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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

[leituras] O Evangelho Segundo Jesus Cristo

Título: O Evangelho Segundo Jesus Cristo
Autor: José Saramago
Páginas: 445
Ano: 1991

Já não lia uma Saramago há demasiado tempo. Estava a começar a sentir-lhe a falta e já que tenho uns poucos à espera peguei num.

Este andava a chagar-me a cabeça desde que o descobri, queria ler, tinha curiosidade, parecia-me ser um livro muito curioso mas tinha andado de prateleira em prateleira.

Aqui temos um relato da vida de Jesus, filho de Maria e José, desde a sua concepção, até à sua morte, com todas as peripécias que possa haver pelo meio. Numa onda um pouco como no Caim, e à boa velha maneira de Saramago, agarra naquelas histórias aceites neste tópico e dá-lhes uma volta completa, uma perspectiva bem diferente. A desconstrução daquilo que é aceite como regra é sempre uma coisa que Saramago faz especialmente bem e aqui não falha.

A escrita de Saramago é aquilo que já se sabe: primeiro estranha-se, depois entranha-se. Eu nunca tive grandes problemas a ler os mega parágrafos ou a falta de pontos finais, embora haja muita gente que os tenha. Este é dos livros que me conseguia chatear quando queria parar - para dormir, vá-se lá ver a loucura de tal ideia. Não só era um livro interessante que não queria deixar de ler como não ia deixar uma frase a meio, não é? E quando é que acaba uma frase? Na próxima página, ou na outra a seguir. Podia ser uma mini pausa, para responder a uma mensagem, mas tinha de fazer ali mais uma página de leitura para conseguir parar. Um ponto final é coisa rara nestes livros.

É um livro pesadote, principalmente no início nota-se que é espesso de entrar. Depois já estando lá dentro é bem mais fácil, mas aqueles primeiros capítulos custam um pouco. Não é, claramente, uma leitura que se faça numa tarde, e não é um livro que se leia na praia enquanto se come uma bola de berlim e se ouve o mar. Exige um bocadinho mais, mas é bom!

Eu só reforcei o meu gosto por Saramago. Mais uma obra que dá a volta a alguns religiosos mais puros - com Deus, Diabo, Homens, e vontades de todos ao molho isto torna-se rapidamente herético - mas que dá umas ideias interessantes sobre estes assuntos. A par com o Caim são dois livros muito curiosos de ler, principalmente tendo algumas luzes de como são as histórias que nos estão a contar por ali.

Muito bom! Muito, muito bom! Dá-me vontade de pegar noutro Saramago de seguida. Mas vou controlar-me que a lista vai grande.

domingo, 28 de dezembro de 2014

EU OFEREÇO LIVROS!

Como bookworm que sou quero sempre mais livros.

Como bookworm que sou sou muito picuinhas com os meus livros.

Agora verdade seja dita: isto é um problema para quem está de fora! Ou alguém me conhece muito bem e atira ao livro certo -  e sim senhor, tem um pedacinho da minha alma reservado - ou agarra num livro que parece interessante e com a maior das probabilidades vai errar.

Isto dito assim até soa mal mas é muito verdade. A maior parte dos livros que mais se houve falar, que mais destaque têm são livros que pouco me interessam. Não é geral, felizmente ainda há Saramagos nas estantes e em promoções chamativas. King continua fortíssimo a lançar calhamaços que são adaptados para filme ou séries e as livrarias põe-no nas ilhas maiores. Há clássicos que não se perdem nos anos e continuam sempre nas estantes, em edições lindíssimas a chamar por quem quer que passe. Por isso não sou contra o que está à vista, mas a maior parte do que lá anda não me interessa minimamente. Não apreciei Ken Follet quando o li. Não posso ver a Margarida Rebelo Pinto à frente. James Patterson tem demasiados meandros de escrita estranhos para o meu gosto. Não gosto de sagas adolescentes maricas com vampiros e/ou lobisomens e/ou zombies com as meninas inocentes que se apaixonam e fazem coisas estúpidas ao longo de uma série de livros. Não sou fã de ler soft-porn para pessoas de meia idade. Nora Roberts, Sparks, Jodi Picoult, Lesley Pierce e livros afins até só pelas capas e invólucros me dão comichões e nunca li nenhum deles. Quem tem ido às livrarias nos últimos tempos percebe o que eu estou a falar.

É por aí que digo que não é assim fácil de acertar sem conhecer o bicho.

Mas quem é que já deu AQUELE LIVRO a alguém? Saber que aquele livro assim que for visto pela pessoa que o vai receber vai ser instantaneamente amado e preservado no cantinho mais bonito e lustroso que houver. Já viram os olhinhos de um bookworm que recebe um livro que realmente queria? É qualquer coisa de muito especial. É mais brilho do que se pode imaginar. É qualquer coisa de outro universo!

Eu já ofereci livros assim! E sempre que ofereço livros gosto que seja por isto, porque sei que vai ficar num cantinho muito especial daquela pessoa! E podem ter a certeza que fica mesmo.

Portanto tudo isto por um motivo muito simples: se conhecem um bookworm metam conversa com ele sobre livros - com muito cuidado, há fortes possibilidades de nunca mais ouvirem o silêncio, principalmente se essa pessoa não estiver habituada a ter com quem falar sobre isso, tenham mesmo muito cuidado! Descubram quais são aqueles livros ou aquele tipo de livros que o faz vibrar, que não deixa dúvidas para "Gosto ou não, pode ser engraçado e tal" - Não! Não chega! Aquele livro que faz com que naquele momento o mundo pare, os olhos brilham e só existem duas entidades no universo: livro e dono!

Essa pessoa vai ficar radiante e quem oferece fica também! Quando a paixão é mesmo forte nota-se e sabe tão bem ver alguém tão feliz. Gosto de acreditar que somos um nucleozinho engraçado que retira prazer de umas folhas de papel sujas com tinta. Não são muitos os que vêem o verdadeiro valor disso mas quando o vêem é inesquecível!

Já agora, se o bookworm que conhecerem for eu estão à vontade para falarem de livros. Qualquer que seja o tipo, não discrimino! Venham a mim os livros! E se quiserem saber quais os que gosto mais e ainda estão na lista... Bem, não perguntem, a minha lista ainda é maior que a dos típicos bookworm, nunca mais me calava! Morria afónica, mas feliz!