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segunda-feira, 7 de março de 2016

[leituras] Deixa-me entrar

Título: Deixa-me Entrar
Autor: Joana Afonso
Páginas: 64
Ano: 2014

Joana Afonso tem sido daqueles nomes que vai aparecendo, assim como quem não quer a coisa, e quando dei por mim, encontrava-se com facilidade e em coisas interessantes.

Para mim Living Will é a prova viva disso, mas este Deixa-me Entrar andava há algum tempo para ser lido para ver não só os desenhos mas também o argumento.

Porque aqui tudo é Joana Afonso, e o que nos é apresentado é bastante agradável de ler.

Um homem solitário e misterioso. É sobre isso o livro. Um homem que fala pouco, que faz o seu trabalho, paga as suas contas, mas que vive num outro mundo muito próprio onde ninguém entra.

Ao seu obrigada a provar um pouco de fora desse mundo qual será a reacção? E quando alguém entra no mundo dele?

Eu confesso que este é dos livros que quero ler uma segunda vez, com toda a atenção, focando agora no detalhe, seja para a história seja para os desenhos. Tal e qual como os desenhos típicos de Joana Afonso, há sempre muito detalhe e qualquer cisa mais para ver. Neste caso, cheira-me que uma segunda leitura vai fazê-los saltar.

Resultado: é um bom livro, é um livro que a princípio parece ser mediano mas que envolve, se desenvolve e, chegando ao fim, nos mostra uma história bem contada e interessante.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

[leituras] Tormenta

Título: Tormenta
Autores: André Oliveira, João Sequeira
Páginas: 62
Ano: 2015

Como alguém muito sábio disse quando lhe mostrei o livro: "Isto parece Chili com Carne". E é verdade. A Polvo de vez em quando tem assim destas coisas.

E mesmo eu que gosto de coisas da Chili com Carne, preciso de mais qualquer coisa do que isto. É um livro muito forte, muito cheio, muito perturbador, mas que no meio de tanta coisa tem uma história por trás. O problema é que no meia da confusão e com tanta coisa à frente essa história só nos é mostrado por pequenas frações de tempo e juntar tudo de forma a fazer sentido, em conjunto com assumir ou deduzir o que ficou por trás do que realmente vimos não é tarefa fácil.

E embora o impacto visual do livro seja um ponto forte, é demasiado forte quando pensado no conjunto do que tem mais, neste caso aquilo que nos está a mostrar, que é suposto ser mais do que um conjunto de páginas com desenhos.

E pronto, não fiquei fã. É um livro que podia ser mais se fosse menos - que frase tão bonita. Aqui simplificar um pouco as coisas, ou deixar algumas coisas mais abertas tinha sido benéfico. Assim é uma mancha de preto, muito preto, que deixa passar muito pouco do que está a mais do que isso.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

[leituras] Milagreiro



Título: Milagreiro
Argumento: André Oliveira
Desenho: André Caetano, Filipe Andrade, Nuno Plati, Ricardo Cabral, Ricardo Tercio, Ricardo Drumond, Jorge Coelho
Páginas: 50
Ano: 2015

No Amadora BD vi algumas das ilustrações deste livro e a versão a preto e branco do que vemos na capa deixou-me bastante curiosa para ver o que haveria mais lá por dentro.

Não sabia que a estrutura do livro era diferente do normal, com uma grande equipa em poucas folhas. E o resultado final é interessante. Cada capítulo tem uma mão diferente, seguindo a história que é contada ao longo do livro, sem interrupções para além das estéticas.

Entre capítulos há também divisões, assinadas por Drumond que me faziam parar um bocadinho a olhar para elas. Pouca cor, essencialmente preto e branco, mas coisas muito interessantes.

As artes em cada um dos capítulos são completamente diferentes, como é normal, e gostando mais de uns do que de outros o geral é uma obra interessante, bonita, diferente mas que ganha nessa diferença. O choque de um capítulo para o outro às vezes é muito grande, com traços mais rectos, ou cores mais garridas, mas uma vez passadas as primeiras páginas a coisa assenta sem dificuldade.

