mulheres desenhadas são sempre as mesmas, não tem mais do que 6 mulheres que lhe vão servindo para todas as histórias, é só trocar de roupa - quando a há. Independentemente disso tem uma capacidade extraordinária de fazer histórias sensuais, eróticas e tal, mas por vezes dá-lhes só um toque de sensualidade - não javardeira, entenda-se - que fica bem. Aqui achei exactamente isso, gostei de ver estas histórias por uma perspectiva diferente, claro que outra coisa não era de esperar mas ficou um trabalho interessante.

A história peca por falta de conteúdo, não tem quase nada, umas férias que dão para o torto e acabam em porrada. Sendo que é um livro de X-Woman não se poderia esperar muito menos do que isso. E vá lá que conseguem manter a roupa no corpo, por curtas que sejam e sejam lá as poses em que apareçam.

O segundo comic tem das artes mais interessantes que tenho visto. Temos uma moça Wolverine em busca por si própria, por encontrar o cantinho dela e acalmar os instintos mutantes que ainda não consegue calar decentemente. As ilustrações estão divididas e temos uma parte em tons de vermelho e preto, lindíssimas!, e outras mais "normais" da vivência real da moça. A história está bem porreira mas para mim as imagens e cores ganharam aos pontos.

Agora, mutantes que não são mutantes, são experiências que resultam em poderes sem o gene X, o que é chato porque acabam por ser discriminados por parecerem mutantes mas nem os mutantes os querem por não serem bem da mesma raça. Pobres pessoas. Mas há uma brigada de controlo de poderes com métodos de Clockwork Orange que me deixaram surpreendida. Não estava a contar mas foi qualquer coisa de interessante.

Por fim temos Sif, Asgardian, anda por cá a fazer coisas um bocado indefinidas, como é costume dos conterrâneos da senhora. A história é um bocado confusa, torna-se pouco desenvolvida e não achei que agarrasse a leitura. Uma pena. 

No todo é um livro engraçado de se ler mas que me deixou um bocadinho desiludida. Esperava mais e melhor. Ainda assim tem o ponto forte daquelas ilustrações maravilhosas do segundo comic que ficam assimiladas para acompanhar aqueles dois senhores - portugueses ainda por cima.