Mostrar mensagens com a etiqueta Levoir. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Levoir. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 31 de julho de 2015

[leituras] A Viagem

Título: A Viagem
Autor: Edmond Baudoin
Páginas: 232
Ano: 1996


Acho que foi o último livro da colecção da Levoir que li, agora que penso nisso! Enfim, mais um à aventura e mais um com sentimentos ambíguos.

Por um lado gostei da história. A ideia de uma viagem de reencontro, uma viagem para encontrar coisas novas ao mesmo tempo que o sujeito se encontra a si mesmo. Isto é feito de uma maneira extremamente esperta, recorrendo a uma anomalia curiosa: uma cabeça aberta. Isto quer simplesmente dizer que tudo lhe entra na cabeça, que o que rodeia a pessoa é aquilo que tem na cabeça, é ele próprio. Um toque engraçado que dá uma piada diferente ao que é contado.

Ao mesmo tempo pensando na viagem que nos é mostrada já não sou tão fã assim. O conceito é muito bom e concordo a 100%, a execução do tipo já são outros quinhentos. Quanto às ilustrações que noutros ambientes encaixariam muito bem, aqui não lhes achei muita piada: umas ilustrações mais cruas, mais simples, mais brutas por vezes. Já tenho visto livros em que este tipo de ilustração assenta no argumento, aqui achei que não se justificava, achei que fazia sentido uma ilustração mais detalhada e menos grosseira. Não é que fique mal, só acho que não fica tão adequado: a história por si só tem tanta coisa que gostaria de a ver noutro registo.

Agora, o livro é bom, é bastante interessante, está muito bem escrito e muito bem pensado. Sem dúvida que é uma situação nova e que dá muito que pensar. 

Tem uma bela concretização e é uma leitura simples e leve que se faz num instante e vale muito a pena. 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

[leituras] A Arte de Voar

Título: A Arte de Voar
Argumento: Altarriba
Desenho: Kim
Páginas: 208
Ano: 2009

Na sequência de O Diário do Meu Pai mais um livro desta colecção de Levoir que nos conta a vida de um pai pelas palavras de um filho. Mas desta vez a coisa é completamente diferente.

O livro retrata a vida de um homem que nos é apresentado desde início como alguém que no seu estado de velhice decidiu acabar com a vida atirando-se de uma janela do lar onde se encontrava. Acabamos por ir ao encontro de todas as peripécias que culminaram naquele momento. Ver o lado de dentro da vida de alguém, semi de dentro, semi de fora, acaba por ser uma versão diferente do que costuma ser feito.

Porque os semis? Porque todo o livro é contado na primeiro pessoa mas pelo filho, que se assume agora na personalidade do pai. Eu aqui torço o nariz: isto é uma maneira engraçada de por a coisa mas não me agrada muito. Percebo o que quer fazer mas a mim, pessoalmente, não me fascina. Não vamos por ninguém no lugar de ninguém, acho que ficava melhor. Mas enfim.

A história do Sr. Altarriba é muito rica, com muitas aventuras e desventuras, muitas voltas numa vida das mais variadas e mexidas que já ouvi falar. Acompanhamos a evolução do homem, o crescimento como pessoa, as dúvidas inerentes a situações complicadas, enfim, acompanhamos realmente uma vida, em todas as suas valências. 

As ilustrações são muito, muito bonitas, com um detalhe muito curioso e pormenorizado e desenhos que realmente dão gosto de ver passar página após página. 

É um bom livro, interessante e com uma perspectiva da vida diferente daquela que costuma existir nos livros. Eu gostei, não fiquei absolutamente fascinada mas foi uma boa leitura.


quarta-feira, 22 de julho de 2015

[leituras] O Diário do meu Pai

Título: O Diário do meu Pai
Autor: Jiro Taniguchi
Páginas: 280
Ano: 1994

Um autor japonês, de BD, com uma capa e um título que me agradaram, enfim, foram vários prós logo de chapa para este livro. Mas desta colecção, embora tenha livros interessantes, poucos são os que realmente me deixaram interessada e plenamente satisfeita.

A premissa foi essa e lá peguei no livro. 

