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quarta-feira, 9 de março de 2016

[leituras] Living Will (#1 - #5)


Título: Living Will
Argumento: André Oliveira
Desenho: Joana Afonso, Pedro Serpa (#4)
Páginas: 16
Ano: 2014

Podia fazer um apanhado por cada livro, mas a verdade é que com os cinco capítulos já publicados na mão não me dei ao trabalho de estar a dividir uns dos outros, li tudo de uma assentada e da mesma maneira que não quis parar como se de cinco livros se tratassem, também não o quero fazer agora, com o que tenho a dizer.

Estes pequenos livrinhos de BD com argumento de André Oliveira e desenhos de Joana Afonso são algo de muito especial. Há muito pouca coisa que me tenha agradado tanto de encontrar e/ou ler como estas coisa pequenas (se provas fossem precisas que tamanho e qualidade não andam a para e passo).

Eu, que com muita frequência adoro os desenhos e noto o argumento aquém, aqui não consigo decidir-me por um. O argumento é genial! Os desenhos são geniais!

E eu gosto muito de usar a palavra genial, mas este é um daqueles casos em que a ressalva tem de ser feita: isto é mesmo ridiculamente bom.

E o resultado da junção das duas coisas é outro que não falha. É uma simbiose super interessante que funciona melhor do que estaria inicialmente a contar.

Enfim, avançando que já se percebeu o meu interesse e ligeira fixação.

Assim, muito directamente, toda a gente repara nas cores. Cada fascículo /  capítulo / livro tem uma cor predominante. E é lindo! A sério.

Depois a história andar em torno da vida de uma pessoa, das suas memórias, das suas vitórias e também dos seus erros, é um conceito curioso mas que rapidamente podia tornar-se aborrecido ou repetitivo. E aqui não. É uma forma de irmos acompanhando este senhor, conhecermos melhor o que ele é, e vendo-o pela própria perspectiva, cansada e sábia, e na sua ligação com quem o rodeio, ou de quem se faz rodear.

Se me perguntarem ao certo o que é que me cativa tanto nestes pequenos livrinhos eu nem sei responder de forma muito acertiva. São bons, são interessantes, são bonitos, são a prova de que a banda desenhada tem muito caminho pela frente e que temos pessoas realmente boas a trabalhar nisto. É disto que temos de ter mais, é exactamente disto. Coisas com qualidade!

Assim o único reparo que posso fazer, e que para quem esteve a ler tudo seguido nota muito, é que o quarto volume não é assinado por Joana Afonso mas sim por Pedro Serpa. Este última tem alguns trabalhos que aprecio mas tem um desenho completamente diferente do de Joana Afonso. Joana Afonso se a início nos apresenta uma coisa que identificamos claramente como uma pessoa, podemos olhar durante mais um bocado e vamos reparar nos milhentos pormenores que se escondem por detrás daquilo que vemos num relance superficial. O que acontece com Pedro Serpa não é isto, tem um desenho muito mais simples, com muito menos detalhe. E isso não faz dele melhor ou pior, atenção. Mas a aprtir do momento em que pego no quarto livro e tenho desenhos de Pedro Serpa, não em modo Pedro Serpa, mas em modo Joana Afonso, a coisa toma umas proporções estranhas. Porque é olhar para um livro de Joana Afonso inacabado, ou uma imitação "rasca". Não é que seja mau, mas destoa completamente na comparação. Não sei o porque daquele volume ter um autor diferente, vou supor que tem algum motivo, mas para mim não fez sentido e não gostei do resultado. Quebra o ritmo do todo, há ali qualquer coisa que não está em concordância com os outros.

E disto isto, quero mais. Só faltam dois volumes, coisa que me entristece um pouco mais do que é normal na minha pessoa, mas vou ficar à espera, dando uns saltinhos à Kingpin a ver se há novidades e tal. Qualquer dia hei-de ter sorte, e ver o resultado final há-de ser uma experiência interessante.


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

[leituras] O Poema Morre

Título: O Poema Morre
Argumento: David Soares
Desenho: Sónia Oliveira
Páginas: 68
Ano: 2015

Eu ando numa fase muito variável com David Soares, ora apanho uma coisa que gosto imenso, ora apanho uma coisa que não me cativa minimamente.

E geralmente são mais as coisas recentes que me desiludem mais.

As bd que fui apanhando da Círculo de Abuso, quase a ferros que aquilo ainda é complicado de encontrar, foram boas surpresas, num estilo muito próprio que mostrava um potencial interessante. O que vejo nas últimas coisas é uma história... nem sei bem como descrever... mas que não pega.

Este livro tem uma capa lindíssima, e depois de ter lido o Sepultura dos Pais, um dos que me fez voltar a acreditar, estava com boas expectativas para o que iria encontrar neste. Boa capa, folhear de fugida dá uma ideia interessante dos pordentros, vá, isto vai ser bom.

E depois é meh!

A história é pouco interessante, confusa à lá David Soares, com cenas chocantes para serem chocantes sem terem qualquer lógica no seguimento do que se estava a passar, enfim. Além do mais a própria história não é cativante, uma pessoa segue e vai lendo mas não agarra o leitor.

Eu fiquei desiludida. A própria arte que parecia uma coisa, revelou-se outra completamente diferente. Aquilo que me parecia um desenho mais simplista, cru, é bem menos do que seria esperado e torna-se muito pouco interessante. Infelizmente.