A história em si é sobre "fazedores de milagres", ou seja, num mundo em que há descrença em crescendo há a necessidade de voltar a chamar a atenção, voltar a mostrar que a crença faz sentido, mesmo que para isso se falsifiquem as ditas provas.

Um história curiosa, não? Depois da base vem muito mais, desde mortos não mortos a um ambiente em modo algodão doce alucinogéno... A história tem contornos peculiares mas torna-se uma leitura engraçada.

Se há coisa que vale a pena de ver nestes livros é que a BD não está morta e está a ter muita coisa a sair, muita gente a fazer coisas, e coisas que valem a pena. Se o caminho que seguem agora é o melhor ou não, se continuará assim ou não, isso não sei, mas sei que é bom de ver que ainda há muita gente a ter ideias e a fazer coisas. Só assim é que podem aparecer obras com grande qualidade.


domingo, 6 de dezembro de 2015

[leituras] O Diabo e Eu

Título O Diabo e Eu
Autor: Alcimar Frazão
Páginas: 48
Ano: 2013

Bem, mais uma BD pequenita, que se lê, calmamente e a apreciar as vistas, em 20 minutos. Não tem diálogos, é composto só pelas imagens e esse esquema, neste contexto até que funciona muito bem.

Mas bem, o livro começa com um Prefácio de Sandro Saraiva que nos contextualiza naquilo que vai ser o livro. Sem esta introdução as coisas fariam muito menos sentido e o livro não teria grande coisa a contar. 

Antes de mais, começar pelo ponto alto nisto que são as ilustrações. As ilustrações são realmente muito bonitas e ganham o prémio de ponto forte do livro. 

Segundo: a edição, honra seja feita à Polvo, também está um miminho. A capa e contracapa são interessantes, as cores só pelo preto e azul que morre no meio do preto cria uma capa que transmite bem a postura do livro, transmite bem o tom melancólico que se apanha ao longo de toda a história. Depois as páginas pretas, no interior, e os próprios arranjos brancos, contrastantes, dão uma beleza muito interessante - ainda que dark - ao livro nos seus pordentros.

A história em si não é das que cativa especialmente. A representação de vidas complicadas, a maneira de lidar com adversidades em conjunto com a maneira de fugir daquilo que é o dia a dia.

É um livro que para mim ganha muito pela arte mas que em história não traz muito de novo.

Gostei do livro mas não é um dos que marca lugar cativo.



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

[leituras] Cidade Suspensa



Título: Cidade Suspensa
Autor: Penim Loureiro
Páginas: 64
Ano: 2014

A capa embora me parecesse interessante - em grande parte por ser tão aleatória e ter uma passarola por lá escondida - não era a coisa que mais me chamasse num conjunto de bds que me aparecessem à frente. Mas uma vez lido livro lido fiquei positivamente surpreendida. 

A história é contada de forma diferente do que o habitual. São-nos dados pormenores em forma quase de entradas num diário de bordo. Uma data e o acontecimento dessa data, e isto ao longo de uma vida. 

Um grupo de pessoas que se vai criando, e destruindo, com muitos acontecimentos estranhos pelo caminho que nunca chegamos a perceber completamente.

Com aventuras nas vidas destas pessoas, ao longo dos anos e em vários países, vamos saltando de situação em situação tentando apanhar as pontas perdidas que nos vão aparecendo. E o livro é muito na base disso, tentar encontrar as explicações para o que nos contaram do que se passou uns anos antes. Situações bizarros, pessoas desaparecidas, novas pessoas, amizades que de retomam por algum motivo, coisas muito aleatórias que juntas contam uma história que deixa alguns buracos por preencher.

Agora tem uma guinada forte de influência portuguesa, muito marcado nalgumas passagens e que torna o livro mais interessante ainda. Há armas escondidas em Galos de Barcelos, vamos dar relevância a estas coisas! Há um imaginário tuga que até a passarola chamou. Para os portugueses conseguimos ir buscar pequenos pormenores que para nós são guloseimas no meio da história, e sabem bem! Esse lado acaba por ser interessante de ver explorado, apela ao nosso lado patriota e dá mais uns pontinhos extra!