A ideia é simples: um filho que se afastou de casa, com uma grande mágoa associada a sua família, em especial ao pai e depara-se com a notícia de que esse mesmo pai morreu.Voltar a sua terra natal, reencontrar caras conhecidas, incluindo a irmã, e acima de tudo lembrar um homem, o pai desta personagem principal, homem esse cuja vida foi mais do que Yochan quis ver, ou deu oportunidade para.

O descobrir das bases da vida de alguém no momento em que o foco principal deixa de existir é um misto de alivio e frustração. A vida afinal não foi a que sempre conheceu, as verdades que julgava absolutas são afinal fruto de desentendimentos e desconhecimento. Há mais coisas para além daquelas que que as aparências contam, principalmente quando a postura quanto a elas é a fuga.

O desenrolar da vida de uma família, com flashbacks bem posicionados a mostrar como as coisas realmente foram, a jogar com memorias e reconstituições fica uma aventura interessante de acompanhar.

Até eu fiquei surpreendida com o quanto gostei do livro. Uma coisa tão simples mas tão bem contada, posta numa situação em que faz todo o sentido e não soa a vão, ou a feito. É um relato de uma vida, só isso. E isso é muito.

Cativou-me, prendeu-me à história, muito mais do que a coisa de não querer largar o livro, era mesmo estar interessada "mais a fundo" na própria história. Não estava a contar mas foi realmente uma leitura que ainda que leve e que se fez muito bem, deixa a mensagem que lá anda a retinir nos nossos ouvidos e isso, bem feito, não é fácil de encontrar. Ver que em parte o livro retrata parte da vida do autor não me fez grande confusão, escrevendo sobre algo que lhe é próximo é sempre mais fácil de passar a mensagem "certa" e de forma mais direccionada à emoção - sem ser lamechas, atenção. Foi realmente bom ler uma coisa destas. 

As ilustrações são muito interessantes e também elas simples, só mantendo o nível que o argumento cria. Mais a mais, a edição é bem porreira, o formato do livro é o ideal e acaba por só ajudar a que a coisa se leia ainda melhor. 

St. Jiro, será lido, provavelmente não com muita distância do tempo presente. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

[leituras] Bando de Dois

Título: Bando de Dois
Autor: Danilo Beyruth
Páginas: 96
Ano: 2010

Este livro tem uma capa maravilhosa. Olhando assim de chapa fiquei logo de orelha em pé e à espera de ver o que poderia ser.

Eu sei que olhando para a capa original eu conhecia isto de vista mas nunca lhe tinha pegado. 

Uma cabeça ensanguentada dentro de uma caixinha bem feita de madeira deixa a dúvida do que raio se passará ali mas para alguém como eu que gosta "destas coisas" cria assim uma curiosidade acima da média.

Agora, tive um problema que já não tinha há uns tempos: BD em brasileiro! É tudo português e tal mas não! Atrofia-me realmente ler em brasileiro, no início então é horrível! Depois entra-se no estilo e faz-se mas não é coisa que ache piada.

A história em si não é nada de especial mas torna-se engraçada. Um bando de cangaceiros (uns revolucionários um tanto ou quanto bandidais!) que são apanhados e mortos, as suas cabeças guardadas "condignamente" em caixinhas e é assim que só sobram dois, Tinhoso e Cavêra. A demanda segue para rever as cabeças dos seus companheiros e as peripécias que se seguem são engenhosas mas nem sempre dão bom resultado.

As ilustrações são muito boas, preto e branco, com os desenhos a serem bem detalhados e muito interessantes de ver.

É um livro pequenito que se lê bem e com uma história curiosa, no mínimo. 


segunda-feira, 6 de julho de 2015

[leituras] Mort Cinder

Título: Mort Cinder
Argumento: Héctor Germán Oesterheld
Desenho: Alberto Breccia
Páginas: 234
Ano: 2015

Mais uma vez tenho um problema com a repetição e arrastamento de alguns livros. Falei ainda há pouco tempo do que me aconteceu com o Sharaz-De e aqui voltou ao mesmo. Não é tão aborrecido mas a ideia é a mesma. 

Nesta história temos um homem, Mort Cinder, que é imortal, que viveu em várias épocas, participou em diversos marcos históricos e voltamos um pouco a outros ambientes e outras eras pelas memórias dele.