Resultado: não fiquei fã. Nem pelo argumento, nem pela arte. Gostei da capa e do título, já não vai mal.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

[leituras] O Baile

Título : O Baile
Argumento: Nuno Duarte
Ilustração: Joana Afonso
Páginas: 49
Ano: 2012

Mais um livro com selo Kingpin que tinha de ler - como os outros todos, mas enfim.

Nuno Duarte já é um nome que me agrada encontrar em qualquer coisa. Depois de Fórmula da Felicidade não podia ser de outra forma. Já Joana Afonso está debaixo de olho a ver o que pode sair por essas mãos.

Este Baile é um bom livro. Gostei imenso de o ler, tem uma leitura fácil e interessante, tem uma história muito curiosa mas não achei que fosse assim tão inovadora quanto isso. É uma boa história mas não é nada de outro mundo. Por outro lado achei que desta vez as ilustrações não estavam tão interligadas com a história, ou seja, não acompanhavam o argumento de par a par, há um distanciamento de uma coisa para a outra - ou pelo menos eu senti-o -  e isso dá um nó na leitura. Parece que são duas coisas a ser contadas, que embora sejam a mesma têm ali um desfasamento qualquer. Talvez o que precisasse fossem mais umas páginas, abrir um pouco as coisas para ficarem mais pormenorizadas em cada ponto, ou com margem de manobra para serem ditas as coisas de uma maneira diferente, não sei.

Sei que gostei do livro, gostei bastante até, mas não achei que fosse algo inovador ou que traga alguma característica especial.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

[leituras] Sepultura dos Pais

Título: Sepultura dos Pais
Argumento: David Soares
Ilustração: André Coelho
Páginas: 60
Ano: 2014

O meu pensamento a pegar nisto foi simples: "Por favor não sejas tão mau quanto o Palmas para o Esquilo!!!".

Deve ter sido o livro que mais me chateou nos últimos tempos especialmente tendo em conta que as minhas leituras de David Soares tinham sido realmente muito boas. Depois aquele livro, com tanto potencial desperdiçado. Enfim, nem pensar é bom.

Este Sepulturas dos Pais tinha um ar diferente. Deu-me a ideia de ser mais parecido com a onda da Círculo de Abuso e isso deu-me esperanças. Talvez tenha sido apenas das ilustrações a preto e branco, talvez o aspecto mais bruto e cru quando vi os primeiros esboços. Seja lá pelo que for a primeira impressão deste novo livro prometia. E desta vez - abençoado - não me decepcionou.

É uma história estranha - go figure - e com uma parte mágica que funciona bem e mal ao mesmo tempo ao longo da história.

Eu gostei do livro, fiquei feliz por não ter as mesmas reviravoltas linguísticas dos últimos tempos em David Soares mas sem cair numa linguagem simples e banal. Ao mesmo tempo tem uma parte mais mística numa relação mais do que amorosa que se cria que está bem explorada.

O pior foi o fim, que achei mal explorado e que fica ligeiramente tonto. De resto o livro lê-se bem, é simples e claro - mesmo com as magias todas que tem pelo meio - e é uma coisa que dá para ler sem ter de ter um dicionário ao lado. E isso já é muito, não é?


quarta-feira, 18 de março de 2015

[leituras] Hawk


Título: Hawk

Argumento: André Oliveira
Ilustrações: Osvaldo Medina, Inês Falcão Ferreira
Páginas: 78
Ano: 2014

A capa e título deste livro intrigavam-me. Nunca percebi realmente do que se falava nele até o ler mas é daqueles livros que ouço falar, vejo nas prateleiras, tem selo Kingpin e acaba por ficar na ideia. Pela capa, título ou olhadela rápida fica-se sempre na mesma!

Agora li-o e surpreendi-me. Uma boa surpresa devo confessar. Temos um homem metido para si, agorafóbico, com uma relação muito especial com a sua avó que infelizmente já perdeu. No meio da sua vida, de forma completamente aleatória e inesperada aparece-lhe por uma janela aberta uma águia, ou falcão ou gavião que se recusa a sair do seu cantinho improvisado. Ele liga a muita gente, ele tenta de tudo mas o raio do bicho não quer ir embora. É nessa presença obrigada de uma ave que reside toda a história, toda a relação que se consegue estabelecer entre ave e humano, a linha ténue entre ter ou não alguém ao lado. Saber o que é ter e não querer perder mais uma presença na sua vida, por pequena que seja.

Eu li o livro, cheguei ao fim e dei por mim a pensar que estava ali realmente uma obra bem feita. As ilustrações estão bonitas, as situações maravilhosas, o argumento é muito bom. Gosto da ideia e especialmente gosto do que conseguiram fazer com ela. Já vi muita crítica às ilustrações mas sou sincera, não concordo com nenhuma. Para o livro que é, para a história que conta acho que estão bastante boas, com cores interessantes e um bom trabalho final.

Com o tema que aborda e a maneira como o faz era fácil cair em aborrecimento, em cenários depressivos contínuos que só fariam um livro chato e soturno. Aqui não, conseguimos ter um livro que não é uma explosão de alegria mas que não cai no chato, está num equilíbrio estranhamente agradável.

Gostei imenso de ler o livro, merece sem dúvida os prémios que recolheu e estaremos cá para mais coisas destes senhores (alguns que já me deram grandes alegrias literárias).