O livro é engraçado e ganha essencialmente por dois motivos: a arte, que é bem interessante, e a estrutura do próprio livro, que foge à regra do que se costuma encontrar em bd. Tirando isso, a história é interessante mas não me cativou especialmente.

É um livro engraçado para ler e vale a pena mais que não seja para ver esta forma de contar uma história. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

[leituras] Matiné

Título: Matiné
Argumento: Magno Costa
Desenho: Magno Costa, Marcelo Costa, Márcio Moreno, Magenta King, Dalts
Páginas: 80
Ano: 2013


Eu acho que algures já tinha pegado neste livro. Não acho difícil: edição da Polvo, uma boa capa, um aspecto estranho, de certeza que já tinha pegado nele mesmo que não me tenha entusiasmado ou tido tempo para investigar!

Agora pegando nisto: três histórias, com umas temáticas muito curiosas e postas de uma forma muito interessante. Esta capa é fascinante, para começar. É forte e é bruta e dá-nos uma ideia logo à partida de um livro com acção, a sério. 

O Estranho Sem Nome é sem margem de dúvida o melhor conto dos três. É brutal, com um bando de pessoal a acabar morto, é interessante, é misterioso e tem o melhor fim possível para a história apresentada. Um fim perfeito, como há poucos! 

O Velho já é um pouco diferente. É igualmente intenso, tem uma parte mais emotiva associada, o ver dos laços que ligam as pessoas a levar a todas as atitudes que sejam necessárias. Há um objectivo a cumprir e se era fácil cair no facilitismo e previsibilidade ainda bem que o não fizeram. Foi também uma óptima leitura que apenas reforçou a boa imagem do livro que o primeiro conto tinha criado.

A Mariposa foi o que menos gostei. É engraçado mas não consegue manter-se à tona quando no contexto dos outros dois. Dá-nos detalhes muito directos de relações entre os contos que aqui nem acho que façam sentido. Ou teriam de ser explorados doutra maneira ou mais valia ter ficado sem esse ponto. Enfim, é uma história mais estranha e com muito menos força que as restantes, que acaba por não pegar muito. Para fim de livro foi uma pena.

Ainda antes de ler o livro chamaram-me a atenção para um pormenor especialmente interessante: em todas as histórias foi arranjada uma maneira de inserir uma "arte convidada". Flashback, ou pensamento mas há claramente uma diferença a meio das histórias que vêm doutra mão. Ficou uma "brincadeira" que encaixa muito bem nas histórias e que só mostra o bom trabalho de todos os envolvidos neste Matiné.







quarta-feira, 4 de março de 2015

[leituras] 7 Vidas


Título: 7 Vidas : Diário de Vidas Passadas

Autor: André Diniz
Ilustrações: António Eder
Páginas: 120
Ano: 2014

Este livro foi-me aparecendo à frente e por algum motivo tinha aquele estilo meio louco que eu gosto de ler. Ok, capa meio alienígena é capaz de ter ajudado muito.

7 Vidas é um livro sobre vidas passadas, como o próprio título diz. André Diniz fez sessões de regressão a vidas passadas e o relato do que foi vendo e sentido é qualquer coisa digna de nota.

É engraçado ler determinadas coisas, não são histórias de como era ser a Cleópatra ou o Napoleão mas sim pessoas "normais", ver pessoas diferentes que são vistas e sentidas como conhecidas, mão, pai, filho, mulher, mas ao mesmo tempo sem nunca as termos visto.

Somos apresentados a várias coisas que foram acontecimentos a "Andrés anteriores" e encontramos várias pessoas, com estilos diferentes de viver, hábitos e épocas diferentes. Uma dor na perna desde o início das regressões que foi fazendo tinha de ter explicação assim como uma vida com lembranças muito pouco agradáveis. É engraçado de acompanhar.

Eu sou céptica acerca destas coisas mas deixo as hipóteses em aberto. Se a oportunidade aparecer quem sabe se não tento descobrir vidas passadas escondidas algures na minha mente (ou lá onde ficam guardadas). Este livro acaba por ser engraçado e dá-nos uma ideia muito superficial de como é que isto tudo funciona. De qualquer das formas lembrou-me que sou curiosa com estas coisas!