Para mim livros destes não funcionam muito bem. As histórias que são contadas pelo meio do livro são interessantes, bem escritas e até valem a pena mas juntarem-nas neste formato durante 200 e tal páginas não está a funcionar para mim.

Gosto do ar enigmático que rodeia todo o livro, do pouco que sabemos sobre as personagens e os eventos que vamos vendo. É engraçado andarmos meio às apalpadelas a tentar perceber uma coisa mesmo sem nunca ver o que está a volta.

As ilustrações são engraçadas mas também não me conquistaram muito. A preto e branco, num registo que acompanha bem o argumento e que dá um ar ainda mais obscuro a tudo o que estamos a ler mas ainda assim nada que me chamasse uma atenção especial.

Enfim, gostava mais disto noutro formato, ou com uma dinâmica diferente que entusiasmasse mais. Assim acaba por não me chamar como poderia, até porque eu gosto da premissa do livro e das histórias que contém. Não resultam é neste formato, ou desta maneira. De qualquer das formas é um bom livro, que vale a pena e com uma ideia de base muito interessante.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

[leituras] Em busca de Peter Pan

Título: Em Busca de Peter Pan
Autor: Cosey
Páginas: 136
Ano: 1984

Este é daqueles livros que abri às cegas. Apareceu-me nas mãos e vamos lá ver o que sai daqui. O título deixava-me curiosa, a capa não me dizia grande coisa mas vamos lá descobrir mais um pouquinho.

É um livro muito calminho, sem grandes surpresas ou emoções, é daqueles livros que é interessante o suficiente para prender a leitura e manter-nos ali agarrados à história, mas não emocionante o suficiente para nos empolgarmos realmente com aquilo. É uma leitura boa para uma tarde onde queiramos essencialmente sossego.

E verdade seja dita: a paisagem por onde temos a história também incita a isso. Um manto de neve para onde quer que se olhe é qualquer coisa fofa (literalmente) e sossegada (tirando em modo avalanche).

E a história acaba por apanhar uma aldeia em perigo por causa da neve ao mesmo tempo que um fugitivo simpático por lá se passeia e faz passear polícias de vez em quando. Túneis secretos, amizades curiosas, espaço branco sem fim, é um livro muito curioso e bonito de se ler.

Confesso que este é daqueles que precisa de uma segunda volta, ler uma outra vez, passados uns meses para assimilar completamente não só os detalhes da história como também para apreciar melhor a arte que a acompanha. 


segunda-feira, 22 de junho de 2015

[leituras] Sharaz-De

Título: Sharaz-De
Autor: Sergio Toppi
Páginas: 224
Ano: 1984

Esta capa deixou-me curiosa. As ilustrações são muito cheias, com muita coisa a acontecer numa imagem, que nunca é só uma imagem. Fiquei curiosa sobre como é que isso seria mantido ao longo de um livro inteiro e este ponto foi dos que acabei por gostar mais. 

Mas bem, a história já não é nova: um rei que é traído pela sua mulher e que a partir desse momento decreta uma nova lei: todas as mulheres jovens são para lhe ser oferecidas, uma por noite, com a condição de que na manhã seguinte serão mortas. Parece justo. E como é o rei que manda tem de ser.

Lá começa a haver escassez de moças – pudera – até que há uma que se candidata com a ideia de que conseguiria sobreviver à vontade do rei. Como? À base do contar de histórias. Todas as noites uma nova e o rei não queria ficar sem histórias por isso não podia ficar sem Sharaz-De. Golpe esperto, sim senhor, moça!

O mal disto é acabar por pecar pela repetição. É tudo muito engraçado, as histórias são interessantes e curiosas mas o livro é enorme e acaba por ser sempre mais do mesmo, over and over again. Torna-se um bocado complicado de não chatear de ler sempre a mesma situação com pequenas variantes!

As histórias não são todas iguais, são interessantes e tal mas mais de 200 páginas nisto cansa. Percebe-se bem a ideia do que a moça está a fazer, bastava contar 5 ou 6, não são precisas 200 páginas disso. 