É um livro engraçado de se ler por curiosidade mas pouco mais que isso. Torna-se interessante e quando começamos ficamos na expectativa do que ainda pode aparecer mais, nunca se sabe se não aparecia o Elvis algures!



quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

[leituras] Hans



Título: Hans - O cavalo inteligente

Autor: Miguel Rocha
Páginas: 80
Editora: Polvo


Mais uma das minhas descobertas que deram certo. Há pouco tempo descobri Miguel rocha com o A vida numa colher [beterraba] e embora não tenha ficado fã as críticas gerais ao autor eram boas. Quando descobri mais um dos seus livros pensei: porque não? E desta vez a coisa foi diferente. 

Aqui temos a historia de Hans, um cavalo inteligente. Aparece-nos um palco em frente e nele um "apresentador" que nos fala das capacidades deste bicho especial. Cálculo matemático, desde que posto de forma simples e clara para que ele identificasse o problema em causa. Mas o público é impaciente e rapidamente se chateia de um cavalo maravilha que afinal não faz nada de mais, faz contas mas nisso não é assim tão fabuloso, ele que fale, ele que faça mais qualquer coisa. 

Mas depois desse primeiro contacto que temos no palco temos a historia por detrás do cavalo, o tratamento necessário para que o resultado fosse uma demonstração de raciocínio animal capaz de ser posto em palco. Pior que isso é tentar perceber o raio de relação que há com o cavalo na vida do dono. Eu juro que fiquei muito confusa quando a dada altura aparece uma mulher, completamente aleatória, com quem o homem tem uma relação - também claramente mal resolvida. Nada de estranho. Mas e se essa mulher falar com o cavalo a dizer que e mãe dele? Hein? O cavalo é filho deles? O quê? Mas mas mas... 

Não faço ideia. A serio que não. Querendo passar mais coisas acho que o livro ficou a perder, torna-se mais confuso, embora admita que o livro está bem construído.

Só referir que este cavalo existiu mesmo, foi submetido a testes e verificaram que as suas habilidades vinham de uma leitura da linguagem corporal do dono - Wilhelm von Osten.

Por fim as imagens são boas, o tipo de desenho e muito interessante mas ainda o que gostei mais foi da cor. Esta tudo em tons de preto e branco mas com uma espécie de tom arroxeado que lhe dá um ar quase etéreo. Cinco estrelas nesse ponto, dá-lhe um ar diferente, quase um ar sonhador se juntarmos a não existência de contornos nos quadrados, dá-lhes um aspecto pouco sólido. Gostei imenso disso!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

[leituras] Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos


TítuloTu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos
Autor: Pedro Brito, João Fazenda
Páginas: 94
Ano: 2002


Já tinha lido um livro deste Pedro Brito, Pano cru, e lendo mais um noto realmente um estilo e uma linha de pensamento contínua de um para o outro.

Aqui temos um escritor, a meio de um projecto diferente - de BD - mas com um bloqueio tremendo. A mulher e pintora, numa luta imensa por singrar na área, e que não lhe da o apoio que precisa, e vice versa.

Precisa de uma musa e encontrando uma velhinha na rua a vender plantinhas estranhas decide comprar uma, bem retorcida, para ser a fonte da sua inspiração. Acontece que no momento em que se prepara para testar as capacidades da recente compra dá por si a sonhar com uma mulher que nunca viu na vida mas que vê passados uns dias. Como? Magias de velhas.

As coisas com a mulher não melhoram mas quando se dá o corte final acaba por ser proveitoso para ambas as veias criativas do casal (ex) de uma maneira bem interessante, diga-se.

As ilustrações são muito interessantes, a preto e branco com pinturas a vermelho, e mais nada. Por vezes a coisa torna-se um pouco estranha por que no meio de alguns momentos mais mexidos só temos rã iscos a preto e traços perdidos de vermelho que dão uma ideia de sangue, ficaram algumas cenas mais perturbadoras do que estava a contar inicialmente. Não que estejam más, na minha opinião, estão apenas muito estranhas e no contexto global do livro não sei se e a melhor opção.