Gostei de ler o livro mas acabá-lo foi um suplício. Aquilo cansa um bocado. Mesmo as ilustrações que me prendiam e que me deixavam por uns minutos a olhar para a mesma página já me chateavam lá pelo meio. São muito trabalhadas, a história é uma óptima mistura entre texto e ilustração, complementam-se de forma muito especial e só com as ilustrações seguimos uma linha de pensamento bem definida e que nos conta qualquer coisa.

Portanto sim, é um livro giro e gostei de o ler mas lá que foi penoso, isso foi! 


quarta-feira, 17 de junho de 2015

[leituras] A Louca do Sacré-Coeur

Título: A Louca do Sacré-Coeur
Argumento: Alejandro Jodorowsky
Desenhos: Moebius
Páginas: 192
Ano: 1992

A início pensei que isto fosse ser mau. Começa devagarinho com um grupo de fãs doidos por um professor vestido de roxo (isto depois de ver Breaking Bad e de ter uma professora com fascínio por roxo ganha uma nova proporção de chato). Estava a torcer-lhe o nariz já há umas boas páginas até que isto se desenvolveu para mais do que estaria a pensar, em qualquer das hipóteses que poderia ter para aquilo.

Então de muita bodega o que é que lhe dá para acontecer? Uma aluna que se mete com o professor, engravida e eis que é um milagre: João Batista vai nascer de Zacarias e Isabel, como diz na Bíblia. E melhor, houve um sonho milagroso que mostrou o caminho a seguir, para que um novo Jesus nasça.

Eu não estou a gozar, o melhor ainda é isso, dito assim não é metade do estranho e maravilhoso que está no livro mas sem dúvida que vale a pena ver o desconstruir completo do que se pensa no início., pelo menos foi o que me aconteceu a mim. O que a início parece apenas loucura e um bando de marmanjos a aproveitarem-se do homem rapidamente se transforma numa grande bola de dúvida.

Zacarias, ou, Alain Mangel, com Isabel e o seu filho - eventualmente João Batista – mais um ajudante aleatório e uma futura mãe de Jesus, que afinal se torna ela própria em Jesusa. Ah, e ressalvar que esta última é só filha de um dos maiores líderes de um cartel de droga colombiano que estava internada.

Já parece interessante? E louco? E sem sentido? É isso tudo, a sério, mas torna-se tão engraçado e bem ligado que nem se nota assim tanto.


Até porque se a início gastam couro e cabelo ao pobre roxinho assim que o dinheiro acaba não há preocupações: Deus estará lá para os ajudar. E não é que ganham uns poucos milhões numa corrida de cavalos? Se vamos vendo as coisas muito da perspectiva do roxinho vamos dando conta de que aquilo parece uma trapaça das grandes mas nem sequer das mais bem feitas mas com o desenvolver da coisa começa a haver muita coincidência, muitos eventos estranhos e dei por mim a pensar: “Queres ver que esta patranha toda afinal é mesmo verdade?”.   

A mistura de ambiente mágico com loucura pura e dura é algo engraçado de acompanhar e que até ao leitor deixa algumas dúvidas mas de tão estranho acaba por se tornar bom e verdade seja dita: não estava minimamente à espera. 

É um livro curioso, louco - go figure - mas que se torna numa leitura bastante agradável de fazer!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

[leituras] Um Contrato com Deus

Título: Um Contrato com Deus
Autor: Will Eisner
Páginas: 200
Ano: 1978

Estas colecções que andam a sair são óptimas para descobrir autores e tesouros vários. Desta vez este "Um Contrato com Deus" pela imagem da capa deixou-me com boas expectativas. E não desiludiu (yay!).

O livro é composto por quatro histórias: começa com Um prédio no Bronx e é aqui que temos realmente a imagem da capa e alguém muito chateado com Deus. Há um contrato que é escrito em pedra entre uma criança e Deus e a certa altura Deus não cumpre com as suas obrigações (podia fazer tantas piadas aqui e não vou!). E é assim que um bom rapaz, sempre cumpridor do seu dever - segundo o contrato - deixa de ter qualquer sentido de escrúpulos e tem "sucesso" na vida mas não como sempre tinha querido obter. Quando quer fazer as pazes Deus também não está muito para aí virado. É engraçado como esta é uma história simples e tão bem construída e interessante. Foi de longe a história que mais gostei neste livro e fiquei realmente surpreendida com aquilo que li.

Depois O cantor de rua é sobre, imagine-se a originalidade, um cantor de rua. Um tipo que canta em vielas para arranjar algum dinheiro, necessário para altas tosgas, certamente inspiradoras. Acontece que uma senhora rica mete em cabeça que vai fazer dele uma estrela, a troco de calor humano. Dá-lhe dinheiro para remodelar o guarda roupa e no dia a seguir as coisas mudariam. Ou não! O dinheiro gastou-se rapidamente - e não na mulher grávida que tem em casa - e melhor: sabe-se lá em qual dos becos é que vivia a dita senhora rica? Pode ser que um dia a volte a encontrar.

A terceira hitória é O zelador e é a mais perturbadora de todas. Temos um porteiro de um prédio que não é, de todo, flor que se cheire. Mas depois os habitantes daquele prédio também são estranhos. Um tipo sem escrúpulos a quem é oferecida a oportunidade de ver uma criança nua a troca de uma notita e que sim senhor, parece-me bem. Só que a coisa dá para o torto e é escorraçado.

Por fim Cookalein que devia ser lido por muita gente. A ideia de fingir-se que se é uma coisa para atrair aquilo que queremos. O problema é quando dois fingidores se encontram (agora aparecia o Fernando Pessoa e dissertava um pouco sobre isto!). É isso mesmo que acontece neste caso, duas pessoas que querem conquistar um bom partido e que a única coisa que conseguem arranjar é alguém como eles. Verdade seja dita que era o melhor par que se arranjava, pelo menos eram parecidos e tinham interesses comuns. Enfim, podia ser uma bela lição de vida para muito boa gente.

Eu gostei do livro, embora tenha gostado mais da primeira história e preferisse que as outras fossem mais ao encontro dessa. Sem dúvida que tem perspectivas muito engraçadas e perturbadoras sobre vários assuntos e consegue ter uma mensagem bem transmitida.

Os desenhos a preto e branco são interessantes, acompanham muito bem a história, mudando ligeiramente com o registo de cada história. Mais uma vez aquela onde encontrei o detalhe mais bem captado foi na primeira que tem alturas de imagens lindíssimas.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

[leitura] Mr. Natural


Título: Mr. Natural
Autor: Robert Crumb
Páginas:  128
Ano: 1995

O Sr. meu namorado comentou há pouco tempo numa livraria o engraçado que era nós chegarmos a uma estante de BD e conhecermos praticamente tudo. Dá-me um gozo bastante grande olhar para aqueles livros todos e ou já os ter lido o conhecer o autor, conhecer outras obras e armar-me um bocadinho ao pingarelho, mesmo que seja de mim para mim.

Este Crumb não é um tipo pequeno embora o nome dele seja quase o do livro de BD mais pequeno que já li (muahahah!). Para primeira vez o Mr. Natural fez um óptimo trabalho e deu-me boas perspectivas da obra do senhor.

Este livro é uma junção de tanta coisa que nem sei bem como o caracterizar. É divertido, é interessante, é crítico, é incisivo, é demasiada coisa junta especialmente se tivermos em conta que na base disto tudo há uma personagem apenas que consegue dar conta do recado. Mr. Natural, que realmente gosta muito de andar au naturel, seja lá quando for e porquê (até porque não há problemas, a barba tapa tudo - às vezes!).

Muito crítico, muito refilão, muito aldrabão, diga-se também, é uma personagem muito divertida e que não nos deixa aborrecidos em parte nenhuma da história. Nunca se sabe o que vai sair daquela cabeça careca mas geralmente há uma regra fixa: não há-de ser nada de bom!

É um livro que se lê num instantinho e que acaba por ser muito interessante - especialmente se lermos isto realmente com olhos de ver e não só umas olhadelas superficiais - com uma das personagens mais impensáveis que já apanhei mas também uma que me conquistou muito rapidamente!

Mr. Crumb ficou na lista de a investigar. E mesmo o Mr. Natural, há mais coisas do que está neste livro (Levoir, obrigada!) e pelos vistos algumas mais... picantes, vá! Ainda hei-de investigar!